Coluna de Alexandre Garcia, publicada na Gazeta nesta quinta-feira:
O senador Cid Gomes, irmão de Ciro Gomes, fez uma maluquice. Ele
entrou em uma retroescavadeira e invadiu um quartel da PM, cujos
policiais estavam amotinados querendo aumento.
É inadmissível policial militar estar amotinado, todos têm que ir
para a cadeia. Porque isso contraria o básico. Ser policial militar
significa que não existe a possibilidade de greve, o que estão fazendo é
motim.
Cid Gomes acabou levando um tiro no peito. Pegou meio de lado, no
ombro, mas imagina se pega no coração. Inicialmente achavam que era bala
de borracha, mas não era. O senador precisou passar por cirurgia. Ele
foi impulsivo e os PMs estavam errados.
Carnaval e reforma tributária
Davi Alcolumbre e Rodrigo Maia fizeram um bom trabalho. Os dois se
juntaram e acertaram que é preciso criar uma comissão mista para estudar
o projeto da reforma tributária. A gente está esperando essa reforma
para desburocratizar o pagamento de imposto.
Provavelmente vai sair o IVA (Imposto sobre Valor Agregado), que é
uma unificação de impostos. A reforma é de interesse de estados e
municípios também porque cada representante quer algo diferente.
A comissão vai ter 25 deputados e 25 senadores, ou seja, serão 50
pessoas. Mas eles só irão se reunir depois do carnaval. Eita país feliz.
Suponho que o povo que gosta disso, suponho. Eu gostaria que fizessem
um levantamento para mostrar qual o percentual do povo brasileiro que
realmente gosta do carnaval.
A queixa de Heleno
Ficou registrada uma conversa do ministro Augusto Heleno com os
ministros Paulo Guedes e general Ramos durante a solenidade de
hasteamento da bandeira nacional, pela manhã, na frente do Palácio da
Alvorada.
Na conversa, Heleno falou “não se pode aceitar esses caras
chantagearem a gente o tempo todo”. Depois o ministro lamentou o
vazamento – parece que foi a Presidência da República que vazou enquanto
filmavam o episódio. Eu ainda preciso entender como essa conversa
vazou.
O ministro Heleno explicou que falava sobre a insaciável sede de
fatias do orçamento que reduz o poder do Executivo e acrescentou: “se
desejam parlamentarismo que mudem a Constituição”.
Rodrigo Maia, presidente da Câmara, disse que Heleno é um “radical
ideológico” contra a democracia. E o Alcolumbre também disse que não
pode aceitar ofensas do Executivo.
Heleno não disse exatamente a quem ele se referia, mas o portal de
notícias O Antagonista divulgou que Alcolumbre e Maia estão por trás de
uma liberação de última hora de R$ 3,8 bilhões.
Além disso, os presidentes estariam com a maior parte da verba do
Ministério do Desenvolvimento Regional de interesse deles. Os dois
ficaram bravos com a informação, então, talvez seja isso.
A verdade é que a Constituição de 1988 tornou o país ingovernável.
Foi o que disse José Sarney a mim em uma entrevista que realizei
enquanto ainda estava na Globo, logo após a promulgação da carta. Sarney
sempre foi um homem do Congresso Nacional.
Se a gente olhar a Constituição, queriam tornar o país
parlamentarista, mas fizeram uma emenda presidencialista e ficou assim. O
presidente, que tem a responsabilidade pelo governo, não tem os poderes
para governar. Quem tem os poderes para governar é o Congresso, que não
tem a responsabilidade de governo.
Sendo assim, os presidentes que vieram depois de Sarney, para
sobreviverem, entraram nisso que se chama de presidencialismo de
coalizão, cedendo estatais e ministérios para partidos políticos.
A Petrobras, o Banco do Brasil, os Correios, a Caixa Econômica
Federal, os ministérios do Desenvolvimento Regional, da Previdência, do
Trabalho e dos Transportes. Cederam esses órgãos para partidos
políticos, meio que de porteiro fechada. Os partidos faziam o que
queriam. E pegavam dinheiro, dividiam o botim, como a Operação Lava Jato
revelou.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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