O prêmio será entregue no dia 26 de fevereiro, um domingo
por
Estadão Conteúdo
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
A Academia de Hollywood anunciou nesta
terça-feira, 24, os indicados ao Oscar 2017. "La La Land" cumpriu as
expectativas e recebeu 14 indicações, empatando o recorde histórico das
89 edições da premiação, atingido por "A Malvada" (1950) e "Titanic"
(1997). O prêmio será entregue no dia 26 de fevereiro, um domingo.
Veja a lista:
Melhor filme
-- A chegada
-- Até o último homem
-- Estrelas além do tempo
-- Lion: Uma jornada para casa
-- Moonlight: Sob a luz do luar
-- Cercas
-- A qualquer custo
-- La la land: Cantando estações
-- Manchester à beira-mar
Melhor diretor
-- Dennis Villeneuve (A chegada)
-- Mel Gibson (Até o último homem)
-- Damien Chazelle (La la land: Cantando estações)
-- Kenneth Lonergan (Manchester à beira-mar)
-- Barry Jenkins (Moonlight: Sob a luz do luar)
Melhor ator
-- Casey Affleck (Manchester a beira mar)
-- Denzel Washington (Cercas)
-- Ryan Gosling (La La Land – Cantando estações)
-- Andrew Garfield (Até o Último Homem)
-- Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
Melhor atriz
-- Natalie Portman (Jackie)
-- Emma Stone (La La Land - Cantando estações)
-- Meryl Streep (Florence: Quem é essa mulher?)
-- Ruth Negga (Loving)
-- Isabelle Huppert (Elle)
Melhor ator coadjuvante
-- Mahershala Ali (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Jeff Bridges (A qualquer custo)
-- Lucas Hedges (Manchester à beira-mar)
-- Dev Patel (Lion: Uma jornada para casa)
-- Michael Shannon (Animais noturnos)
Melhor atriz coadjuvante
-- Viola Davis (Cercas)
-- Naomi Harris (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Nicole Kidman (Lion: Uma jornada para casa)
-- Octavia Spencer (Estrelas além do tempo)
-- Michelle Williams (Manchester à beira-mar)
Melhor roteiro original
-- Damien Chazelle (La la land: Cantando estações)
-- Kenneth Lonergan (Manchester à beira-mar)
-- Taylor Sheridan (A qualquer custo)
-- Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou (O lagosta)
-- Mike Mills (20th century woman)
Melhor roteiro adaptado
-- Barry Jenkins (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Luke Davies (Lion: Uma jornada para casa)
-- August Wilson (Cercas)
-- Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas além do tempo)
-- Eric Heisserer (A chegada)
Melhor fotografia
-- Bradford Young (A chegada)
-- Linus Sandgren (La la land: Cantando estações)
-- James Laxton (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Rodrigo Prieto (Silêncio)
-- Greig Fraser (Lion: Uma jornada para casa)
Melhor animação
-- Kubo e as cordas mágicas
-- Moana: Um mar de aventuras
-- Minha vida de abobrinha
-- A tartaruga vermelha
-- Zootopia
Melhor filme em língua estrangeira
-- Terra de minas– Dinamarca
-- Um homem chamado Ove– Suécia
-- O apartamento– Irã
-- Tanna– Austrália
-- Toni Erdmann– Alemanha
Melhor documentário
-- Fire at sea
-- Eu não sou seu negro
-- Life, animated
-- O.J. Made in America
-- 13th
Melhor edição
-- Joe Walker (A chegada)
-- John Gilbert (Até o último homem)
-- Jake Roberts (A qualquer custo)
-- Tom Cross (La la land: Cantando estações)
-- Nate Sanders e Joi McMillan (Moonlight: Sob a luz do luar)
Melhor design de produção
-- A chegada
-- Animais fantásticos e onde habitam
-- Ave, Cesar!
-- La la land: Cantando estações
-- Passageiros
Melhor cabelo a maquiagem
-- Eva Bahr e Love Larson (Um homem chamado Ove)
-- Joel Harlow e Richard Alonzo (Star Trek: Sem fronteiras)
-- Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (Esquadrão Suicida)
Melhor figurino
-- Joanna Johnston (Allied)
-- Colleen Atwood (Animais fantásticos e onde habitam)
-- Consolata Boyle (Florence: Quem é essa mulher?)
-- Madeline Fontaine (Jackie)
-- Mary Zophres (La la land: Cantando estações)
Melhores efeitos visuais
-- Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton (Deepwater horizon)
-- Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould (Doutor Estranho)
-- Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Dan Lemmon (Mogli: O menino lobo)
-- Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff (Kubo e as cordas mágicas)
-- John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould (Rogue One: Uma história Star Wars)
Melhor canção original
-- Audition (The fools who dream)(La la land: Cantando estações); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
-- Can't stop the feeling(Trolls); música e letra de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster
-- City of stars(La la land: Cantando estações); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
-- The empty chair(Jim: The James Foley Story); música e letra de J. Ralph e Sting
-- How far I'll go(Moana: Um mar de aventuras); música e letra Lin-Manuel Miranda
Melhor trilha sonora
-- Micha Levi (Jackie)
-- Justin Hurwitz (La la land: Cantando estações)
-- Nicholas Britell (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Thomas Newman (Passageiros)
Melhor edição de som
-- Sylvain Bellemare (A chegada)
-- Renée Tondelli (Deepwater horizon)
-- Robert Mackenzie e Andy Wright (Até o último homem)
-- Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan (La la land: Cantando estações)
-- Alan Robert Murray e Bub Asman (Sully: O herói do rio Hudson)
Melhor mixagem de som
-- Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye (A chegada)
-- Kevin O'Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (Até o último homem)
-- Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow (La la land: Cantando estações)
-- David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson (Rogue One: Uma história Star Wars)
-- Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth (13 Hours: The secret soldiers of Benghazi)
Melhor curta-metragem
-- Ennemis Intérieurs
-- La femme et le TGV
-- Silent night
-- Sing
-- Timecode
Melhor curta-metragem de animação
-- Blind Vaysha
-- Borrowed time
-- Pear Cider and Cigarettes
-- Pearl
-- Piper
Melhor documentário em curta-metragem
-- Extremis
-- 41 miles
-- Joe's violin
-- Watani: My homeland
-- The white helmets
Deu o que mais ou menos estava previsto nas indicações do Oscar 2017: muitas foram para "La La Land", talvez o filme do ano pelas simpatias que vem angariando. Também estava no script que, ao contrário de 2016, quando a comunidade negra de Hollywood foi ignorada, desta vez há pelo menos três filmes com atores e temática afro-americana estão nas cabeças: "Cercas", "Estrelas Além do Tempo" e "Moonlight".
Entre os diretores, desponta o óbvio Damien Chazelle, de "La La Land", mas também, concorrendo com ele, Kenneth Logan, de "Manchester à Beira-Mar", e Barry Jenkins, de "Moonlight". A (relativa) surpresa nessa categoria foi a presença de Mel Gibson, que andava meio queimado na Academia. Além disso, "Até o último Homem" concorre entre os nove indicados a melhor filme. E o ator, o herói da história da 2ª Guerra, Andrew Garfield, está entre indicados.
Talvez Garfield não leve o prêmio. Ryan Gosling, de "La La Land", e Casey Affleck, de "Manchester" são os favoritos, mas a sua simples presença é significativa, pois trata-se de um herói de guerra que jamais pegou numa arma.
A estatueta deve ficar entre os favoritos, a não ser que a Academia resolva radicalizar na causa afro-americana e entregar o prêmio a Denzel Washington, maravilhoso no papel de um trabalhador dos anos 1950 em Pittisburgh.
Foi estranha sua ausência entre os diretores indicados. Talvez a estrutura do filme, adaptado de uma peça teatral, tenha incomodado os votantes. Mas "Cercas" é de fato muito forte, em especial pelas atuações de Washington e Viola Davis.
Viola concorre como atriz coadjuvante e está entre as favoritas nessa categoria, apesar da concorrência forte com Naomi Harris ("Moonlight"), Otavia Spencer ("Estrelas Além do Tempo") e Michelle Williams ("Manchester").
Entre as atrizes, chama a atenção a presença de Isabelle Huppert, por "Elle". É, talvez, a grande atriz da atualidade, uma unanimidade na Europa, e aqui interpreta um papel surpreendente, difícil, do jeito que ela gosta de encarar.
Mas há a favorita "Emma Stone", uma graça em "La La Land". E não se pode descartar a caracterização de Natalie Portman como Jacqueline Kennedy em Jackie, interessante "docudrama" de Pablo Larraín.
Entre os documentários, os especialistas dão como favorito "O.J : Made in America", sobre o caso de O.J. Simpson. No entanto, o italiano "Fogo no Mar", de Gianfranco Rosi, é nada menos que estupendo, com a história trágica dos refugiados da África que tentam atingir a Europa pelo Mediterrâneo. Não se trata apenas do tema urgente. É grande cinema e venceu o Festival de Berlim. Mas talvez os votantes prefiram um tema americano.
Entre os atores coadjuvantes, há também muita concorrência e Dev Patel tem sido apontado como forte candidato por sua atuação em "Lion". Mas um destaque é o veterano Jeff Bridges em sua caracterização como xerife cético em "A Qualquer Custo", surpreendente história de roubo a banco ambientada no Texas.
Entre os candidatos a filme estrangeiro há a força inventiva do iraniano "O Apartamento", mas Asghar Fahradi já venceu um Oscar e a comédia alemã Toni Erdmann vem atropelando concorrentes por onde passa.
O Oscar deste ano tem uma característica interessante. Talvez não haja nenhum grande, imenso filme, daqueles capazes de reunir unanimidade em torno de si. Há a simpatia de "La La Land", com sua suavidade propícia num tempo difícil para os Estados Unidos e para o mundo. Seria antipático tachá-lo de escapista. É apenas bonito e romântico.
Mas há também dramas sólidos como "Manchester à Beira Mar", "Cercas" e "Moonlight", todos merecendo atenção tanto dos votantes quanto dos cinéfilos. Falam de coisas sérias e atuais, como a culpa que não passa, a paternidade problemática, a homossexualidade difícil de ser assumida em determinados meios e circunstâncias.
São filmes muito bons e, junto com "Até o Último Homem", um drama de guerra, "Estrelas Além do Tempo", sobre mulheres negras que trabalharam em missões espaciais da Nasa, e "A Chegada", uma ficção científica nada banal, compõem um panorama bastante interessante de um cinema que não se ocupa apenas de blockbusters desmiolados.
Veja a lista:
Melhor filme
-- A chegada
-- Até o último homem
-- Estrelas além do tempo
-- Lion: Uma jornada para casa
-- Moonlight: Sob a luz do luar
-- Cercas
-- A qualquer custo
-- La la land: Cantando estações
-- Manchester à beira-mar
Melhor diretor
-- Dennis Villeneuve (A chegada)
-- Mel Gibson (Até o último homem)
-- Damien Chazelle (La la land: Cantando estações)
-- Kenneth Lonergan (Manchester à beira-mar)
-- Barry Jenkins (Moonlight: Sob a luz do luar)
Melhor ator
-- Casey Affleck (Manchester a beira mar)
-- Denzel Washington (Cercas)
-- Ryan Gosling (La La Land – Cantando estações)
-- Andrew Garfield (Até o Último Homem)
-- Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
Melhor atriz
-- Natalie Portman (Jackie)
-- Emma Stone (La La Land - Cantando estações)
-- Meryl Streep (Florence: Quem é essa mulher?)
-- Ruth Negga (Loving)
-- Isabelle Huppert (Elle)
Melhor ator coadjuvante
-- Mahershala Ali (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Jeff Bridges (A qualquer custo)
-- Lucas Hedges (Manchester à beira-mar)
-- Dev Patel (Lion: Uma jornada para casa)
-- Michael Shannon (Animais noturnos)
Melhor atriz coadjuvante
-- Viola Davis (Cercas)
-- Naomi Harris (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Nicole Kidman (Lion: Uma jornada para casa)
-- Octavia Spencer (Estrelas além do tempo)
-- Michelle Williams (Manchester à beira-mar)
Melhor roteiro original
-- Damien Chazelle (La la land: Cantando estações)
-- Kenneth Lonergan (Manchester à beira-mar)
-- Taylor Sheridan (A qualquer custo)
-- Yorgos Lanthimos e Efthimis Filippou (O lagosta)
-- Mike Mills (20th century woman)
Melhor roteiro adaptado
-- Barry Jenkins (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Luke Davies (Lion: Uma jornada para casa)
-- August Wilson (Cercas)
-- Allison Schroeder e Theodore Melfi (Estrelas além do tempo)
-- Eric Heisserer (A chegada)
Melhor fotografia
-- Bradford Young (A chegada)
-- Linus Sandgren (La la land: Cantando estações)
-- James Laxton (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Rodrigo Prieto (Silêncio)
-- Greig Fraser (Lion: Uma jornada para casa)
Melhor animação
-- Kubo e as cordas mágicas
-- Moana: Um mar de aventuras
-- Minha vida de abobrinha
-- A tartaruga vermelha
-- Zootopia
Melhor filme em língua estrangeira
-- Terra de minas– Dinamarca
-- Um homem chamado Ove– Suécia
-- O apartamento– Irã
-- Tanna– Austrália
-- Toni Erdmann– Alemanha
Melhor documentário
-- Fire at sea
-- Eu não sou seu negro
-- Life, animated
-- O.J. Made in America
-- 13th
Melhor edição
-- Joe Walker (A chegada)
-- John Gilbert (Até o último homem)
-- Jake Roberts (A qualquer custo)
-- Tom Cross (La la land: Cantando estações)
-- Nate Sanders e Joi McMillan (Moonlight: Sob a luz do luar)
Melhor design de produção
-- A chegada
-- Animais fantásticos e onde habitam
-- Ave, Cesar!
-- La la land: Cantando estações
-- Passageiros
Melhor cabelo a maquiagem
-- Eva Bahr e Love Larson (Um homem chamado Ove)
-- Joel Harlow e Richard Alonzo (Star Trek: Sem fronteiras)
-- Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Nelson (Esquadrão Suicida)
Melhor figurino
-- Joanna Johnston (Allied)
-- Colleen Atwood (Animais fantásticos e onde habitam)
-- Consolata Boyle (Florence: Quem é essa mulher?)
-- Madeline Fontaine (Jackie)
-- Mary Zophres (La la land: Cantando estações)
Melhores efeitos visuais
-- Craig Hammack, Jason Snell, Jason Billington e Burt Dalton (Deepwater horizon)
-- Stephane Ceretti, Richard Bluff, Vincent Cirelli e Paul Corbould (Doutor Estranho)
-- Robert Legato, Adam Valdez, Andrew R. Jones and Dan Lemmon (Mogli: O menino lobo)
-- Steve Emerson, Oliver Jones, Brian McLean e Brad Schiff (Kubo e as cordas mágicas)
-- John Knoll, Mohen Leo, Hal Hickel e Neil Corbould (Rogue One: Uma história Star Wars)
Melhor canção original
-- Audition (The fools who dream)(La la land: Cantando estações); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
-- Can't stop the feeling(Trolls); música e letra de Justin Timberlake, Max Martin e Karl Johan Schuster
-- City of stars(La la land: Cantando estações); música de Justin Hurwitz e letra de Benj Pasek e Justin Paul
-- The empty chair(Jim: The James Foley Story); música e letra de J. Ralph e Sting
-- How far I'll go(Moana: Um mar de aventuras); música e letra Lin-Manuel Miranda
Melhor trilha sonora
-- Micha Levi (Jackie)
-- Justin Hurwitz (La la land: Cantando estações)
-- Nicholas Britell (Moonlight: Sob a luz do luar)
-- Thomas Newman (Passageiros)
Melhor edição de som
-- Sylvain Bellemare (A chegada)
-- Renée Tondelli (Deepwater horizon)
-- Robert Mackenzie e Andy Wright (Até o último homem)
-- Ai-Ling Lee and Mildred Iatrou Morgan (La la land: Cantando estações)
-- Alan Robert Murray e Bub Asman (Sully: O herói do rio Hudson)
Melhor mixagem de som
-- Bernard Gariépy Strobl e Claude La Haye (A chegada)
-- Kevin O'Connell, Andy Wright, Robert Mackenzie e Peter Grace (Até o último homem)
-- Andy Nelson, Ai-Ling Lee and Steve A. Morrow (La la land: Cantando estações)
-- David Parker, Christopher Scarabosio e Stuart Wilson (Rogue One: Uma história Star Wars)
-- Greg P. Russell, Gary Summers, Jeffrey J. Haboush e Mac Ruth (13 Hours: The secret soldiers of Benghazi)
Melhor curta-metragem
-- Ennemis Intérieurs
-- La femme et le TGV
-- Silent night
-- Sing
-- Timecode
Melhor curta-metragem de animação
-- Blind Vaysha
-- Borrowed time
-- Pear Cider and Cigarettes
-- Pearl
-- Piper
Melhor documentário em curta-metragem
-- Extremis
-- 41 miles
-- Joe's violin
-- Watani: My homeland
-- The white helmets
Deu o que mais ou menos estava previsto nas indicações do Oscar 2017: muitas foram para "La La Land", talvez o filme do ano pelas simpatias que vem angariando. Também estava no script que, ao contrário de 2016, quando a comunidade negra de Hollywood foi ignorada, desta vez há pelo menos três filmes com atores e temática afro-americana estão nas cabeças: "Cercas", "Estrelas Além do Tempo" e "Moonlight".
Entre os diretores, desponta o óbvio Damien Chazelle, de "La La Land", mas também, concorrendo com ele, Kenneth Logan, de "Manchester à Beira-Mar", e Barry Jenkins, de "Moonlight". A (relativa) surpresa nessa categoria foi a presença de Mel Gibson, que andava meio queimado na Academia. Além disso, "Até o último Homem" concorre entre os nove indicados a melhor filme. E o ator, o herói da história da 2ª Guerra, Andrew Garfield, está entre indicados.
Talvez Garfield não leve o prêmio. Ryan Gosling, de "La La Land", e Casey Affleck, de "Manchester" são os favoritos, mas a sua simples presença é significativa, pois trata-se de um herói de guerra que jamais pegou numa arma.
A estatueta deve ficar entre os favoritos, a não ser que a Academia resolva radicalizar na causa afro-americana e entregar o prêmio a Denzel Washington, maravilhoso no papel de um trabalhador dos anos 1950 em Pittisburgh.
Foi estranha sua ausência entre os diretores indicados. Talvez a estrutura do filme, adaptado de uma peça teatral, tenha incomodado os votantes. Mas "Cercas" é de fato muito forte, em especial pelas atuações de Washington e Viola Davis.
Viola concorre como atriz coadjuvante e está entre as favoritas nessa categoria, apesar da concorrência forte com Naomi Harris ("Moonlight"), Otavia Spencer ("Estrelas Além do Tempo") e Michelle Williams ("Manchester").
Entre as atrizes, chama a atenção a presença de Isabelle Huppert, por "Elle". É, talvez, a grande atriz da atualidade, uma unanimidade na Europa, e aqui interpreta um papel surpreendente, difícil, do jeito que ela gosta de encarar.
Mas há a favorita "Emma Stone", uma graça em "La La Land". E não se pode descartar a caracterização de Natalie Portman como Jacqueline Kennedy em Jackie, interessante "docudrama" de Pablo Larraín.
Entre os documentários, os especialistas dão como favorito "O.J : Made in America", sobre o caso de O.J. Simpson. No entanto, o italiano "Fogo no Mar", de Gianfranco Rosi, é nada menos que estupendo, com a história trágica dos refugiados da África que tentam atingir a Europa pelo Mediterrâneo. Não se trata apenas do tema urgente. É grande cinema e venceu o Festival de Berlim. Mas talvez os votantes prefiram um tema americano.
Entre os atores coadjuvantes, há também muita concorrência e Dev Patel tem sido apontado como forte candidato por sua atuação em "Lion". Mas um destaque é o veterano Jeff Bridges em sua caracterização como xerife cético em "A Qualquer Custo", surpreendente história de roubo a banco ambientada no Texas.
Entre os candidatos a filme estrangeiro há a força inventiva do iraniano "O Apartamento", mas Asghar Fahradi já venceu um Oscar e a comédia alemã Toni Erdmann vem atropelando concorrentes por onde passa.
O Oscar deste ano tem uma característica interessante. Talvez não haja nenhum grande, imenso filme, daqueles capazes de reunir unanimidade em torno de si. Há a simpatia de "La La Land", com sua suavidade propícia num tempo difícil para os Estados Unidos e para o mundo. Seria antipático tachá-lo de escapista. É apenas bonito e romântico.
Mas há também dramas sólidos como "Manchester à Beira Mar", "Cercas" e "Moonlight", todos merecendo atenção tanto dos votantes quanto dos cinéfilos. Falam de coisas sérias e atuais, como a culpa que não passa, a paternidade problemática, a homossexualidade difícil de ser assumida em determinados meios e circunstâncias.
São filmes muito bons e, junto com "Até o Último Homem", um drama de guerra, "Estrelas Além do Tempo", sobre mulheres negras que trabalharam em missões espaciais da Nasa, e "A Chegada", uma ficção científica nada banal, compõem um panorama bastante interessante de um cinema que não se ocupa apenas de blockbusters desmiolados.
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