Todos os governadores eleitos do Rio nos últimos 20 anos foram
presos. Dois ex-governadores de São Paulo foram delatados. Ninguém se
salva? Coluna dominical do jornalista Carlos Brickmann:
A Rádio Bandeirantes, potência maior do rádio paulista, montou uma
rede nacional de emissoras afiliadas, que retransmitiam sua excelente
programação de esportes. Era a Cadeia Verde-Amarela Norte-Sul do Brasil.
Com a TV nos estádios, permitindo que rádios menores transmitissem o
jogo a partir das imagens, dissolveu-se a Cadeia Verde-Amarela.
Mas o mundo gira. Hoje, a Cadeia Verde-Amarela Norte-Sul do Brasil
está de volta, com autoridades sendo presas em todo o país. O esporte é o
mesmo de antes: atuar em estádios, receber boladas, montar boas jogadas
e sempre seguir a máxima de um grande técnico, Gentil Cardoso: “Quem
pede recebe”. Alguns deram o azar de fazer o que não deviam na hora em
que o juiz estava olhando, e a torcida, irritada, exigiu o cartão.
Resultado: todos os governadores eleitos do Rio nos últimos 20 anos
foram presos. Um, Sérgio Cabral, está condenado a mais de cem anos. Os
dois Garotinhos, Anthony e Rosinha, passaram pela cadeia, mas foram logo
soltos. E Pezão foi o primeiro dos quatro a ser preso ainda no
exercício do mandato. Perto de Cabral, Pezão é argent de pôche, dinheiro
de pinga: falam em mesada de R$ 150 mil, mais 13º, eventualmente algo a
mais, mas nada que se compare, ao menos por enquanto, ao anel de R$ 800
mil que Cabral recebeu como propina de um empreiteiro para dar à
esposa.
Dois ex-governadores de São Paulo foram delatados. Ninguém se salva?
A hora das vaias
Atenção: o que se discute no Supremo é uma questão constitucional,
não partidária, se o presidente da República tem ou não o direito de
conceder indulto a presos que se enquadrem em certas normas. Este
colunista, do alto de sua ignorância em Direito, acha que, seguidas as
normas legais (sem mexer no que está escrito), indultar é direito do
presidente. Siga-se a lei.
Se o STF mexer nas normas, interferirá em outro poder. Indulto não é
jabuticaba, existe mundo afora. Quando o presidente Nixon renunciou, seu
vice Gerald Ford o perdoou, livrando-o de processos. Sem promessa de
perdão, renunciaria? Ou lutaria na Justiça, tumultuando a vida do país?
É sério, mas não é
O Governo paulista destinou no Orçamento à Linha 18 do Metrô um total
de R$ 40,00 (sim, quarena reais). A Linha 18 terá 15 km de trilhos, com
13 estações, e deve ligar as sete cidades do Grande ABC, uma das
regiões mais importantes do Estado, à capital. Aliás, já deveria estar
em funcionamento, porque a inauguração era prevista para 2018, A obra
está parada há quatro anos – mas, com R$ 40 para gastar no ano, como
andar?
Esta verba só tem uma vantagem: não sobra espaço para nada errado.
Erramos 1
Esta coluna se equivocou ao noticiar a empresa na qual Marconi
Perillo, ex-governador de Goiás, está trabalhando em São Paulo: a firma é
a CSN, do empresário Benjamin Steinbruch. Perillo se mudou para São
Paulo depois de ser derrotado na eleição para senador.
Erramos 2
Nos anos mais duros da ditadura militar, o Painel da Folha de S Paulo
chamou o ministro Júlio de Sá Bierrenbach, do Superior Tribunal
Militar, de “almirante de esquerda”. Erro, claro: Bierrenbach era
almirante de esquadra, a mais alta patente da Marinha. Houve a
reclamação, a habitual chuva de protestos, e no dia seguinte o Painel
publicou algo como “houve um erro na referência à patente” do almirante
Bierrenbach. “O correto é almirante de esquerda”. Não é que esta coluna
cometeu o mesmo tipo de erro? Ao publicar esclarecimentos sobre vida e
obra do ex-ministro Roberto Campos, errou o nome de quem gentilmente nos
corrigiu. O nome correto do professor e diplomata é Paulo Roberto de
Almeida.
Nosso herói
Mickey Mouse completa 90 anos: em 1928, estreou no desenho animado
Steamboat Willie, em que trabalha num navio e tem como inimigo João
Bafodeonça. Mickey fez sucesso no cinema, nos quadrinhos, na área de
entretenimento – os parques da Disney o têm, ao lado de Pateta, como o
grande chamariz de turistas. Mickey e seus companheiros de Disney são
também grandes exemplos internacionais.
No Brasil, por exemplo, velhos ratos estão sempre próximos do poder.
Nem dão bola para os Patetas e, graças ao jeitinho brasileiro, ficaram
muito amigos de João Bafodeonça e dos Irmãos Metralha, hoje seus
companheiros em tantas aventuras. Essas mudanças no perfil dos
personagens lhes fizeram bem: nossos ratos, mesmo não sendo atrações
turísticas, ganham muito mais que o Mickey.
Aberje
O arresto e penhora de bens da Aberje, Associação Brasileira de
Comunicação Empresarial, foram suspensos: a Aberje está pagando a dívida
trabalhista que havia motivado o processo. Tudo em ordem.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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