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quinta-feira, 18 de março de 2021

OCDE aponta retrocessos no combate à corrupção e cria grupo especial para monitorar Brasil

 



Acabou a corrupção! - Nando Motta - Brasil 247

Charge do Nando Mota (Arquivo 247)

Deu em O Globo

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) criou um grupo permanente de monitoramento sobre o combate à corrupção no Brasil. A decisão, revelada pela BBC Brasil na última segunda-feira, foi tomada no fim do ano passado diante do que a entidade sediada em Paris viu como um recuo no combate à corrupção no país.

Segundo informações do jornal Valor Econômico, o grupo de monitoramento do combate à corrupção no Brasil é formado por Estados Unidos, Itália e Noruega e teve sua primeira reunião na semana passada, em Paris.

AÇÃO INÉDITA – De acordo com declarações à imprensa do chefe do Grupo de Trabalho sobre Suborno (WGB, em inglês) da OCDE, Drago Kos, é a primeira vez que a organização cria um grupo específico para monitorar um país.

Entre os motivos que levaram o Brasil a entrar no radar da OCDE, estão o fim formal e desgaste da Operação Lava-Jato, que foi incorporada ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Geco), e a lei contra abuso de autoridade, aprovada pelo Congresso em 2019 e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, contra a vontade do então ministro da Justiça Sergio Moro.

Criticada por associações de juízes, procuradores e delegados, a lei prevê punições a servidores públicos dos três Poderes e inclui entre as ações criminalizadas, por exemplo, “abrir investigação sem indícios de crime” e “determinar prisão que não esteja em acordo com situações previstas em lei”.

Desde 2019, o país é alvo de alertas públicos do grupo de trabalho, que chegou a enviar uma missão de alto nível para encontros com autoridades brasileiras.

Em novembro daquele ano, após a visita, a entidade declarou que, apesar de o Brasil ter sido reconhecido por seus significativos esforços no combate à corrupção após sua avaliação anterior, em 2014, “há agora preocupações de que o Brasil, devido às recentes ações tomadas pelos Poderes Legislativo e Judiciário, corra o risco de retroceder nos progressos feitos”.

SONHO IMPOSSÍVEL – A entrada do Brasil na OCDE é uma das principais bandeiras do governo Bolsonaro na política externa. Em nota enviada à BBC, o Itamaraty afirmou “que, desde 2019, nunca houve por parte da OCDE qualquer manifestação oficial ao governo Brasileiro sobre suposto retrocesso do país no combate à Corrupção” e que a criação do grupo de monitoramento não é iniciativa inédita, mas uma “prática” da entidade.

A OCDE, no entanto, reafirmou que é a primeira vez que um grupo de monitoramento de um país é criado. Os alertas públicos do Grupo de Trabalho sobre Suborno sobre o Brasil estão disponíveis em seu portal.

O Itamaraty também afirmou que “o Governo Brasileiro está comprometido com o processo de acessão à OCDE” e que “é o país não-membro mais aderente aos instrumentos da Organização, sendo 99 de 245 instrumentos, um crescimento de 50% nos dois primeiros anos de governo”.


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