Gustavo Ferreira de Menezes tem paralisia cerebral.
‘A felicidade dele é a minha, por isso quero conseguir esse dinheiro’, diz.
Gustavo passa a maior do dia deitado em um colchão (Foto: Tácita Muniz/G1)“Ele está precisando da cadeira, mas não temos como arcar com o preço. Fizemos o orçamento e fica entre R$ 3.500 a R$ 4 mil, então pensamos em algo que pudéssemos oferecer para as pessoas e não simplesmente pedir. Daí surgiu a ideia da rifa de uma cesta de chocolate, que é algo que todo mundo gosta”, explica Jéssica.
A mãe de Gustavo, Ivaneide Ferreira Matos, de 40 anos, é manicure, mas hoje se dedica única e exclusivamente para o filho. “Ele é muito acostumado com braço, temos que levá-lo para todo lugar no colo. A cadeira sob medida é feita especialmente para ele, pegam peso, altura, posição do pescoço. Na cadeira comum, ele se machuca demais”, destaca.
Apesar da doença, o garoto consegue se comunicar com alguns gestos. Soltar beijo é o sinal de que ele concorda com algo. “Quando ele quer dizer sim, ele solta beijo”, conta a irmã. Entretanto, quando algo não agrada o menino, ele responde negativamente com a língua para fora.
Gustavo desenvolveu a paralisia aos seis meses de vida (Foto: Jéssica Ingrede/ Arquivo pessoal )“Ele passa grande parte do dia deitado, porque quando saímos não aguentamos ficar com ele no braço o tempo todo. Ele pesa muito. E é fato que ele precisa sair, passear e se divertir como qualquer criança. Ele entende tudo que a gente fala, então um passeio em uma praça, que para nós é tão comum, para ele, que nunca sai de casa, tem outro sabor”, destaca.
O sonho de Jéssica, parece simples e comum para qualquer um que escuta, mas que se torna impossível para Gustavo, que depende de apoio para um simples passeio. O garoto nunca foi ao shopping de Rio Branco. E quando o assunto é esse passeio em especial, ele se agita ainda mais.
“A felicidade dele é a minha, por isso quero tanto conquistar o dinheiro necessário para comprar essa cadeira. Quero levá-lo para passear e ir ao shopping, que ele tanto quer conhecer. Não quero limitá-lo, ele tem que desbravar o mundo”, diz emocionada.
Gustavo faz tratamento no Dom Bosco. Tem acompanhamento com fonoaudiólogo, faz fisioterapia, estimulação precoce e terapia ocupacional por três vezes na semana. Ele teve o acompanhamento médico desde 7 meses, quando a família começou a perceber as sequelas da encefalite. Além disso, tem acompanhamento de médicos de São Paulo (SP) que visitam o paciente de três em três meses.
Jéssica passou um mês afastada da faculdadepara cuidar do irmão
(Foto: Jéssica Ingrede/ Arquivo pessoal)
No ano passado, entre outubro e novembro, Gustavo teve que ficar internado no Hospital da Criança devido a uma pneumonia que se agravou. Foram quase dois meses no hospital, quando ele chegou a pesar 15 quilos. A luta de Gustavo pela vida foi publicada no Facebook de Jéssica, que se afastou dos estudos durante um mês para se dedicar à recuperação do irmão.
“Foram dias terríveis e pesados. Acho que foi a única vez que não vi meu irmão sorrir. Você pode imaginar a dor de ver alguém que você ama entre a vida e a morte? Minha mãe ficou muito abalada, então eu tive que segurar a peteca. As enfermeiras me falavam que se despediam como se não fossem vê-lo no dia seguinte, mas eu sempre acreditei que meu irmão sairia vivo dali”, conta.
O sorteio das rifas será realizado no dia 12 de outubro, Dia Das Crianças. A divulgação das vendas é fortalecida por meio das redes sociais. Cada rifa custa R$ 3, na compra de duas, o preço baixa para R$ 2,50 cada. O ganhador leva uma cesta de chocolate Cacau Show no valor de R$ 200. Os interessados em ajudar podem procurar Jéssica, através dos telefones (068) 9964-2393 ou (068) 9232-4814.
Entenda a paralisia cerebral
O neurologista Leonardo Diel explica que a paralisia cerebral vem em decorrência, geralmente, de uma meningite na fase infantil, mais recorrente entre os 4 a 6 meses de vida. Logo após, a criança passa a apresentar um quadro de não desenvolvimento mental. "As paralisias, se você for se aprofundar e buscar na história, sempre têm um histórico de meningite ou também pode ser ligada a genética, ainda não se definiu muito isso entre os especialistas. Sempre se desenvolve entre 4 a 6 meses de vida e a criança para de emitir sons, de tentar se comunicar e acaba tendo um retardo mental", explica.
O tratamento para esse tipo de paralisia, segundo o especialista, é feito com fisioterapia e também com anticonvulsivo, mas que são muitos caros e não são disponibilizados em redes públicas. "Esses remédios são caríssimos, servem de apoio, mas o ideal é que se faça fisioterapia porque as musculaturas são bem duras e precisam ficar relaxadas", destaca.
A cadeira que Jéssica quer dar para o irmão, segundo o médico, é feita com base nas medidas do paciente e possui um apoio acolchoado para a cabeça. Além disso, evita que o cadeirante se machuque devido aos frequentes espasmos. "É uma cadeira toda diferenciada, pode até fixar na perna da pessoa para que seja transportada, além de possuir um freio manual. É comum esse pedido de cadeira".
Gustavo sorridente mostra a rifa vendida pela irmã (Foto: Tácita Muniz/G1)
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