Secretário participa de reunião em Brasília para discutir medidas imediatas.
Erro em estatística possibilitou o aumento de importações da África.
Cacau produzido em Ilhéus é considerado de altaqualidade (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Nesta sexta-feira (8), o secretário da Agricultura da Bahia (Seagri), Eduardo Salles, participa de uma reunião com o Ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro, e representantes de outros estados, para discutir a situação da cacauicultura no país.
Ao G1, o secretário disse que, entre os pontos que serão levados para a discussão, estão as regras de importação do produto no Brasil, a criação do Preço Mínimo para o cacau e a transferência da gestão da estatística da safra do produto para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
O produtor de cacau Durval Libânio, que também é presidente do Instituto Cabruca, em Ilhéus, participou da manifestação na terça-feira e considera que a importação de grandes quantidades de cacau para o Brasil tem prejudicado os produtores locais. "A primeira questão que nos afeta hoje é a importação [do cacau]. A produção no Brasil, 2011-2012, deve chegar a 240 toneladas, satisfazendo a necessidade interna, que é de 225 toneladas", disse.
Produtores de cacau queimaram 20 sacas deamêndoas de cacau em manifestação no sul da
Bahia. (Foto: Reprodução Globo Rural)
Segundo o secretário da Agricultura da Bahia, uma falha na estatística de safra do cacau do último ano contribuiu para que as importações do produto aumentassem. "Todos os anos a safra brasileira não é suficiente para o processamento. Temos hoje três grandes indústrias e outras pequenas indústrias que são processadoras de cacau. Todos os anos eles precisam importar cacau para suprir a capacidade deles, mas, em 2012, a previsão de safra indicava uma safra menor do que a que houve. As empresas processadoras fizeram contas de quanto importariam em função da estimativa de safra. Como a safra foi maior que a estimativa, eles importaram, fizeram contratos para importar mais do o que realmente seria necessário, em função de uma estimativa de safra errada", afirmou Eduardo Salles.
De acordo com o secretário, o erro na estatística de safra não se deve a nada em específico. Ele explicou que um dos pontos de discussão na reunião com o ministro da Agricultura, em Brasília, é que a Conab assuma a realização da estimativa de safra anual do cacau, como, segundo Salles, já faz com outros produtos, a exemplo dos grãos e do café.
Segundo o secretário Eduardo Salles, a Bahia não passa por uma crise no setor de produção de cacau. No entanto, ele reconhece que há uma defasagem nos preços do produto. "De forma alguma [há crise], estamos em ascensão. Tanto que a safra passada foi maior do que o esperado. O que está em depressão são os preços. Vamos brigar pelo Preço Mínimo (PGPM), do Ministério da Agricultura, para que o cacauicultor consiga, pelo menos, pagar as contas. Do cacau, o que se utiliza é amêndoa, pode até tirar a polpa, mas é igual ao café, não pode comer a fruta", disse, explicando que as reclamações dos produtores estão ligadas à importação da amêndoa.
Eduardo Salles afirmou que as reclamações dos produtores de cacau não envolvem apenas a comercialização da amêndoa do cacau. "São os derivados do cacau, produtos elaborados do cacau, como a manteiga de cacau, por exemplo, que entram no país com uma taxa de importação muito baixa. Podemos trabalhar para garantir a sustentabilidade da indústria do cacau e, consequentemente, dos produtores baianos, aumentando essa taxa. Na reunião com o ministro, vamos colocar todos esses pontos na mesa para discutir", informou.
Salles também comentou sobre a manifestação ocorrida na terça-feira, no porto de Ilhéus. "Eu considero que essa manifestação dos agricultores é legítima, democrática, pacífica. O mercado mundial é aberto e não permite que um país possa proibir importações de qualquer produto. Minha opinião é que podemos fazer com eles [importadores] o que eles fazem conosco, com a carne brasileira, que é uma inspeção sanitária rigorosa. Nosso cacau é de mais alta qualidade. Temos ganhado nos últimos anos os prêmios mundiais de qualidade com produtores de Ilhéus, das amêndoas do cacau em Ilhéus', afirmou.
Cacau cabruca preserva a Mata Atlântica.(Foto: Instituto Cabruca/ Divulgação)
O secretário Eduardo Salles destacou a importância do cultivo do cacau cabruca no sul do estado. Segundo ele, os sistema utilizado para a cultura do cacau cabruca é um dos fatores que contribuem para a preservação da Mata Atlântica na região. Para ele, por esse motivo, o cacau cabruca merece ser comercializado a um preço diferenciado do cultivado no sistema de pastagem. "Vamos lutar também para que o cacau cabruca consiga um preço diferenciado por preservar a Mata Atlântica e fazer o manejo sustentável da mata. Ele é cultivado dentro da mata. Cabruca significa broca, é brocado dentro da mata, faz buraco e planta lá. Para fazer esse cultivo se usa o sistema agroflorestal", concluiu.
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