Uma das principais distinções do movimento woke é a enorme sensibilidade à ofensa. A liberdade de expressão que estes "ofendidos" nos querem tirar é o alicerce com que foi criada a nossa civilização. Diogo Araújo Dantas para o Observador:
Todos
já ouvimos falar do termo woke, por isso importa refletir sobre as suas
características. Uma das suas principais distinções é a enorme
sensibilidade à ofensa: a premissa de que não podemos susceptibilizar
ninguém, sob nenhuma circunstância. Se não é difícil conversar com uma
pessoa e não a ofender, tudo muda de figura se falarmos para dez, cem ou
mil: se no meio destas houver uma ou duas que se ofendem, devo por
causa disso calar-me? E o principal problema não é esse, mas que
qualquer assunto verdadeiramente importante e revolucionário tem a
obrigação de ofender, não deixando ninguém indiferente. Desde Jesus
Cristo a Leonardo Da Vinci, de Platão a Nietzsche, de Martin Luther King
a Madre Tereza de Calcutá, todos estes agentes de mudança da História
começaram por ofender muita gente, mas o que seria da humanidade sem
eles?
Quem
é suficientemente arrogante para considerar que pode viver neste mundo
sem ser ofendido a qualquer altura? É evidente que não estou a falar da
ofensa gratuita e primitiva que inunda as redes sociais, sem conteúdo
ou que apenas quer injuriar, difamar ou caluniar. Aqui estamos a falar
de outra coisa completamente diferente. O atentado contra a honra de
alguém é extremamente grave e não pode ser diminuído em favor de
histerias coletivas. No entanto, sempre que a humanidade pensa, reflete e
discute, há o risco real de alguém ser ofensivo, porque é este o
propósito primordial da discussão e do debate, desde a Antiguidade
Clássica e na verdade desde sempre. A liberdade de expressão, que estes
“ofendidos” nos querem tirar, é o alicerce com que foi criada a nossa
civilização e é aquilo que tem permitido a humanidade avançar.
O
movimento woke quis desde logo apropriar-se do conceito de justiça
social e da luta contra o racismo, claro que evidenciando o patriarcado
como origem de todos os males, nomeadamente o homem “branco.” As
políticas identitárias e a educação das massas são outras das
características desta ideologia, que rapidamente contaminou a cultura,
os meios de comunicação e a internet, como um vírus violento, agressivo e
autocrático. Misturando causas justas universais com alucinações
marxistas, aparece como um código de conduta com regras inflamadas. As
pessoas e empresas que não apoiem abertamente as causas progressistas
são ameaçadas com a excomunhão e a fogueira. Porque quem não é woke, só
pode ser racista e preconceituoso.
A
agressividade e violência desta dualidade de julgamentos só terá
paralelismo na História em alturas onde se tentou impor um pensamento
único, desde a inquisição à ascenção do nazismo. Tal como nesses
períodos, a maioria da população suporta este movimento, pois ele
esconde-se atrás de ideias justas e que enganam facilmente. Esta
introdução de novos valores é proclamada pela grande maioria dos
políticos como inevitável e poucos são aqueles com coragem de os
enfrentar – numa luta desigual contra o mainstream da comunicação social
e da internet.
O
autoritarismo estigmatizador dos “especialistas woke” declara urgência
em proteger os marginalizados, mas apenas os utiliza para destruir os
valores da cultura ocidental e impor uma nova identidade progressista
que enfraquece a democracia e a consciência individual que demorámos
tanto tempo a construir. É o fim da verdadeira tolerância, da igualdade e
do livre-arbítrio. A ditadura woke está a conquistar o mundo ocidental
porque nós todos, cada um em particular, cedemos diariamente à chantagem
dos seus conceitos absolutos. Não tenhamos medo de ser cancelados ou
excluídos. A resistência ao autoritarismo foi o que sempre fez a
humanidade avançar e este é apenas mais um teste à nossa coragem,
resiliência e amor pela liberdade.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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