MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

domingo, 25 de setembro de 2016

Comunicação do governo com a sociedade depende de fatos concretos


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Charge do Sid, reprodução do Arquivo Google
Pedro do Coutto
O jornalista Eduardo Oinegue – reportagem de Marina Dias, Folha de São Paulo de sexta-feira – entregou ao presidente Michel Temer a proposta de um plano de comunicação do governo destinado à opinião pública brasileira. Seria um novo plano? Não. Seria o primeiro a ser colocado à mesa do Palácio do Planalto, pois até agora na realidade não existe plano algum.
Eduardo Oinegue, experiente profissional da imprensa, projetou uma unidade de pronunciamentos a ser observada pelos ministros, a fim de evitar as vacilações que têm ocorrido, marcadas por avanços e recuos, além de incluírem opiniões conflitantes.
Perfeito. Mas acima de tudo um sistema eficiente de comunicação exige a precedência de fatos concretos de interesse da população, remetidos às redações de forma jornalística, o que equivale a dizer de forma clara e substantiva. Sem fatos, qualquer comunicação torna-se frágil.
SEM PROPAGANDA – E não adianta recorrer à publicidade, pois esta só funciona na esfera comercial. Não no universo político, econômico e social. A publicidade encanta pela fantasia que coloca no mercado de consumo. Propõe financiamentos sem juros, o que é impossível na inflação, destaca a qualidade dos produtos à toda prova, em prazos sedutoramente eternizantes, e por aí vai.
Na onda dos juros zero, não se revela estarem as verdadeiras taxas embutida previamente nos preços. Há até uma empresa que patrocina o JN da Globo, horário de grande audiência, e acena com empréstimos até para inadimplentes, titulares de créditos negativados.
A comunicação jornalística é, para início de conversa, gratuita e representa um teorema. Teorema é o que tem de ser comprovado na prática. Nesta altura, peço opinião de especialistas em matemática, como é o caso de Flávio José Bortolotto e Wagner Pires. E se a informação política é um teorema em sua essência, ela requer fatos concretos, por parte do governo, para transportá-los ao endereço da opinião pública. E, neste ponto, começamos a medir as reações que a comunicação desperta no povo.
EXEMPLO DE JK – O presidente Juscelino Kubitschek, sem recorrer a marqueteiros de plantão, e de forma absolutamente jornalística, alcançou a melhor comunicação brasileira de todos os tempos. Criou, como definiu o deputado Paulo Pinheiro Chagas, a filosofia do desenvolvimento, tornando-se – acrescentou, recorrendo à poesia – um contemporâneo do futuro.
Por isso, com base nesse exemplo de JK, sugiro a Eduardo Oinegue que se inspire no processo de informação jornalística de 31 de janeiro de 56 a 31 de janeiro de 61. E não tente minimizar a oposição.
A oposição, outro princípio de JK, é indispensável a todos os governos democráticos. Nenhum presidente pode se limitar a ouvir somente seus aliados. Eles os conduzem à ilha da fantasia, elogios em cima de elogios.
É indispensável ouvir os contrários para estabelecer o princípio tese, antítese e síntese. Além de tudo, é a oposiçao que alerta para os erros inevitáveis do poder e, no fundo, estimula o desafio de governar para o povo brasileiro, sem distinção de classes sociais e além das fronteiras partidárias.
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