É isto o que eu acho que eles têm em mente. É racismo, é fascismo, é sexismo e é uma coisa para a qual não temos nome — como essa mania de castrar e amputar jovens mulheres para aplacar seus problemas mentais. Bruna Frascolla para a Gazeta do Povo:
Há
no vocabulário do esquerdista brasileiro uma série de expressões que
não constam em Marx, muito embora o esquerdista jure de pés juntos ser
um marxista. Uma delas é a do campeão nacional, que anda de mãos dadas
com a imagem do PT moderado. Lula se elegeu com o empresário José de
Alencar como vice, e agora as Carolinas já enxergam Luiza Trajano, do
Magazine Luiza, a nova vice. Ela seria o José de Alencar 2.0 que nos
levaria de volta para o começo do milênio, um Eldorado que poderia
melhorar apenas se introduzíssemos racismo negro e sexismo feminista.
Fica
a pergunta: isso é Marx? Resposta simples e rotunda: Não, não e não.
Nem a aliança com empresários, nem o corte racial ou sexual das relações
econômicas.
Marx acreditava na luta irreconciliável de classes
Marx
viveu na Inglaterra sofrida da Revolução Industrial. Ele viu o
surgimento de um tipo urbano chamado “proletariado”, que é o homem sem
terras que tem apenas a sua força de trabalho para vender. Imaginem
aquelas famílias retirantes de antigamente, cheia de filhos, migrando
para a cidade: era mais ou menos o que Marx tinha diante dos olhos, ao
mesmo tempo que encarava a novidade nunca vista da Revolução Industrial,
que fez com que as cidades, não as zonas rurais, fossem os polos
produtores de riqueza na Europa.
Com
um raciocínio bastante intuitivo, Marx olhou para aquelas famílias
numerosas, com expectativa de vida baixíssima, e achou que haveria cada
sempre montanhas de proletários à disposição dos empresários, de modo
que estes poderiam aumentar cada vez mais sua margem de lucro, e oprimir
cada vez mais o proletariado.
Isso
levaria inexoravelmente a uma Revolução Proletária, em que a classe
proletária, não aguentando mais a opressão, iria finalmente aniquilar a
burguesia (a classe empresarial, os banqueiros, os comerciantes), tomar
os meios de produção (as fábricas) e acabar com a propriedade privada.
Os proletários criariam a Ditadura do Proletariado, que distribuiria a
produção de maneira sábia e equitativa, até que o Estado feneceria, por
ser desnecessário, e a humanidade viveria numa espécie de Éden
industrial, onde os homens podem trabalhar na fábrica de dia e escrever
crítica de arte à noite, porque toda a produção seria partilhada de
maneira fraternal pela humanidade liberta do dinheiro e da ganância.
Antes
de Karl Popper escrever A sociedade aberta e os seus inimigos, esse
desvario messiânico passava por ciência, e era aceito como tal pelas
universidades. O jeitão religioso do marxismo é evidente; e, olhando em
retrospecto para os séculos XIX e XX, não é de admirar que o crescimento
do ateísmo tenha sido acompanhado pelo crescimento de uma religião
disfarçada de ciência.
Religiões
têm seus tabus e pecados. O marxismo cresceu bem nas áreas de cultura
católica, em que lucro e enriquecimento nunca foram lá muito bem vistos.
O pecado marxista chama-se mais-valia, que, no frigir dos ovos, é o
lucro do empresário. Marx não entendia de economia; ele achava que as
coisas tinham valor monetário em si mesmas, em vez de serem determinadas
apenas pela oferta e procura. Assim, se os proletários, somados, não
tinham a mesma riqueza que o patrão, isso queria dizer que o patrão se
apropriara indevidamente do trabalho do proletariado, o que constituía
um roubo e uma injustiça. Essa quantia apropriada é a mais-valia.
Agora
pensem: Luiza Trajano viveu sem mais-valia? O Magazine Luiza é uma ONG
sem fins lucrativos? Ela vai se eleger e socializar o Magazine Luiza?
Trabalhismo racista
Olhando
em retrospecto, é evidente que o marxismo não poderia dar certo nunca.
Por isso, o que não faltou no século XX foi gambiarra: já começa com
Lênin, que resolveu trocar o proletariado, essa entidade amorfa, pelo
Partido Comunista, que passaria a desempenhar o papel de líder da
Revolução. E aí ficamos com essa coisa de ditadura do partido, uma
gambiarra muito bem sucedida, adotada em países mundo afora. Inclusive
na Alemanha Nazista.
Neste
ponto, haverá sempre quem lembre ser o nazismo uma abreviatura do
nacional-socialismo, e que o nome completo era Partido
Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães (NSDAP). Vamos com calma,
porque se a coisa fosse tão simples, a República Popular Democrática da
Coreia, mais conhecida como Coreia do Norte, seria uma república
democrática. O NSDAP existia antes de Hitler, era sediado em Berlim, e
fora como que tomado dos irmãos Strasser.
Quem
gostar de entrar na esparrela de definir esquerda e direita — eu acho
bobagem — encontrará quem diga que o fim do nazismo de esquerda se deu
com a expulsão dos irmãos Strasser, um evento que se confunde com a
Noite das Longas Facas. Nela foi assassinado Ernst Röhm, o número 2 do
nazismo, chefe das SA, um militar gay assumido e líder dos seus
múltiplos amantes viris. Nesse mesmo evento, mataram um dos irmãos
Strasser. Se minha memória não falha, Joachim Fest e Aurel Kolnai falam
de nazismo de esquerda, extinto com a hegemonia hitlerista.
O
nazismo “de esquerda”, o strasserismo, admirava a União Soviética, e
tinha como livro de cabeceira Das Dritte Reich (O Terceiro Império), de
Möller-Bruck. Segundo esta corrente, cada povo (leia-se com conotação
racial, à maneira dos racistas negros que dizem “o povo negro”) poderia
desenvolver um socialismo peculiar. A União Soviética realizara o
socialismo do povo eslavo; cabia ao povo germânico criar o seu
socialismo nacional, daí nacional-socialismo.
Hitler
vinha do Império Austro-Húngaro e pegou esse bonde alemão andando. Na
Áustria, o prefeito de Viena se elegera cheio de promessas antissemitas e
germanistas que eram moeda corrente no mundo de língua alemã. Por que o
racismo tinha peso entre trabalhadores austríacos? Porque o vasto
Império Austro-Húngaro deixava os eslavos pobretões migrarem dos confins
do leste para capital Viena, povoada por germânicos. Isso aumentava a
oferta de trabalho e diminuía o salário ao qual o trabalhador germânico
estava acostumado.
Na
classe média, judeus se sobressaíam em empregos que demandavam
intelecto ou diploma, já que estavam acostumados à vida urbana desde a
Idade Média. Na Áustria, o racismo antissemita e antieslavo era uma
pauta da ordem do dia. Hitler transplantou a pauta antissemita para a
Alemanha com imenso sucesso. Ele manteve o seu desprezo por eslavos
(Stálin que o diga), mas essa causa não tinha apelo para os alemães.
E
para o operário alemão, que havia? Para eles, Hitler bebeu de outra
fonte: era um grande admirador do italiano Mussolini, Duce da Itália,
jornalista e autor de "A Doutrina do Fascismo".
A conciliação de classes
Mussolini
era um jornalista socialista até brigar com o partido e fundar o
próprio movimento, o Fascismo. O nome vem de fascio, feixe, e a ideia é
que um feixe de pauzinhos amarrados é muito mais forte do que um
pauzinho solto. Essa imagem sintetiza o ideal coletivista de Mussolini.
Para
Mussolini, tudo é Estado, de modo que não há indivíduos fora do Estado.
Diz ele: “Os indivíduos são classes segundo a categoria de interesse;
são sindicatos segundo as diferenciadas atividades econômicas
cointeressadas; mas são primeiro, e antes de tudo, Estado.” E este deve
ser um princípio ordenador, que irá ajustar as relações entre
sindicalistas e empresários.
Surge
aí o embasamento teórico do sindicalismo pelego, que não quer brigar
com ninguém, exceto os trabalhadores pés-rapados que aceitam trabalhar
por menos. O sindicalista pelego age do mesmo jeito que o trabalhador
austríaco eleitor do prefeito de Viena: joga as exigências lá para cima,
garante mil prerrogativas e impede o novato de concorrer consigo. Suas
exigências também tornam a mão de obra impagável para o pequeno
empresário.
E
o grande empresário, que ganha? A amizade do governo. Tem acesso a mil
benesses, que vão desde o crédito financiado pelo erário até leis de
reserva de mercado — que podem vir disfarçadas de leis trabalhistas.
A
lei mais óbvia era a da pureza racial: nunca uma empresa com capital
judaico teria esperanças de fechar contratos com o Estado alemão, por
exemplo. E contratos com o Estado costumam ser dos mais rendosos. Com o
nazismo tornaram-se gigantes a Bayer (que inventou o Zyklon-B das
câmaras de gás), a Volkswagen, a Bertelsmann (hoje dona da Penguin e da
Companhia das Letras), a Krupp da Thyssen-Krupp.
O
ideal do Estado fascista é essa concertação de monopólios: uma elite
sindical monopoliza o emprego, um clube de empresários amigos do rei
monopoliza os contratos com o governo, além de ganhar crédito fácil e
conseguir leis para afastar a concorrência.
Fascismo identitário
Aquilo
que começou com os concurseiros entrou no mundo empresarial. Antes,
usar pedigree racial valia para conseguir um emprego público, depois
passou a empresas (a própria Magazine Luiza fez seleção racista).
Qual
seria o próximo passo? Aqui eu tenho uma especulação: assim como a
ecologia pode ser usada para criar monopólio (basta fazer crer que todos
os seus concorrentes cometeram crimes ambientais), também pode o
identitarismo. Criar a obrigatoriedade de treinamentos “antirracistas”
baseados nos livros de Djamila Ribeiro servirá para dar emprego a uns
inúteis e para tirar da concorrência pequenas empresas que não podem
financiar inúteis. Criem-se cotas para negros em empresas, e nenhum
pequeno empresário de Joinville terá paz. Criem-se cotas para
transexuais, e nenhum pequeno empresário no Brasil terá paz. Depois,
criem-se tribunais de raça e de gênero para julgar se as tais cotas
foram cumpridas, e está preparado o terreno para qualquer rico poder
comprar qualquer burocrata para tirar qualquer concorrente.
É
isto o que eu acho que eles têm em mente. É racismo, é fascismo, é
sexismo e é uma coisa para a qual não temos nome — como essa mania de
castrar e amputar jovens mulheres para aplacar seus problemas mentais.
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