Garantindo que uma das qualidades do filho para ser embaixador nos EUA é
ter fritado muito hambúrguer, Bolsonaro mostra que Narciso acha feio o
que não é espelho. Coluna de Carlos Brickmann:
A reforma da Previdência marcha triunfalmente, e se não é a aquela
com que o Governo sonhou está dela muito próxima. A reforma tributária,
que tem tudo para dar um impulso na economia, segue para o Congresso até
o fim do mês. A inflação está abaixo de 4% ao ano, ótimo resultado; a
safra foi ótima, a balança comercial tem saldo, o capital estrangeiro
vai voltando, há bons projetos de infraestrutura a ser tocados pela
iniciativa privada. E Bolsonaro, comemora? Não: prefere desviar o foco
das atenções para a escolha de seu filho 03, Eduardo, para a Embaixada
em Washington, uma ideia no mínimo controvertida – e com o risco de ser
rejeitada no Senado.
Aparentemente, Bolsonaro se irrita quando falam em Governo, e não
nele ou em sua família. A cada vez que tem uma vitória, muda o foco da
discussão para algo em que os Bolsonaros se tornem o centro das
atenções, seja demitindo antigos aliados de política, seja trazendo ao
debate assuntos como a defesa do trabalho infantil. Prefere ser malhado a
ficar fora do foco, mesmo que seja prejudicado por isso – pois afinal,
se o Governo der certo, quem terá louvores não serão ministros ou
parlamentares, mas o presidente Bolsonaro.
Mas, garantindo que uma das qualidades do filho para ser embaixador
nos EUA é ter fritado muito hambúrguer, proclamando que quem manda é
ele, dando ênfase a brigas internas, propondo mudanças ruins para seu
Governo no projeto da Previdência, mostra que Narciso acha feio o que
não é espelho.
A luta por espaço
Que é que ganha espaço nos meios de comunicação: a inflação em
recorde de baixa ou as divergências entre Carluxo, o 02, e o vice
Hamilton Mourão? Não há dúvida: como dizia um notável político, Adlai
Stevenson, derrotado duas vezes por Eisenhower em eleições presidenciais
americanas, o editor é quem separa o joio do trigo, e publica o joio.
Apoio ao presidente – e agora?
Após a aprovação da reforma da Previdência na votação de primeiro
turno da Câmara (e as excelentes probabilidades de que o Congresso se
decida a aprová-la o mais rápido possível) a aprovação a Bolsonaro deu
um salto no mercado financeiro. De 14% em maio, subiu para 55% em julho,
de acordo com pesquisa da XP Investimentos. Só foram ouvidos
investidores institucionais, gente de mercado. É o melhor índice de
Bolsonaro no mercado desde fevereiro. A expectativa de um bom Governo
também cresceu muito, de 24% para 55%. É a segunda melhor posição de
Bolsonaro desde o início de seu Governo. A melhor é ainda a de abril,
60%.
Com esses dados positivos, qual será o factoide a ser criado por
Bolsonaro para desviar as atenções dos bons resultados? Talvez – e essa é
a expectativa de mercado – uma piora de relações com o Congresso e,
especialmente, com o deputado Rodrigo Maia, presidente da Câmara, que
articulou a aprovação da reforma da Previdência e conseguiu mais votos
do que eram previstos nas mais otimistas previsões.
Onde já se viu admitir que um político que não faz parte da aliança
bolsonarista (e, pior, possível candidato à Presidência) possa receber
parte dos méritos pela aprovação de uma tese do Governo? Pode ser.
Muito bom
Hoje devemos receber uma boa notícia: um acordo no Mercosul para
acabar com o roaming, o truque das operadoras telefônicas para cobrar
mais caro pelos telefonemas de quem viaja pelo Exterior. Ao menos dentro
dos países do grupo oroaming deixará de ser cobrado.
Muito ruim
Grandes operadoras de planos de saúde colaboram num projeto de lei
para aumentar ainda mais a mensalidade de seus clientes Em princípio,
serão 90 artigos destinados a facilitar o aumento de preços por faixa de
idade, derrubar os prazos máximos de espera por exames e tratamentos e
tirar ao máximo os poderes da Agência Nacional de Saúde, que consideram
pouco favorável a eles. O projeto será oferecido ao Governo. Mas, se o
Governo não topar, não faltará algum parlamentar amigo pronto a esfolar
os clientes das operadoras.
Debate bravo
O ministro da Economia, Paulo Guedes, acaba de enviar ao presidente
Bolsonaro uma proposta de emenda constitucional que acaba com a
inscrição obrigatória na OAB. Na justificativa, diz que hoje há risco de
burocratização pela criação de procedimentos e rotinas que só atendem
às corporações. Medida semelhante atinge ainda outros conselhos
profissionais. No caso da OAB, a medida é controvertida e não será
aceita sem resistência da categoria. Entre outras coisas, se a inscrição
na Ordem não for obrigatória, como fica o Exame de Ordem? Qualquer
bacharel que se formar em Direito poderá automaticamente ser advogado? E
a quem recorrer contra maus advogados?
A hora do adeus
Fernanda Richa, esposa do ex-governador paranaense Beto Richa, deixou
o PSDB. É provável que o marido siga seu exemplo, evitando ser expulso.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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