Funcionário que já adotou recomendações acha que postura melhorou.
Especialistas britânicos publicaram novas diretrizes sobre o tema.
Patrick Hruby passou a trabalhar em pé há um ano (Foto: Patrick Hruby/Arquivo pessoal)Cada vez mais evidências científicas sugerem que passar muito tempo sentado, tanto no trabalho como nas horas de lazer, pode elevar o risco de doenças cardiovasculares e metabólicas e, consequentemente, o risco de morte prematura.
Segundo os especialistas que desenvolveram as diretrizes, fazer as pessoas ficarem de pé durante suas horas de trabalho pode ser um objetivo mais fácil de atingir do que garantir que todos comecem a se exercitar.
A ideia por trás das recomendações é que o simples fato de se levantar mais vezes durante o expediente pode ajudar as pessoas a serem mais saudáveis.
No Brasil, há quem já tenha aderido à tendência. É o caso de Patrick Hruby, diretor-geral para micro e pequenas empresas do Facebook para a América Latina. Ele começou a trabalhar em pé há um ano. "Na época, foram publicadas várias matérias falando sobre os benefícios e, como o Facebook oferece essa opção, resolvi experimentar." Levou alguns dias para se acostumar, mas ele conclui que valeu a pena.
No escritório onde atua, em São Paulo, há mesas que podem ser ajustadas para trabalhar em pé ou sentado. Hruby explica que faz um revezamento: durante as várias reuniões que tem durante o dia, fica sentado, mas sempre quando está na mesa, fica de pé. “Isso facilita até para falar com as pessoas”, diz. A principal diferença que sentiu foi em relação à coluna. “Sentado, a tendência é ficar com uma postura ruim e de pé isso não acontece, pois você precisa manter a postura.”
Intervalos são importantes
Do ponto de vista ortopédico, trabalhar em pé durante algumas horas pode estimular a adoção de uma postura melhor, segundo o ortopedista Marcelo Zaboroski, do Hospital São Cristóvão. Mas ele alerta que, para que isso realmente seja eficaz, é preciso ter uma estrutura adequada: mesas altas ou ajustáveis e computadores bem posicionados na altura dos olhos. “Entre trabalhar sentado, com a coluna apoiada e reta, e de pé com a coluna curvada, é melhor trabalhar sentado.”
Fernanda Shoel passou a usar um banco inspiradoem uma sela de cavalo: opção é intermediária
entre ficar sentada e em pé
(Foto: Vladi Fernandes/Salli/Divulgação)
Nem de pé, nem sentado
A empresária Fernanda Shoel resolveu testar um assento diferente, em que não fica nem totalmente sentada nem de pé, devido às dores que sentia nas costas durante o trabalho. "Ele me impede de adotar uma postura de conforto. Geralmente, na cadeira, a gente começa a escorregar e as costas ficam totalmente tortas. O assento não deixa fazer isso”, diz.
O banco, desenvolvido na Finlândia, é inspirado no formato de uma sela de cavalo. A ideia é que o peso do corpo fique apoiado sobre os ísquios, os ossos do bumbum, e que por isso a pessoa adote uma postura mais fisicamente ativa. Fernanda conta que o processo de adaptação foi complicado e ela precisou adaptar sua mesa e seu computador para uma posição mais alta. Hoje, não se vê trabalhando de outra forma.
Recomendações britânicas
Com base em observações e estudos feitos sobre o tema, os especialistas que criaram as diretrizes chegaram às seguintes recomendações:
- Quem trabalha no computador deve passar pelo menos 2 horas do expediente em atividades em pé. Esse período pode ser estendido por até 4 horas posteriormente
- O ideal é revezar atividades sentadas com atividades em pé. Para isso, é importante ter mesas reguláveis, que se ajustem às duas posições
- Ficar parado em pé por muito tempo pode ser tão prejudicial quando ficar sentado por muito tempo, por isso é importante revezar
- Caminhar algumas vezes ao longo do expediente pode ajudar a aliviar dores e cansaço
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