Foto: Hélvio Romero/Estadão
Polícia Federal
A Operação Spoofing, que prendeu quatro suspeitos de hackearem o
aplicativo Telegram dos celulares do ministro da Justiça Sérgio Moro,
de delegados da Polícia Federal e de juízes, se aproveitaram de uma
‘vulnerabilidade da rede de telecomunicações comum a toda as
operadoras’. A investigação identificou ‘5.616 ligações em que o número
de origem era igual ao número de destino’. De acordo com a PF, o
Telegram envia a seus usuários um código para que o serviço possa ser
acessado pelo computador. A chave de acesso pode ser recebida via
ligação telefônica. Para conseguir acessar o código dos usuários, os
hackers clonaram os números das vítimas. Segundo a investigação, a
edição de números telefônicos pode ser feita por meio de serviços de voz
sobre IP – chamado VOIP – ou por aplicativos que permitem a modificação
do número chamador. “O invasor então realiza diversas ligações para o
número alvo, a fim de que a linha fique ocupada, e a ligação contendo o
código de ativação do serviço Telegram Web é direcionada para a caixa
postal da vítima”, relata a Spoofing. A Polícia Federal afirma que, no
caso do ministro Sérgio Moro, foi usada a tecnologia VOIP – ‘que permite
a realização de ligações via computadores, telefones convencionais ou
celulares de qualquer lugar do mundo’. De acordo com a operação, o
serviço foi prestado pela microempresa BRVOZ. “O cliente/usuário da
BRVOZ utilizando a função ‘identificador de chamadas’ pode realizar
ligações telefônicas simulando o número de qualquer terminal telefônico
como origem das chamadas”, relata a investigação. “Apurou-se que os
clientes BRVOZ e realizaram 5616 ligações em que o número de origem era
igual ao número de destino”. Além de Moro, foram vítimas dos hackers o
desembargador Abel Gomes (TRF2ª Região) e o juiz Flávio Lucas (18º Vara
Federal do Rio de Janeiro), e os delegados de Polícia Federal Rafael
Fernandes, de São Paulo, e Flávio Veitez Reis, de Campinas. A PF prendeu
Walter Delgatti Neto, o casal Gustavo Henrique Elias Santos e Suellen
Priscila de Oliveira e também Danilo Cristiano Marques. A Federal
investiga supostos patrocinadores do grupo. Ao decretar a prisão
temporária de quatro investigados, o juiz Vallisney de Souza Oliveira,
da 10.º Vara Federal de Brasília, apontou para a incompatibilidade entre
as movimentações financeiras e a renda mensal do casal em dois períodos
de dois meses – abril a junho de 2018 e março a maio de 2019 –
movimentou R$ 627 mil com renda mensal de R$ 5.058. Leia mais no Estadão.
Estadão Conteúdo
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