Não pensem que o casamento dos socialistas do PSB com os sonháticos de
Marina Silva é apenas por conveniência. Que é momentâneo. Não é. É por
uma profunda concordância com a "democracia participativa" que eles
estão unidos, cada um com as suas interpretações sobre a fórmula de
governar "com o povo". O objetivo de ambos é "governar com as ruas",
mobilizando movimentos sociais para pressionar o Congresso, acabando com
a "democracia representativa".
Não sou cientista político, mas também não sou burro. Esta linha
ideológica de Marina Silva ficou muito clara quando ela liderou centenas
de ONGs e mais um coletivo de artistas para peitar o Congresso Nacional
e a Presidência da República com a campanha "Veta Dilma", durante as
discussões do Código Florestal. O Parlamento era constantemente invadido
por manifestantes, com Marina Silva na liderança, tentando impedir que
as discussões e votações tivessem o curso normal. E como isso era feito?
Utilizando dados mentirosos sobre desmatamento, utilizando pesquisas de
opinião pública manipuladas, utilizando a palavra de uma "academia"
aparelhada. E, principalmente, transformando jovens estudantes em massa
de manobra, como se fossem uma seita ambientalista.
As fotos acima ilustram um pouco do que foi a primeira tentativa de
Marina Silva para confrontar a democracia e tentar levar no grito e na
força o veto ao Código Florestal.
Hoje o jornal Valor Econômico publica uma entrevista com o presidente do
PSB, Roberto Amaral, onde ele é muito claro a respeito do modelo de
governo que será implantado, caso a comoção continue, caso impere o
culto fundamentalista à candidata Marina Silva. Destacamos algumas
frases:
Tem que haver composição e diálogo com o Congresso, mas em função de
uma linha programática... Estou convencido de que isso é possível.
Você viu o resultado das manifestações de rua. Fez com que o Congresso
aprovasse leis que estava segurando havia quatro anos.
Só vejo uma forma: nós não pararmos a campanha em outubro. Mantermos a
sociedade mobilizada, sendo ouvida, sendo chamada, reavivarmos as
entidades de classe, discutirmos tudo claramente. A democracia
participativa está na Constituição.
Marina Silva, em todas as suas aparições na Imprensa, por outro lado,
messiânica, passou a dividir os políticos entre os bons e os maus. Diz
que vai governar com os bons. E até mesmo citou José Serra, para
diferenciá-lo do tucano Geraldo Alckmin, que ela não apoia.
Teremos, com a hipótese de Marina Silva, não mais a luta de classes
adotada pelo PT como base para governar, exacerbando o conflito entre
pobres e ricos. Teremos o fundamentalismo religioso dividindo o país
entre os bons e os maus, como se estivéssemos em pleno Juízo Final. Para
isso, os bons serão os jovens, os ambientalistas e os movimentos
sociais. Os maus serão, em primeiro lugar, os políticos, seguidos dos
produtores rurais e por aí vai.
Este fundamentalismo messiânico já está presente nas declarações do presidente do PSB, Roberto Amaral. O jornal pergunta a ele: Se o PSB não for para o segundo turno, apoia quem? Fica na oposição? Ele responde, convicto: Estou convencido de que ganho no primeiro ou irei para o segundo turno. Antes disso, informa que não fará acordos espúrios com o PMDB, que ele cita textualmente. Que Marina governará "com as franjas do PT e do PSDB". Além,
é lógico, de atravessar a Praça dos Três Poderes, juntar 20.000 jovens e
cercar o Congresso Nacional. Não é o que ela sempre fez? Com ela, sem
dúvida alguma, a democracia representativa estará com os dias contados.
Sem maioria e sem acordos, só mesmo um Occupy Brasília. Impossível?
Vejam o que ela declarou em outubro de 2013, em artigo na Folha de São
Paulo:
Quando o movimento Occupy Wall Street mostrou-se resistente
a ponto de espalhar-se como estratégia pelo mundo inteiro, o iceberg de
uma grande mudança revelou sua pontinha. Os jovens ativistas autorais
são as novas antenas da raça humana.
BLOG DO CORONEL





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