BLOG ORLANDO TAMBOSI
Confrontar o desafio autoritário significa também preservar na Universidade e no Mundo Livre o diálogo tranquilo entre perspectivas diferentes, muitas vezes rivais. Texto do professor João Carlos Espada para o Observador:
1 “Confronting
the Authoritarian Challenge” é o título da 30ª edição do Encontro
Internacional de Estudos Políticos/Estoril Political Forum que terá
início na próxima segunda-feira, 27 de Junho, — no clássico Hotel
Palácio do Estoril (sede dos Aliados Anglo-Americanos durante a II
Guerra). O Encontro encerrará com o também clássico jantar Konrad
Adenauer, na quarta-feira 29 de Junho, seguido de baile com a muito
académica orquestra ‘Lisbon Swingers’, presidida pelos distintos
Professores António e Manuel Pinto Barbosa.
Talvez
me seja permitido sublinhar a relevância do tema geral desta 30ª edição
do Estoril Political Forum: “Confronting the Authoritarian Challenge”.
Curiosamente, ou talvez sintomaticamente, o título foi definido em
Outubro do ano passado, bastante antes da bárbara invasão russa da
Ucrânia, em Fevereiro deste ano. Desde essa trágica invasão,
limitámo-nos a precisar os temas de alguns painéis: “Russia, Ukraine and
the West”, “China and the West”, “The Future of NATO”, “Churchill and
Russia”. Mas, infelizmente, a pertinência do tema geral, definido em
Outubro, foi dramaticamente reforçada.
Talvez
possa ser acrescentado que esta edição do Estoril Political Forum
celebrará também o bicentenário da independência do Brasil, bem como os
650 anos da Aliança Luso-Britânica — com a presença de Dom Duarte de
Bragança. Simultaneamente, o Estoril Political Forum tem o privilégio de
voltar a contar com o Alto Patrocínio de S. Exa. O Presidente da
República, Professor Marcelo Rebelo de Sousa, bem como com o também
clássico apoio do Presidente da Câmara Municipal de Cascais, Dr. Carlos
Carreiras.
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Talvez estes sinais de conversação pluralista e civilizada em defesa da
tradição pluralista do Ocidente e do Mundo Livre possam introduzir uma
referência à relativa antiguidade destes Encontros. Trata-se, com
efeito, do mais antigo (e mais participado) encontro anual de Estudos
Políticos entre nós. Quando foi inaugurado, em 1993 no Convento da
Arrábida, terá tido cerca de 20 participantes. Na edição do ano passado,
em Outubro de 2021, teve 615 inscritos (na data em que escrevo, uma
semana antes do Encontro, tem 589 inscritos).
Em
rigor, estes Encontros Internacionais de Estudos Políticos, fundados na
Arrábida em 1993, actualmente promovidos pelo Instituto de Estudos
Políticos da Universidade Católica (IEP-UCP), precederam e em larga
medida inspiraram a criação do IEP-UCP em 1996. A comum inspiração
destas instituições foi claramente definida desde o início e sempre
reiterada desde então:
Em
primeiro lugar, um claro comprometimento com a tradição europeia e
ocidental de conversação pluralista enraizada em Atenas, Roma e
Jerusalém — hoje politicamente representada pelas democracias liberais
do Ocidente e do Mundo Livre, e hoje de novo ameaçada pelo desafio
autoritário.
Em
segundo lugar, um claro comprometimento com a clássica ideia europeia e
ocidental de Universidade, como lugar da busca livre, pluralista e
desinteressada da Verdade, do Bem e do Belo. Desde 1993, temos gosto em
citar sempre as palavras de John Henry (Cardinal) Newman sobre A Ideia
de Universidade (1854):
“Uma
Universidade é um lugar onde o inquérito é desenvolvido, e as
descobertas verificadas e aperfeiçoadas, e a agressividade tomada
inócua, e o erro exposto, pelo confronto de mente com mente e de
conhecimento com conhecimento.”
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Por outras palavras, a Universidade não pode ser refém da autoritária
pós-moderna e monista ortodoxia woke; mas também não pode ficar refém de
autoritárias ortodoxias monistas alegadamente anti-woke.
Simultaneamente, também as democracias liberais não podem ficar reféns
de confrontos tribais entre colectivismos autoritários de sinal
contrário — que desprezam ou/e ignoram as regras gerais de concorrência
tranquila e civilizada, expressas em primeiro lugar por eleições livres e
leais.
Por
outras palavras ainda, confrontar o desafio autoritário significa
também preservar na Universidade e no Mundo Livre o diálogo tranquilo
entre perspectivas diferentes, muitas vezes rivais. ‘Free Speech’ é o
termo clássico que deve ser recordado — e que tem sido uma das
preocupações centrais das 29, em breve 30, edições do Encontro
Internacional de Estudos Políticos/Estoril Political Forum.
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Para concluir, espero na minha próxima crónica neste jornal, daqui a
quinze dias, poder dar conta, ainda que breve, de mais uma série de
animados debates no Hotel Palácio do Estoril — Lugar de Exílio, como
fazemos sempre questão de recordar.

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