MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

quinta-feira, 18 de março de 2021

Se Queiroga não pisar logo no freio, toda a população do país pode ser contaminada

 


Panorama gravíssimo exigirá atuação rápida de Queiroga

Pedro do Coutto

Com base nos números divulgados ontem sobre as novas contaminações pelo Covid-19, o que faz com que o ministro Queiroga se veja obrigado a pisar logo firme no freio, dentro de 900 dias toda a população do país estará contaminada pelo coronavírus. Os números publicados pelo Estado de São Paulo e pelo O Globo revelam uma contaminação de 84 mil pessoas de segunda para terça-feira. Os dados informados pela GloboNews foram de 124 mil contaminações.  

Se O Globo e o Estado de São Paulo estiverem certos, mantido o ritmo das últimas 24 horas, dentro de 900 dias todos nós poderemos estar contaminados. Se os números da GloboNews forem os corretos, o prazo de contaminação, no meu entender, cairá para cerca de 700 dias. De qualquer forma, seja o prazo de dois ou três anos, as estatísticas acentuam um panorama gravíssimo que vai exigir uma atuação rápida e sobretudo eficiente do novo ministro da Saúde.

FALTA DE AUTONOMIA – Para início de conversa, problemas existem, uma vez que o ministro Queiroga disse que seguirá a política colocada em prática pelo general Pazuello. Este é um aspecto. O outro, focalizado por Cláudia Collucci, Folha de São Paulo de quarta-feira, aponta como um dos obstáculos a falta de autonomia concedida pelo presidente Jair Bolsonaro a Queiroga e se ele poderá formar um quadro técnico próprio ou estender a presença da equipe herdada do general Pazuello. Estes pontos, a meu ver, são essenciais. Melhor dizendo, são super essenciais.  

O Globo, matéria de Renata Mariz e Paula Ferreira, chama atenção para a hipótese do novo ministro recorrer à velha mágica de contemporizar e não enfrentar o problema de forma frontal e vigorosa. Ele não pode dar continuidade à gestão de Bolsonaro. Tem, isso sim, que decidir fixar sua própria política, já que ele é um médico consagrado e  o presidente da República se mostrou adepto à cloroquina.

A pandemia e o Datafolha

Pesquisa do Datafolha publicada ontem pela Folha de São Paulo, reportagem de Igor Gielow, assinala que 54% da população rejeitam a posição de Bolsonaro no combate à pandemia. O número subiu entre a penúltima e a última pesquisa. Mas o aspecto fundamental do levantamento do Datafolha, a meu ver, consiste no julgamento que a população brasileira faz da administração pública do país, incluindo as áreas federal, estaduais e municipais.

A rejeição à atuação federal de Bolsonaro é de 54%. Mas a rejeição ao comportamento dos governadores é de 17%. E a atribuição da culpa aos prefeitos é de 9%. Temos, então, 54% para Bolsonaro, 17% para os governadores e 9% para os prefeitos. A rejeição é, portanto, de 80% envolvendo os três níveis da administração pública.

Chama a atenção o fato de ter subido a noção de culpa voltada para Bolsonaro de 42% para 54%. E sua aprovação recuou de 24% para 22%. O desempenho do Ministério da Saúde é altamente reprovado. Agora, em matéria de influência política, o índice de Bolsonaro é praticamente o mesmo: caiu de 31% para 30%.  

Lula e Delfim Netto

Em artigo publicado em seu espaço semanal da Folha de São Paulo, o ex-ministro Delfim Netto referiu-se à possibilidade de uma nova vitória de Lula nas eleições de 2022 para Presidência da República. Delfim Netto disse que tal hipótese deve ser vista com naturalidade, pois em 2002 havia desconfiança quanto ao rumo do presidente, mas a prática não confirmou a desconfiança, e as classes empresariais não correram qualquer risco, nem foram afetadas.Coisas da política. Mas na minha opinião é importante assinalar que provavelmente a opinião de Delfim reflete o posicionamento da Federação das Indústrias de São Paulo.

Carteira assinada

No O Globo, Fernanda Trisotto comenta a abertura em janeiro de 260 mil postos de trabalho com carteira assinada. Ótimo, inclusive porque o aumento das receitas do INSS e do FGTS de acordo com os números da CAGED certamente vai atestar a importância da reação verificada nos postos de trabalho, contribuindo para reduzir o desemprego que está em 14 milhões de pessoas.

Cesta básica sobe 32%

Fernanda Brigatti, Folha de São Paulo, publica reportagem revelando que nos meses de janeiro e fevereiro o preço da cesta básica de alimentos subiu 32%. Isso influenciou na perda de poder aquisitivo das classes de menor renda. E torna difícil, a meu ver, acreditar-se que em fevereiro a inflação foi de apenas 0,8%.

Petrobras: Paulo Guedes alertou Bolsonaro

Em teleconferência ontem com empresários, o ministro Paulo Guedes não deve ter agradado nada ao presidente Bolsonaro, pois disse que o alertou sobre dificuldades relativas à demissão de Roberto Castello Branco da Presidência da empresa estatal.

Disse que a interferência causou reflexos no mercado e também nas ações da Petrobras. Mas as flutuações de preços, ele admite, acentuam que em dois meses e meio a gasolina subiu 54% e o óleo diesel 41%.

Acrescentou que Castello Branco não terá o seu contrato renovado. Mas, uma eventual substituição futura vai depender do desempenho da nova diretoria. O ministro da Economia esqueceu que a Petrobras é vinculada ao ministro Bento Albuquerque, titular de Minas e Energia. 

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