Surgem novas evidências de que o novo coronavírus pode mesmo ter sido criado em laboratório. Cientistas e países ocidentais cobram uma investigação transparente. Dagomir Marquezi para a revista Oeste:
O
que aconteceria se um novo vírus mortal paralisasse o mundo a partir de
um incidente ocorrido no Brasil? O que fariam a Organização Mundial da
Saúde e os países mais poderosos do mundo se autoridades brasileiras
deixassem que o vírus se espalhasse antes de avisar a comunidade global?
Em quantos dias teria início uma ampla investigação internacional no
nosso território? Qual o tamanho da indenização que seria cobrada do
governo brasileiro pelo estrago na economia mundial?
Bem,
o Brasil não é a China. “A covid-19 explodiu em parte porque o Partido
Comunista Chinês foi omisso sobre a saúde em outros países e escondeu a
pandemia durante seus meses iniciais ao mentir para organizações
internacionais de saúde pública”, escreveu o senador republicano Ben
Sasse no Wall Street Journal. “O PCC explorou o sofrimento do mundo em
desenvolvimento para fazer avançar seus interesses. Do seu jeito
mafioso, Pequim fez com que a distribuição de suas vacinas estivesse
vinculada ao rompimento de relações diplomáticas com Taiwan ou à adoção
da Huawei — a gigantesca agência de tecnologia e espionagem chinesa —
para fornecer serviço de 5G. E está cobrando preços astronômicos por um
lixo de vacina.”
Entre
24 e 29 de janeiro de 2020 (segundo o próprio governo chinês), o regime
comunista importou uma quantidade massiva de equipamentos de proteção
pessoal, incluindo 2 bilhões de máscaras. Só no dia 30 a OMS declarou a
emergência médica global, já anunciando que a China não tinha culpa
nenhuma. No início de junho de 2020, o ministro de Relações Exteriores
da China, Zhao Lijian, afirmou que as notícias de adiamento do anúncio
da doença eram “completamente mentirosas”.
Ao
que tudo indica, enquanto o resto do mundo era devastado pela covid-19,
a China se protegia com o equipamento que comprou de outros países
antes de dar o alerta. Ou a gente não teria números como estes, hoje.
Como
a China, o país mais populoso, onde aparentemente o vírus mais letal
dos últimos tempos surgiu e se espalhou antes de ser identificado, está
em 99º lugar entre os países mais infectados (90.908 casos), atrás até
da Faixa de Gaza?
Perguntas
pedem respostas. E o regime do Partido Comunista Chinês resistiu e
continua resistindo a dar qualquer satisfação ao mundo sobre seus atos.
Depois de muita insistência, o presidente Xi Jinping permitiu, em
janeiro deste ano, a entrada de cientistas ligados à Organização Mundial
da Saúde para uma investigação sobre as origens da pandemia.
A
comissão, representando uma organização já submissa a Pequim, enviou 17
cientistas internacionais, estritamente vigiados por igual número de
cientistas chineses. Tiveram apenas 14 dias para uma investigação que
demandaria meses se fosse séria. O veredicto foi que o vírus havia
surgido espontaneamente, como um fruto da natureza. Segundo esse
princípio, doenças catastróficas como a covid-19 podem pipocar a
qualquer momento em qualquer lugar onde exista vida selvagem.
Aparentemente
a pandemia do silêncio começa a ceder. No dia 14 deste mês, um grupo de
18 cientistas (de Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Suíça) publicou
uma carta aberta na revista Science com um título simples e direto:
“Investiguem as origens da covid-19”. Os signatários dizem que “mais
investigações são necessárias para determinar a origem da pandemia; as
teorias de liberação acidental do vírus de um laboratório ou o
transbordamento zoonótico permanecem viáveis”.
O
grupo dos 18 revelou um detalhe pouco divulgado da investigação inicial
realizada pela OMS: “Informações, dados e amostras para a primeira fase
de estudos foram coletados e sumarizados pela metade chinesa da equipe;
o resto do time tirou suas conclusões a partir dessa análise. Apenas
quatro das 313 páginas do relatório e seus anexos se referem à
possibilidade de um acidente de laboratório”.
Os
18 cientistas, ligados a instituições como o MIT (Massachusetts
Institute of Technology) e às universidades de Chicago, Toronto,
Basileia e Stanford, não têm receio de dizer o óbvio: “Uma clareza maior
sobre as origens desta pandemia é necessária e possível de ser obtida.
Devemos desenvolver seriamente hipóteses sobre ambas as possibilidades, o
surgimento natural e o vazamento de um laboratório, até que tenhamos
dados suficientes. Uma investigação apropriada deveria ser transparente,
objetiva, orientada por dados, incluir outros experts, ser sujeita a
supervisão independente e gerenciada responsavelmente de forma a
minimizar os impactos de conflitos de interesse. Agências de saúde
pública e laboratórios precisam abrir seus registros ao público”.
Em
março, outro grupo de cientistas já havia divulgado uma carta aberta
pedindo uma “investigação legal completa e sem restrições das origens da
covid-19”. Essa carta foi além da simples declaração de princípios e
listou um manual detalhado de procedimentos técnicos para qualquer
investigação do tipo. “Se falharmos em examinar completamente e com
coragem as origens desta pandemia, nós nos arriscamos a estar
despreparados para uma pandemia potencialmente mais grave no futuro”,
completou a carta, que pede à comunidade internacional uma investigação
séria e definitiva. Entre os signatários, estão cientistas de França,
Austrália, Espanha, Nova Zelândia, EUA, Bélgica, Reino Unido, Áustria e
Alemanha.
Os
pedidos de mais esclarecimentos não se limitam à comunidade científica.
Em 30 de março, governos de 14 países declararam num comunicado
conjunto: “Juntos, apoiamos uma análise e uma avaliação transparentes e
independentes, livres de interferência e influência indevidas.
Expressamos nossas preocupações comuns em relação ao recente estudo
convocado pela OMS na China, ao mesmo tempo em que reforçamos a
importância de trabalharmos juntos para o desenvolvimento e o uso de um
estudo rápido, eficaz, transparente, com base científica e processo
independente de avaliação internacional de tais surtos de origem
desconhecida no futuro”. Os países signatários, todos democráticos, são:
Austrália, Canadá, República Checa, Dinamarca, Estônia, Israel, Japão,
Letônia, Lituânia, Noruega, Coreia do Sul, Eslovênia, Reino Unido e
Estados Unidos. “Com todos os dados em mãos”, afirma o documento, “a
comunidade internacional deve acessar as origens da covid-19 de forma
independente, aprender as valiosas lições dessa pandemia e prevenir as
devastadoras consequências dos surtos de doenças.”
A
pressão por respostas está aumentando. O governo da Austrália é o mais
firme na insistência por uma investigação independente, o que azedou a
relação entre os dois países. A jornalista Sharri Markson, do canal Sky
News australiano, divulgou em 9 de maio uma matéria explosiva sobre um
livro escrito por um cientista ligado ao comando das Forças Armadas
chinesas, Xu Dezhong, propondo o uso militar do coronavírus — cinco anos
antes da atual pandemia. O livro menciona uma “nova era de armas
genéticas” por meio da manipulação de vírus, transformados em armas e
lançados “de maneira como nunca aconteceu antes”.
A
matéria mostra também uma publicação assinada pelo mesmo Xu Dezhong
falando abertamente no emprego de coronavírus como arma. Aponta
inclusive que elas não devem ser usadas nos períodos mais quentes do
dia, o que mataria os vírus antes que entrassem em ação. Vai além,
sugerindo que um ataque em larga escala provocaria um colapso no sistema
de saúde dos países atingidos, com baixas adicionais. E comenta outra
“vantagem”: “Ataques com armas biológicas podem causar doenças
psicológicas e mentais agudas e crônicas, como reações de estresse
agudo”. Xu Dezhong continua dando aulas para a elite dos militares
chineses.
Por
citar o livro de Xu Dezhong como um segredo só agora revelado, o texto
de Sharri Markson foi classificado de distorcido por “agências
checadoras”. E o título está à venda na Amazon, e esgotado. O fato de o
livro ser vendido abertamente torna a situação ainda mais preocupante. O
uso de coronavírus como arma parece estar sendo discutido sem maiores
restrições nos círculos militares chineses.
Por
enquanto ninguém leva a sério a teoria do Sars-CoV-2 como arma militar.
Mesmo a matéria de Sharri Markson deixa claro que a atual pandemia
provavelmente surgiu por acidente. O que nos remete ao texto do autor
britânico Nicholas Wade, que escreveu sobre ciências para o New York
Times por 30 anos, e já citado aqui na Revista Oeste.
Numa
atualização de seu artigo (com o título “Origem da Covid — Seguindo as
Pistas”) em 2 de maio, Wade reafirma que não é só o governo da China que
teme a conclusão de que o novo coronavírus seja resultado de um
vazamento de laboratório. O que está em jogo é toda uma visão da
ciência, toda uma cadeia internacional de laboratórios que “brincam de
Deus”, criando vírus ainda mais perigosos para o homem do que os que já
existem na natureza.
É
a pesquisa conhecida como “ganho de função”, ou GOF. Doenças em
potencial são criadas para que possam ser combatidas. Nessa linha de
ação, o vírus da “gripe espanhola” de 1918 foi recriado em laboratório.
Até o vírus da terrível poliomielite, que estava extinto, voltou a
existir. Tudo em nome da “ciência”, essa deusa vaga tão adorada
ultimamente. Uma descoberta de vazamento em Wuhan poria em xeque toda
essa forma irresponsável de “fazer ciência”. Segundo Antonio Regalado,
editor da MIT Technology Review, a descoberta poderia “sacudir o
edifício científico de alto a baixo”.
Wade
coloca em dúvida outra crença do mundo científico. Segundo ele, a
manipulação genética era feita realmente de maneira primitiva como “um
cortar e colar” de genomas que deixavam marcas evidentes. Não mais. Um
novo método, apelidado de seamless (ou “sem costura”), não deixa nenhuma
pista de manipulação.
A
diretora Shi Zheng-li estava trabalhando no laboratório que dirige, em
Wuhan, em vírus chamados de “quimeras”, pois uniam dois vírus naturais
para criar um terceiro, artificial. Seguia os estudos e orientações do
dr. Ralph S. Baric, pesquisador de coronavírus da Universidade da
Carolina do Norte. Nos EUA, a dra. Shi pesquisava em laboratórios de
nível de biossegurança 4 (de contenção máxima). Em Wuhan, o nível de
biossegurança dos laboratórios era 2 e 3.
Ela
teria conseguido criar artificialmente o novo coronavírus como uma
“quimera” no seu instituto? Por alguma razão, o vírus teria escapado
acidentalmente para o resto do mundo? Não teremos respostas enquanto o
governo chinês não permitir uma investigação honesta e completa.
Ditaduras
vivem nas sombras, e tornam-se suspeitas mesmo quando não cometem os
crimes de que são acusadas. O próprio diretor-geral da OMS, Tedros
Adhanom, marxista conhecido pela posição amistosa com o regime chinês,
declarou abertamente que a possibilidade de o vírus ter escapado de um
laboratório não foi avaliada o suficiente. E defendeu recentemente a
formação de “mais missões [à China] envolvendo especialistas”, que ele
estaria pronto a lançar.
Enfim,
a parte mais livre do mundo começa a sair do torpor e exigir respostas.
E o Brasil? Aqui, já temos o veredicto: a covid-19 foi criada pelo
presidente Jair Bolsonaro para “matar pretos e pobres”. Qualquer crítica
ao governo da China é considerada crime de lesa-pátria. O Partido
Comunista Chinês conta até com o apoio da CPI de Renan Calheiros, que já
tem suas musas da submissão: as senadoras Mara Gabrilli (“Eu sinto uma
gratidão gigantesca à China”) e Kátia Abreu (“Qualquer um que tiver
vacina eu sou capaz de deitar no chão e deixar que pise em cima de
mim”).
A
pandemia da covid-19 era para ser uma questão sanitária a resolver por
critérios técnicos. Mas se transformou numa encruzilhada política.
Estamos vivendo um daqueles momentos históricos em que cada cidadão é
levado a escolher entre a obediência cega a uma tirania ou à luta pela
liberdade.
“Nestes
tempos especialmente problemáticos, defenda a liberdade”, aconselhou
Gordon G. Chang, jornalista e escritor especializado em assuntos
chineses. “Nós podemos não ter outra chance.”
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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