Donos relembram momentos mais marcantes dos bichinhos.
Serviços especializados, como crematório, já estão disponíveis em Belém.
Sem Átila Muralha há 4 meses, a designer gráfica Taíssa Cunha diz que a saudade ainda é intensa. “Sinto falta dele todos os dias. Era meu amigo, meu companheiro, a alegria da casa”, conta. Átila era um cão da raça yorkshire, e faleceu no último mês de junho, aos 3 anos de idade, devido a complicações da erlíquia, uma doença causada por carrapatos.
A designer gráfica Taíssa Cunha mostra a urna especial que fez para as cinzas de seu cachorro (Foto: Ingrid Bico/G1)
Taíssa fez uma tatuagem para homenagear seucachorro (Foto: Ingrid Bico/G1)
Para Taíssa, a alegria e a força são as principais lembranças deixadas pelo companheiro. “Ele sempre nos alegrava. O que eu mais sinto falta é de tê-lo por perto porque ele era alguém que me entendia, me ouvia, dormia comigo, me escutava... Às vezes eu chegava em casa estressada do trabalho e só de ver ele aqui já melhorava meu dia. Ele foi muito forte, aguentou bem o tratamento, e lutou muito para se recuperar. Mas infelizmente acabou falecendo”, explica.
Depois de um acidente, cachorro ganhou até cadeira de rodas
Valentino era um cocker spaniel “muito dócil e sociável”, como lembra a pesquisadora Luana Lima, sua dona. “Quando ele chegou na minha vida eu era uma adolescente em época de vestibular, mas tinha que cuidar dele, passear, dar banho, comida, pois esse foi o trato com a minha mãe. Como morávamos em um condomínio fechado, logo o Valentino fez amizades com as crianças, que muitas vezes íam até a minha casa chamá-lo para brincar”, conta.
O cocker spaniel Valentino acompanhou Luana durante 16 anos (Foto: Luana Lima/Aquivo Pessoal)Uma peculiaridade chamava a atenção de quem conhecia o cachorro: ele só tinha três patas. “Quando ele tinha um ano de idade, em 1997, viajamos para o interior do Ceará. Como ele só passeava sem coleira, acabou acontecendo um acidente e ele foi atropelado. Depois de três meses internado, e cinco cirurgias, não conseguimos salvar sua patinha. O veterinário até falou para sacrificarmos o Valentino. Dissemos que o queríamos vivo, pois ele era único no universo, e ele recebeu alta em 24 de dezembro. Foi o natal mais pobre que passamos. Minha mãe não tinha condições de comprar presentes, pois gastara todo o dinheiro com o tratamento dele. Mas na verdade, o melhor presente do mundo foi passar a noite de natal com ele vivo na nossa família e em casa”, conta Luana.
Valentino precisou de uma cadeira de rodas para semovimentar normalmente
(Foto: Luana Lima/Aquivo Pessoal)
Valentino morreu este ano, de mal de Alzheimer. “Ele passou a tomar medicamentos, fazer fisioterapia, terapia ocupacional canina. Mas não teve jeito. Ele foi perdendo as funções, pois é uma doença degenerativa e nos cães progride muito rápido. No final já tinha que alimentá-lo e dar água com uma seringa. Aprendi até a dar injeção, pois não queria deixar ele internado sozinho numa clínica para tomar as medicações. Até que um dia, ele parou de respirar”, conta Luana.
“Sinto falta de tudo. Da festa que ele fazia quando eu chegava, de como ele ficava ao meu lado quando eu estava triste, da companhia incansável dele ao meu lado, do cheirinho dele”, conta a pesquisadora.
Crematório para pets oferece serviço especializado
Além da saudade que deixaram, Átila e Valentino tem outro ponto em comum. Ambos foram cremados. O serviço é uma alternativa para quem não tem como realizar um funeral tradicional para seu animal de estimação, especialmente aquelas famílias que moram em apartamentos e não dispõem de um quintal para enterrar o bichinho.
“Quando o Valentino morreu, minha mãe estava em Fortaleza. Então a equipe do crematório conservou o corpo dele até ela chegar, uma semana depois. Pudemos nos despedir, e velar por ele. Foi muito importante para a minha mãe se despedir, e então assistimos a sua cremação. No final pegamos as cinzas e minha mãe levou para Fortaleza, para o condomínio onde morávamos, e onde ele passou os momentos mais felizes da sua vida”, conta Luana.
Urna tem fotos de todos os momentos da vida doyorkshire Átila Muralha (Foto: Ingrid Bico/G1)
Sócios criaram crematório que oferece serviçoespecializado para pets em Belém
(Foto: Ingrid Bico/G1)
De acordo com Fábio Medeiros e Antônio Carlos, proprietários do negócio, todos os clientes acabam ligando depois de um tempo, para agradecer pelo apoio e pelo cuidado com os animais nesse momento tão delicado. “Nós aprendemos muita coisa com eles, vendo a relação entre os animais de estimação e as famílias. Não tem como segurar a emoção. Alguns trazem a caminha, os brinquedos, para serem cremados junto com o animal. Certa vez ouvimos de um cliente que realizar essa cerimônia de despedida dá uma certa tranquilidade à família, de saber que um ciclo foi encerrado, e que tudo terminou da forma mais digna possível. É uma sensação de alívio, de dever cumprido”, pondera Fábio.
Um sítio longe do centro de Belém abriga o crematório exclusivo para animais de estimação (Foto: Ingrid Bico/G1)
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