Foto: Felipe Rau/Estadão
Grupo de hackers havia invadido os celulares de Sergio Moro, Deltan Dallagnol
Preso em Araraquara, interior de São Paulo na Operação
Spoofing, deflagrada nesta terça-feira, 23, Walter Delgatti Neto, o
‘Vermelho’, confessou à Polícia Federal que hackeou o ministro Sérgio
Moro (Justiça e Segurança Pública), o procurador Deltan Dallagnol
(coordenador da Operação Lava Jato no Paraná) e de centenas de
procuradores, juízes e delegados federais, além de jornalistas.
‘Vermelho’ acumula processos por estelionato, falsificação de documentos
e furto. Em seu Twitter, Sérgio Moro postou nesta quarta, 24, que
‘pessoas com antecedentes criminais’ são a ‘fonte de confiança daqueles
que divulgaram as supostas mensagens obtidas por crime’. O ministro não
citou nomes em sua mensagem. Ao apontar para ‘pessoas com antecedentes
criminais’, o ministro se refere ao grupo aprisionado pela PF na
Operação Spoofing. Desde junho, Moro é alvo divulgação de diálogos a ele
atribuídos com o procurador Deltan Dallagnol, pelo site The Intercept. O
site afirmou que recebeu de fonte anônima o material, mas não revelou a
origem. Moro nega conluio – ele e Dallagnol afirmam não reconhecer a
autenticidade das conversas. Nesta quarta, 24, os diretores do site The
Intercept, Leandro Demori e Glenn Greenwald, comentaram, também no
Twitter. “Está cada vez mais claro: Moro virou político em busca de um
foro privilegiado pra poder falar impunemente em público as coisas que
dizia antes em chats secretos”, disse Demori. “Nunca falamos sobre a
fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são
nossa fonte fica por sua conta. Não surpreende vindo de quem não
respeita o sistema acusatório e se acha acima do bem e do mal. Em um
país sério, o investigado seria você”, afirmou o jornalista, em resposta
à declaração de Moro, na rede social. Já Greenwald afirmou que Sérgio
Moro está ‘sendo Sérgio Moro – está tentando cinicamente explorar essas
prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material
jornalístico’. “Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande
para que isso funcione para qualquer pessoa”, disse. Além de ‘Vermelho’,
a PF prendeu o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suellen Priscila
de Oliveira e também Danilo Cristiano Marques. A Federal investiga
supostos patrocinadores do grupo. Ao decretar a prisão temporária de
quatro investigados, o juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10.º Vara
Federal de Brasília, apontou para a incompatibilidade entre as
movimentações financeiras e a renda mensal do casal em dois períodos de
dois meses – abril a junho de 2018 e março a maio de 2019 – movimentou
R$ 627 mil com renda mensal de R$ 5.058. Além de Moro, procuradores da
força-tarefa da Lava Jato no Paraná e outras autoridades teriam sido
alvo de hackers – no mandado de buscas, há menção ao desembargador
federal Abel Gomes, do Tribunal Regional Federal da 2.ª Região, no Rio,
ao juiz Flávio Lucas, da 18.ª Vara Federal do Rio e aos delegados da PF
Rafael Fernandes, em São Paulo, e Flávio Vieitez Reis, em Campinas. A PF
informou também nesta terça que vai investigar a suspeita de invasão
nos aparelhos celulares do ministro da Economia, Paulo Guedes, e da
deputada Joice Hasselmann (PSL-SP). Desde 9 de junho, o site The
Intercept Brasil divulga supostas mensagens trocadas pelo então juiz
federal titular da Lava Jato em Curitiba com integrantes do Ministério
Público Federal, principalmente com Dallagnol. Foram divulgadas pelo The
Intercept e outros veículos conversas atribuídas ao ex-juiz e a
procuradores no aplicativo Telegram. O site afirmou que recebeu de fonte
anônima o material, mas não revelou a origem. Moro nega conluio – ele e
Dallagnol afirmam não reconhecer a autenticidade das conversas. O
ministro da Justiça já afirmou que a invasão virtual foi realizada por
um grupo criminoso organizado. Para ele, o objetivo seria invalidar
condenações por corrupção e lavagem de dinheiro, interromper
investigações em andamento ou “simplesmente atacar instituições”. Em 19
de junho, Moro passou oito horas e meia respondendo a questionamentos de
senadores na Comissão de Constituição e Justiça da Casa sobre supostas
mensagens que sugerem atuação conjunta com os procuradores quando ele
era juiz.
Estadão Conteúdo
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