Os que tiverem os neurônios funcionando regularmente ,com
certeza já perceberam que alguma coisa
de muito errado está acontecendo com a chamada democracia em todo o mundo, mais
fortemente no Brasil, onde todos os seus vícios concorreram para consolidar talvez
a pior delas. E isso não seria nenhuma
novidade ,visto o Brasil já liderar diversos outros “rankings” mundiais em
“conquistas” negativas. Sempre é o primeiro ou um dos primeiros em tudo que é
ruim para um povo.
Para que se chegue a essa conclusão , será de imensa utilidade
algumas considerações sobre a história da
democracia. Nessa “viagem”se verá que a propalada democracia com que os contumazes delinquentes da política enchem
a boca para justificar suas ascensões ao podernão é,nunca foi,e jamais será uma
verdadeira democracia. Essa pretensa democracia
da qual “eles” tanto se gabam e elogiam é a democracia deturpada,degenerada,corrompida.
Deixa de ser democracia, portanto. Não
faz mais jus a esse título.
Aristóteles ( 385 a.C-323 a.C) classificava as formas de governo em duas
espécies: as PURAS e as IMPURAS. As primeiras (as puras) seriam a MONARQUIA
(governo de um só),a ARISTOCRACIA (governo dos melhores) e a DEMOCRACIA
(governo do povo). Já as segundas (as impuras),se resumiriam na TIRANIA,na
OLIGARQUIA e na DEMAGOGIA,as quais significariampara o filósofo,
respectivamente, a corrupção de cada
uma das formas puras de governo. Assim,
a monarquia seria corrompida pela tirania ; a aristocracia pela oligarquia; e finalmente a democracia
pela demagogia.
Todavia Aristóteles somente abriu caminho para outros pensadores do futuro desenvolverem mais essa classificação. E foi
com Políbio,quase dois séculos após, (203 a.C-120 a.C),grande historiador e geógrafo da Grécia Antiga,que ela deu mais
um gigantesco salto. Políbio manteve a
classificação aristotélica,ressalvada a forma impura antes chamada de DEMAGOGIA,substituindo-a
por OCLOCRACIA. Apesar de ambas se referirem à degeneração da democracia,sem
dúvida a de Políbio foi mais completa . A OCLOCRACIA estaria incluindo a
demagogia,que são aqueles artifícios empregados pelos políticos safados somente
para agradar e conquistar voto. Mas além da demagogia,a oclocracia incluiria
outros vícios da democracia,especialmente as baixas virtudes dos eleitos e do
seu respectivo eleitorado, “atraindo-se” reciprocamente. Portanto,mediante esse
pequeno reparo,a classificação do
historiador grego ficaria mais completa. Políbio viveu bom tempo em Roma. Com
base nos estudos queali fez sobre a
estrutura política de Roma,e em virtude da própria experiência ,Políbioconcluiu
que o melhor sistema de governo seria uma COMBINAÇÃO entre as três formas puras
de governo (monarquia,aristocracia e
democracia).
No que consistiria a OCLOCRACIA preconizada por Políbio? Resumidamente pode ser dito que a
oclocracia seria uma democracia meramente formal,desprovida de qualquer
substância,mesmo sem essência,praticando-a a massa carente de consciência
política,ignorante,despolitizada,alienada das causas da sua própria desgraça.
Essa massa seria presa fácil para os trapaceiros da política com boa capacidade
de convencimento. A “política” praticada nesse sistema corrompido sempre é
acionada mais pela língua e pelos ouvidos do que pelo cérebro. O pior é que não
foi somente a política que foi contaminada por essa deturpação da inteligência.
Muitas religiões seguem o mesmo ritmo. Todos se aproveitam da boa-fé
,ingenuidade e ignorância do povo.
Também se deve à
Aristóteles (Tratado de Política) a assertiva segundo a qual “não importa a
forma de governo,o importante é a virtude no seu exercício”. Outra sentença importante do pensador: “São os
costumes democráticos que fazem a democracia ,e os costumes oligárquicos que
fazem a oligarquia. Quanto melhores os costumes, melhor também é o governo”. A
bem da verdade, parece que os antigos entendiam bemmais de política do que os “modernos”.
Sem dúvida a eleição de Donald Trump para a presidência dos
Estados Unidos conflita radicalmente com a democracia degenerada (oclocracia)
que se pratica no mundo moderno,e que também era praticada por lá. A surpresa está em que o rompimento com a oclocracia tenha se dado
exatamente no país que serve como “norte” da democracia (?) para o mundo ,mas que até a eleição de Trump
escolhia os seus presidentes como se fossem artigos de consumo muito desejados na sociedade
capitalista ,produzidos com muita competência pelos marqueteiros. Donald Trump
é exatamente o oposto do padrão de consumo exigido nas oclocracias. Todas as acusações que os “democratas” do
mundo inteiro estão lançando sobre ele após a sua vitória são procedentes. Mas aí é que reside o seu
mérito democrático. Nos Estados Unidos
não lhe deram nem uma semana para governar e já começaram os “tiroteios” sobre
ele. Mas o que é certo é que esse “titoteio” parte justamente daqueles que
contaminaram a democracia americana com tanta estupidez que a
transformaram emoclocracia,a exemplo de
tantas outras partes do mundo também impregnadas desses vícios.
Trump,sem dúvida, não é simpático. Nem é bom de discurso .Não diz só
o que os eleitores gostam ou querem ouvir. Não é o tradicional “bonitão”.
Não costuma dar “tapinhas nos ombros”
dos eleitores”. Não ri tão “solto”como
aquele a quem sucedeu. E por aí vai. Bem
a contragosto da oclocracia,Trump diz o que realmente pensa,faz o que deve ser feito
e tem coragem para denunciar o que acha que
o seu país e o mundo têm hoje de errado. Gostem ou não. Nesse ponto não poupa nem mesmo a “sagrada”
Organização das Nações Unidas-ONU,impregnada de elementos com todos os vícios
(procedentes) que ele aponta, e hoje a
maior responsável pela tragédia vivida por alguns países especialmente da Europa frente à invasão muçulmana,feita
exatamente à luz da “democracia”,das “liberdades” e dos “direitos humanos”
estúpidos defendidos nessa organização. Nesse ponto a ONU consagra a desordem e
mesma a “bagunça” que anda pelo mundo, retirando dos diversos povos o sagrado
direito de definir o que mais lhes convém, particularmente na política de
migrações externas.
É claro que os Estados Unidos não deverão nem poderão prejudicar os direitos dos outros países, mas
Trump tem razão em priorizar os direitos
do povo americano frente aos outros. Isso
ele deixou claro no seu discurso de posse. Todos deveriam fazer o mesmo. Nenhuma
anormalidade existe nessa atitude. Em suma, essa postura é uma obrigação que
ele tem frente a seu povo.
Fruto da política externa dos Estados Unidos, banhada de
muita demagogia e irresponsabilidade com o povo americano,ao lado de muito assistencialismo exacerbado demagógico, andou sendo distribuído pelo mundo,às custas do seu povo, muitas benesses
indevidas.A eventual alegação de que por muito tempo os Estados Unidos
“exploraram” outros países com seus negócios (o “famigerado”imperialismo),não
teria grande fundamento porque esse tipo
de procedimento se faz normalmente até entre as próprias empresas e mesmo
pessoas naturais dentro de um mesmo país. A “competição” é praticada hoje em todo o mundo. As pessoas competem, os
países competem. Bondades,altruísmo e filantropias
“internacionais” demasiadas ,além das
possibilidades, sempre levam empresas e países à inevitável falência. Trump viu essa realidade e com ela
não concordou. Essa política não só deixava de beneficiar o povo americano,
como o estava prejudicando seriamente. O destino dos Estados Unidos seria a
inevitável falência, jogando fora tudo o que aquela sociedade nacional
construiu durante séculos de muito trabalho ,esforço e competência.Seria justo prosseguir essa distorção na política
externa americana,prejudicando a interna ?
Oxalá o grito de independência dado pelo povo americano em
relação à oclocracia que o dominava até
20 de janeiro de 2017,e ainda domina outras partes do mundo, surta algum efeito
no sentido de incentivar outros gritos de independência. No Brasil a
oclocracia é muito mais intensa que nos Estados Unidos. Aqui são levados a
legislar e a governar justamente a pior escória da sociedade. E a sociedade
brasileira somente se livrará dessa
corja a partir do momento em que também sepultar a sua própria oclocracia.
Sérgio Alves de Oliveira
Advogado e sociólogo
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