MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

segunda-feira, 4 de abril de 2022

Mãe presa por negligenciar cuidados dos filhos na Austrália pode estar em sofrimento psíquico

 


Uma notícia chocante figura nas mídias recentemente e descortina a rotina familiar de uma mãe e seus filhos pequenos na Austrália, dando conta de a mesma foi presa e acusada de negligência após constatação de que as crianças vivem em meio à uma casa “imunda” e completamente desorganizada.

Roupas e objetos espalhados, restos de comidas em estado de decomposição, mofo pelos móveis e objetos compõem o cenário intenso de desorganização e falta de higiene encontradas na residência.

Entretanto, é de extrema relevância se considerar em que condições se encontra a saúde e integridade mental desta genitora frente a estas constatações, antes de simplesmente serem despejadas acusações e julgamentos.

Conviver inserido em um cenário de insustentável falta de higiene e zelo, sem sombra de dúvidas é, no mínimo, inaceitável. Principalmente quando neste citado ambiente existem incapazes que não possuem de fato condições de fazer valer seus direitos gerais e especiais, criados só para eles, visando o melhor para sua formação, educação, lazer, saúde e segurança.

Porém, antes de dizer: “mais essa mãe é muito porca e desleixada”, “Está acostumada a viver na sujeira”, “não está nem um pouco preocupada com essas crianças e com a limpeza da casa”, enfim... Cabe aqui buscar entender quais as circunstâncias levaram a este retrato residencial.

Em qual condição de sanidade mental se encontra essa mulher? O que a leva, ou o que a faz se sentir “confortável” convivendo com os filhos em um ambiente tomado por lixo e desordem?

É claro que, não se pode negar ou minimizar o fato de que ao se deparar com uma notícia como essa, envolvendo crianças, a comoção acaba sendo inevitável. O primeiro impacto é se chocar e, a grande maioria das pessoas acaba fazendo juízo de valor: o caminho mais curto e fácil dentro de uma sociedade que vive o urgente, o imediato e mais fácil.

No entanto, é preciso propagar a cultura do “não julgamento” imediatista. Antes de apontar dedos e rotular a mãe, suas atitudes e atividades, devemos buscar entender o que ocorre de fato neste contexto. Investigar o que está por trás de toda narrativa, visto que, tanto a psicologia quanto a psicanálise, concordam que ambientes externos de convívio bagunçados ou desorganizados podem denunciar a evidência de um desequilíbrio emocional.

Ou seja, o desajuste mental da “casa material” demonstra a potencialização do sofrimento psíquico da “casa do eu interior”. Neste caso em específico, ainda existe a exposição dessa mãe e de seus filhos à graves infecções no corpo, afetando a saúde física e biológica.

Portanto, essa pluralização da mania de se acusar e julgar, tão expressivos em nossa sociedade atual, acaba por impedir o ser humano de enxergar o sofrimento do outro. Impede a racionalidade e empatia. Negligencia a capacidade humana de acolher, tratar e cuidar, antes de atirar pedras.

Neste contexto, é bem possível que essa mãe possa estar padecendo de algum tipo de transtorno psicológico que venha a justificar uma saúde mental debilitada a ponto de colocar em risco sua família e a si mesma. Uma falha inconsciente que deve ser investigada por profissionais de saúde mental para atestar ou não, a boa capacidade psicológica desta.

Afinal, o ambiente em que vivemos, considerando sua estrutura e organização, é reflexo do ambiente subjetivo e interno de cada indivíduo.

Dra. Andréa Ladislau

Psicanalista

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