O presidente Jair Bolsonaro recuou ontem das ameaças que fez em discursos no 7 de Setembro
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STFPor Lauriberto Pompeu, Felipe Frazão, Marcelo de Moraes e Weslley Galzo
O Estadão apurou
que Bolsonaro telefonou para Moraes para avisar que divulgaria a nota.
Procurado, o ministro disse que não vai comentar. Na avaliação de
ministros do Supremo, o recuo do presidente em relação às ameaças da
véspera se deu por "medo de algo" e vão esperar se a "bandeira branca"
se mantenha. Em conversa com a reportagem, um magistrado disse ter
ficado surpreso com a intervenção de Temer.
Na nota,
Bolsonaro enaltece as qualidades como “jurista e professor”. “Quero
declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do
calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum”,
afirma. “Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem
naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de
Moraes.”
O movimento do presidente coincide com a
retomada das discussões sobre o apoio ao impeachment em partidos de
centro e até de sua base. A Executiva do PSDB decidiu ontem migrar para a
oposição e pela primeira vez iniciar um debate interno sobre
impeachment. O MDB também já fala abertamente na defesa da cassação de
mandato, além de outras siglas, como o PSD, que também discutem o tema.
Hoje, para um pedido avançar na Câmara, é preciso o apoio de uma sigla
de centro, pois, sozinhas, as legendas de oposição não reúnem votos
suficientes para a cassação ser aprovada.
No Judiciário e no
Congresso, a avaliação é de que a "operação 7 de Setembro", em qual
Bolsonaro apostou para demonstrar popularidade e força política, deu
errado. Embora um número expressivo de pessoas tenha ido às ruas em
algumas capitais, os atos foram menores do que o presidente esperava. A
adesão dos policiais militares, preconizada por diversas vezes por
Bolsonaro, não ocorreu, e a paralisação dos caminhoneiros em ao menos 14
Estados foi considerada um "tiro no pé".
Na noite desta
quarta-feira, 8, numa tentativa de evitar desgastes à sua imagem,
Bolsonaro enviou mensagem de áudio pedindo aos caminhoneiros para
interromperem as paralisações, que estão sendo feitas justamente em
apoio ao presidente e contra o STF. Na mensagem, Bolsonaro trata os
caminhoneiros como "aliados" e apela para que os manifestantes
desobstruam as vias porque "atrapalha nossa economia".
Segundo
pessoas que participaram da discussão do texto, Bolsonaro aceitou a
proposta de pacificação de Temer e adotou o tom de uma nota que o
ex-presidente rascunhou em São Paulo, antes de viajar a Brasília. Temer é
um aliado de Alexandre de Moraes, ambos acadêmicos de Direito. Moraes
foi ministro da Justiça no governo Temer e depois indicado pelo
emedebista ao Supremo. Ele goza da intimidade do ex-presidente e foi
responsável, quando secretário de Segurança Pública em São Paulo, por
cuidar de uma investigação que apurava crimes de um hacker que teria
obtido conteúdo íntimo da ex-primeira-dama Marcela Temer e tentava
chantageá-la para não divulgar o material.
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