A variante B.1.617 foi classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma "preocupação global" porque pode ter capacidade de transmissão maior do que a cepa original do vírus.
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Marcelo Camargo/Agência Brasil
Por Mariana Hallal
O Ceará informou na sexta-feira, 21, que monitora um caso suspeito da variante B.1.617 do coronavírus, que surgiu na Índia Anteontem foi confirmado um caso no Maranhão. Com a preocupação crescendo com mais uma variante no País, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta sexta-feira que todas as medidas sanitárias já foram tomadas para isolar a cepa, mas lembrou que o fenômeno biológico não obedece leis exatas e necessita de todo o cuidado.
Em comunicado oficial publicado em sua página na
internet, a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informou que recebeu em
17 de maio notificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa) sobre um caso suspeito da variante indiana em Fortaleza No dia
seguinte, já foi realizada visita técnica ao local de isolamento do
viajante, que desembarcou de avião vindo da Índia no dia 9. Segundo a
Sesa, trata-se de um paciente de 35 anos que fez dois exames RT-PCR nos
dias 10 e 11 e ambos deram positivo para a B.1.617. Uma semana depois,
repetiu o exame e o resultado foi negativo. O colega de empresa que o
acompanhou durante a viagem também fez testes para identificar a
infecção nos dias 10 e 12 e os resultados foram negativos.
A
secretaria informou ainda que todos os viajantes que chegam ao Ceará
oriundos de países com circulação de variantes devem cumprir quarentena
de 14 dias, o que está sendo respeitado pelos viajantes e monitorado
pela pasta. A Fiocruz está fazendo o sequenciamento genômico para
determinar se o homem foi infectado pela variante indiana. A secretaria
acompanha o processo.
Sob controle
O
Maranhão, por sua vez, está monitorando cem pessoas que trabalham no
hospital onde um paciente infectado está internado, procedente do navio
MV Shandong da ZHI. O governo do Estado informou que esses trabalhadores
já haviam sido vacinados, mas continuam a ser periodicamente testados.
Em
uma coletiva de imprensa concedida na manhã desta sexta-feira, o
governador Flávio Dino afirmou que a embarcação está ancorada a 50
quilômetros da costa e ainda não tem permissão para atracar no porto
maranhense. Todos os tripulantes estão isolados em cabines individuais.
Além
do paciente internado, outras 14 pessoas que estão a bordo do navio
foram diagnosticadas com covid-19. A maioria apresenta sintomas leves da
doença ou é assintomática e pelo menos seis delas também foram
infectadas pela variante indiana. Duas pessoas chegaram a receber
atendimento hospitalar, mas apresentaram melhora e retornaram à
embarcação.
Governo federal
O ministro
Queiroga também disse que mantém conversas com secretários estaduais de
Saúde e principalmente com o do Estado do Maranhão, Carlos Lula, e a
contaminação atual se trata de caso isolado. "O importante é dizer que a
vigilância em saúde no Brasil é muito boa. Esse caso foi detectado
prontamente, todas as medidas sanitárias foram tomadas e nós esperamos
que não haja uma propagação dessa variante indiana aqui no Brasil",
disse o ministro a jornalistas, enquanto visitava uma fábrica de insumos
veterinários com potencial para eventualmente produzir vacinas contra a
covid-19 no interior de São Paulo. "Mas é um fenômeno biológico, que
não é matemático. É preciso que tenhamos os cuidados", alertou.
A
variante B.1.617 foi classificada pela Organização Mundial da Saúde
(OMS) como uma "preocupação global" porque pode ter capacidade de
transmissão maior do que a cepa original do vírus. No entanto, a
instituição ressalta que as vacinas protegem contra "todas as
variantes". Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro decidiu
proibir voos internacionais com origem ou passagem pela Índia. A
proibição se soma a restrições da mesma natureza relativas a voos do
Reino Unido e da África do Sul, que também apresentam variantes de
preocupação do novo coronavírus. (Com agências internacionais)
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