Os Estados Unidos (EUA) apresentaram ao Conselho de Segurança
da Organização das Nações Unidas (ONU) projeto de resolução sobre a
Venezuela, em que pedem que o país sul-americano facilite o acesso de
ajuda humanitária internacional e realize novas eleições presidenciais.
Em resposta, a Rússia propôs outra resolução. Na sexta-feira (8), Moscou
propôs aos membros do conselho um “texto alternativo” ao apresentado
por Washington, segundo diplomatas. A proposta russa expressaria
preocupação com “tentativas de intervenção em questões que estão
essencialmente sob jurisdição doméstica” e “ameaças de uso da força
contra a integridade territorial e a independência política” da
Venezuela. O projeto apresentado pelos EUA, ao qual agências de notícias
tiveram acesso nesse sábado (9), expressa “pleno apoio” do Conselho de
Segurança à Assembleia Nacional Venezuelana, controlada pela oposição,
definindo-a como a “única instituição democraticamente eleita no país”.
Manifestando “profunda preocupação com a violência e o uso excessivo da
força por parte das forças de segurança venezuelanas contra
manifestantes pacíficos não armados”, o texto pede também um processo
político que conduza a eleições presidenciais “livres, justas e
credíveis”. O projeto ressalta a necessidade de evitar uma “deterioração
adicional da situação humanitária” na Venezuela, assolada por grave
crise econômica e política, e de facilitar a entrega de ajuda aos que
necessitam. Washington ainda não indicou uma data para que o texto seja
votado. Fontes diplomáticas afirmam que a Rússia – que apoia o
presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e acusa os EUA de apoiarem um
golpe de Estado no país – utilizará seu direito de veto para barrar a
resolução. Para ser aprovada, uma resolução do Conselho de Segurança da
ONU precisa de nove votos entre seus 15 membros e não pode ser vetada
por nenhum dos cinco integrantes permanentes do grupo: Estados Unidos,
Reino Unido, França, Rússia e China. Moscou e Washington estão em lados
opostos na atual disputa pelo poder na Venezuela. Enquanto os EUA
declaram apoio ao presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, que se
autoproclamou presidente interino em 23 de janeiro, a Rússia segue
apoiando Maduro. Além dos EUA, mais de 40 países já declararam apoio ao
oposicionista Guaidó, entre eles Brasil, Alemanha e uma série de outras
nações sul-americanas. Maduro ainda conta com o apoio não apenas de
Moscou, mas também das Forças Armadas venezuelanas e da China, entre
outros aliados.
Agência Brasil
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