Realizados por técnicos de enfermagem, a atividade tem ganhado espaço no Centro
por
Matheus Fortes
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
Realizados por técnicos de enfermagem, a atividade tem ganhado espaço no centro, sendo muito comum ver pessoas utilizando deste serviço para estar em dia com a saúde. O serviço possui um preço simbólico que varia do tipo de medição, ficando entre os R$ 2 à R$ 7. Feita a mensuração, e tendo seu resultado, os técnicos dão as orientações básicas ao paciente, alertando quando um quadro pode colocar a saúde em risco, buscando saber que tipo de medicamento a pessoa está tomando, e se ela toma adequadamente. Porém, eles ressaltam que jamais receitam qualquer medicação.
A técnica de enfermagem Lívia Bacelar já atua na Avenida Sete há dez anos, e sua familiaridade com o lugar já permite saber a melhor época para instalar-se no local. Ela trabalha somente com a medição da pressão, em frente a uma agência bancária, e já tem pacientes frequentes. “No início do mês, por conta do maior fluxo de pessoas no banco, atendo uma média de 20 a 25 pessoas por dia, e como passar do mês, o movimento cai para 10 a 15 atendimentos”, relata.
Registrada pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Lívia se divide entre sua atividade no centro, e atendimentos particulares. A maioria dos pacientes são pessoas que já sofrem de algum distúrbio na pressão arterial, mas, dificilmente, há casos em que a pessoa vai até ela por estar com algum mal-estar momentâneo. Ainda assim, já houve casos em que a técnica foi chamada para auxiliar pessoas que não estavam se sentindo bem.
O preço simbólico de R$ 2, é também uma forma de sobreviver, afinal, não bastando os custos comuns do trabalho (como transporte e alimentação), a técnica em enfermagem está sempre se precavida quanto ao seu instrumento de trabalho, um tensiômetro analógico que precisa ser regulado de três em três meses.
O atendimento na rua também é o principal ganha-pão de Raimundo Azevedo. Ele já trabalhou como técnico de enfermagem em hospitais, como o Nestor Paiva, e Ernesto Simões. Hoje, Raimundo realiza os atendimentos de PA e glicemia na Praça da Piedade, em um valor de R$ 5. O preço, segundo ele, vem dos instrumentos necessários para a medição, principalmente da glicemia que, por serem descartáveis, precisam ser compradas em grande quantidade, como é o caso das luvas estéreis, as fitas magnéticas, o álcool gel, e as lancetas (agulhas).
“Por dia, atendo uma média de 20 a 25 pessoas que passam pela praça, mas, com essas chuvas, o centro não tem tido o mesmo movimento, e assim, durante esses dias tenho atendido uma média de 10 a 15 pessoas”, conta ele, ao destacar que ele costuma ser mais solicitado durante o verão, quando os dias estão mais quentes.
Ambiente mais leve que nos ambulatórios
A preocupação com a saúde é o que leva muitos pacientes a consultar-se com os profissionais no centro, sempre quando há um tempo disponível. Diferentemente dos postos de saúde, onde pode haver filas, e onde o próprio ambiente já desconforta algumas pessoas, medir a pressão em um local aberto acaba sendo bem mais agradável e tranqüilo.
A dona de casa Ângela de Souza, de 61 anos, se orienta com os profissionais sempre quando está resolvendo alguma particularidade no centro da cidade. Segundo ela, o médico lhe receitou alguns remédios e orientou que busque medir a PA com regularidade. Já que é possível fazer isso de uma forma simples, nada melhor do que aproveitar a oportunidade, diz ela.
O comerciante Orloc Bonfim dos Santos, 63, trabalha na região central, e regularmente se consulta com os técnicos instalados na Avenida Sete. “Não gosto do ambiente do hospital. Já houve uma ocasião no qual fiquei nervoso apenas por estar lá, e por causa disso, a medição não estava dando certo, e sempre dava alta. Aqui não há pressão alguma, e me sinto bem melhor”, explicou.
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