Postado em 11/06/2018 9:08 DIGA BAHIA!
Lançado
na semana passada com o apoio do ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso, o movimento suprapartidário que busca viabilizar uma
candidatura comprometida com as reformas estruturais avalia que Marina
Silva (Rede) pode se consolidar como uma alternativa do chamado “centro
democrático” na disputa presidencial. Líderes políticos que integram o
grupo acreditam que as conversas devem se concentrar em três nomes: a
ex-ministra do Meio Ambiente, o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin e
Alvaro Dias, pré-candidato do Podemos.A preocupação é criar uma
terceira via para enfrentar eventual polarização entre o deputado Jair
Bolsonaro (PSL-RJ) e um candidato que represente uma coalizão de
esquerda. Parte dos signatários do manifesto Por um Polo Democrático e
Reformista, lançado na semana passada, incentivou a entrada de um
outsider na corrida presidencial, no caso, o apresentador Luciano Huck,
que declinou do convite feito pelo PPS. Nesse aspecto, a avaliação é
que, além do desempenho nas pesquisas de intenção de voto, Marina ainda é
um nome menos contaminado pelo desgaste com os partidos e a política
tradicional. Na pesquisa Datafolha divulgada ontem, a ex-ministra se
mantém em segundo lugar, com até 15% das intenções de voto, nos cenários
sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, preso e condenado
na Operação Lava Jato. Bolsonaro lidera com 19% das preferências na
ausência de Lula. Alckmin, que tenta unir o “centro” em torno do seu
nome, alcança 7% das intenções de voto, em situação de empate técnico
com o ex-ministro Ciro Gomes. O pré-candidato do PDT oscilou entre 10% e
11%. Já Alvaro Dias aparece com 4%. “Marina é uma candidata desse
campo. O nome dela deve ser levado em consideração. Achamos no PPS que
Alckmin é o melhor candidato, mas não podemos ir para a conversa impondo
o nome dele. Temos de admitir que pode não ser”, disse ao jornal O
Estado de S. Paulo o presidente nacional do PPS, Roberto Freire. Segundo
Freire, em conversa recente, a mesma avaliação foi feita por Fernando
Henrique. Ao jornal O Globo, FHC disse que “não convém” fechar portas
para a ex-ministra. O grupo ainda acredita que Alckmin terá fôlego de
“maratonista” e vai crescer quando a campanha começar de fato. O nome de
Marina, porém, é visto como alternativa, especialmente em face à crise
interna que afeta a pré-campanha tucana. Estacionado nas pesquisas de
intenção, o ex-governador enfrenta a desconfiança de aliados e até de
setores do próprio PSDB sobre suas chances e está sendo pressionado a
adotar uma estratégia mais agressiva. A articulação do grupo ligado a
FHC irritou o entorno de Alckmin. A leitura é que o movimento criou um
clima ruim e “espantou” os dois principais alvos do partido nesse
momento: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e Alvaro Dias.
Os tucanos marcaram um jantar com Maia na semana que vem para recompor a
relação. “O objetivo é estarmos todos juntos no primeiro turno, mas com
Geraldo na cabeça da chapa”, disse o deputado Nilson Leitão (MT), líder
do PSDB na Câmara. Fernando Henrique se reuniu recentemente com a
senadora Rose de Freitas (Podemos-ES) em São Paulo para falar sobre a
necessidade de união do centro já no primeiro turno e demonstrou
preocupação com a fragmentação desse campo político em muitas
candidaturas. Em conversas com aliados, o pré-candidato do Podemos tem
dito que acredita em um afunilamento no primeiro turno para dois
candidatos do centro: um liderado pelo PSDB e outro à margem dessa
composição. “É difícil saber agora qual é o nome mais adequado para
liderar essa convergência. É muito cedo para identificarmos. O ambiente
está muito confuso”, afirmou Dias. Na Rede, há resistências a uma
aproximação com o PSDB – Marina já apontou falta de “identidade
programática” entre as siglas – e partidos do centro. Interlocutores
avaliam que, do ponto de vista pragmático, uma aliança seria positiva,
mas veem dificuldade em conciliar temas da economia e do meio ambiente.
“Em hipótese alguma, Marina abriria mão de ser candidata e,
dificilmente, abriria mão da independência da polarização entre PT e
PSDB”, disse o coordenador da Rede, Bazileu Margarido. O “plano A “da
pré-candidata é reavivar as alianças de 2014, principalmente o PSB, que
tem 26 deputados na Câmara e também é cortejado pelo PT e o PDT (mais
informações na pág. A6). O receio de uma polarização entre Bolsonaro e
um candidato da esquerda e a percepção de que nenhum candidato mais
identificado com as reformas estruturais tem chance de vitória ajudou a
estressar o mercado na semana passada. Na quinta-feira, o dólar
registrou uma disparada e chegou R$ 3,91, enquanto a Bolsa caiu 2.93%.
Procurados, Marina e FHC não se pronunciaram.Bahia Notícias
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