Hoje (7) é o Dia Mundial da Saúde, e milhares de baianos vivem a angústia diária que é esperar por um novo órgão vital que os ajudem a viver
por
Rayllanna Lima
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
No último balanço feito pela Secretaria de Saúde, cerca de 2.200 mil pessoas estão na lista de transplantação. O transplante de córnea é o mais realizado na Bahia. E, mesmo não dependendo de compatibilidade entre doadores para a realização da cirurgia, ainda assim, mais de mil pessoas estão à espera de doação.
A Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia (Hemoba) recebe uma média de 120 bolsas de sangue por dia. Sendo que o ideal indicado pelo Ministério da Saúde é exatamente o dobro, cerca de 200 doações.
A transplantação de órgãos e tecidos continua lotando unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), principalmente, por falta de doadores. Diagnosticado com insuficiência renal crônica aos 20 anos – enquanto estava no Exército –, Gutemberg de Freitas, 33, aguarda um rim compatível há 13 anos. Ele só descobriu o problema na saúde após procurar um ortopedista para avaliar os inchaços nos tornozelos.
“Fui submetido a um exame clínico, e deu que a creatinina estava alta. Tive que fazer outros exames, no qual o diagnóstico deu que eu estava com um rim perdido e apenas 25% do outro ainda funcionava. Faço hemodiálise durante três dias da semana, por quatro horas no dia. No começo fiquei desesperado, mas com o passar do tempo, tive que aceitar.”, desabafou.
Da sua família, ninguém além de sua mãe se manifestou para ser um doador. Infelizmente, ao fazer os exames de compatibilidade, a mãe de Freitas foi diagnosticada com lúpus, sendo impedida de doar o órgão a seu filho. Após sete anos de tratamento, um tio se voluntariou, e os exames comprovaram a compatibilidade entre os tecidos do órgão do doador e da pessoa implantada. Desta vez, foram os exames de Freitas que não foram satisfatórios.
“Contraí uma infecção urinária e tive cálculos nos rins. Os urologistas acharam melhor adiar o transplante para fazer a nefrectomia. Fiz no Hospital das Clínicas, mas tive pericardite [líquido no coração]. Fiquei em coma durante dois dias, após sofrer hemorragia. Graças a Deus me recuperei, mesmo com os médicos desacreditando que eu sobreviveria. Por isso eu digo, não desista. A fé é a última que morre e tudo tem sua hora”, aconselhou. Com o tio como doador, hoje, após 13 anos de angústia, ele aguarda ansioso para o resultado dos novos exames e, enfim, realizar o transplante.
Diferente de Gutemberg, cerca de 40 mil brasileiros estão esperando o ato generoso da doação de órgãos. Aguardando somente a doação de rim, na Bahia, mais de mil pacientes estão na fila. A espera de um fígado são 67 e de medula são 33. Esse déficit é motivado pela falta de informação que chega até a população e pela falta de aprofundamento na vida acadêmica dos profissionais de saúde, conforme informa o coordenador do Sistema Estadual de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde (Sesab).
Qualquer um pode doar
“A situação se dá pelo desconhecimento da população, juntamente com o desconhecimento dos profissionais de saúde, tendo em vista que temos apenas 35 anos de transplantes. Temos um índice negativo das famílias, que é abaixo do nacional. É preciso educar as pessoas para que elas sintam-se comprometidas a ajudar outras pessoas”, avaliou Moura.
Ainda de acordo com ele, muitas vezes os familiares não sabem se o parente falecido queria ou não ter seus órgãos doados e, por isso, o assunto gera dúvidas. Para Moura, é preciso se colocar no lugar do outro. “Qualquer pessoa pode, a qualquer momento, entrar na fila para substituir um órgão doente por um sadio. Se eu aceitaria um órgão de um estranho, porque não me predisponho a ajudar outras pessoas e fazer com que elas continuem vivas? É preciso que a sociedade entenda a importância de doar tanto quanto a de receber”, concluiu o coordenador de Sistema Estadual de Transplante.
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