Ele estuda mandarim na China e foi convidado por colegas afegãos.
Casas têm andar só para mulheres; shoppings revistam clientes na entrada.
Bruno
com o guarda-costas que contratou para acompanhá-lo na viagem, por
sugestão da Embaixada brasileira (Foto: Bruno Pinheiro/Arquivo pessoal)
Bruno em uma região montanhosa nos arredores deCabul; a área tem o clima mais ameno do que o da
cidade e é destino de passeio para famílias
(Foto: Bruno Pinheiro/Arquivo pessoal)
Neste ano, um desses amigos convidou Bruno para passar as férias de verão em sua casa, em Cabul. Inicialmente, os parentes e amigos do brasileiro ficaram assustados com a ideia. “Eles diziam: ‘Afeganistão? O que você está indo fazer lá?’ O país já carrega um nome pesado, que a gente associa a guerra, confusão, falta de segurança”, diz o estudante.
Mas, após pesquisar e consultar a Embaixada do Brasil em Pequim, ele aceitou: “Seria uma experiência única. Não é todo dia que a gente viaja para o Afeganistão.”
A ideia inicial era passar quatro dias em Cabul e depois ir para o interior conhecer outras regiões do país, mas ele desistiu de sair da capital após receber recomendações de que não se afastasse de lá. “É período de eleições, a situação está mais delicada. Não ouvi falar de nenhum ataque muito forte esses dias, mas por precaução, os próprios locais disseram que eu não fosse. Vai ter que ficar para a próxima”, diz.
Sem contato com as mulheres
Mulheres em Cabul (Foto: Nicolas Asfouri/AFP)O brasileiro conta que as residências são estruturadas para que homens e mulheres tenham vidas totalmente independentes. Há um andar só para as mulheres, onde elas dormem, circulam e comem e onde só trabalham empregadas do sexo feminino. Da mesma forma, no andar masculino, só há moradores e funcionários homens.
Bruno via as mulheres passando na rua, mas elas andam com o corpo e o rosto coberto pelas vestes típicas locais e não podem conversar com desconhecidos. Os homens também têm vestimentas próprias: uma calça com uma bata longa, de cores variadas. O brasileiro diz que não viu nenhum outro turista por lá.
Mesa de jantar: para Bruno, comida lembra abrasileira (Foto: Bruno Pinheiro/Arquivo pessoal)
Mas, assim como acontece em outros países, o fato de ele ser brasileiro facilitou o contato. “Eles têm uma visão muito positiva do Brasil e têm muito interesse em saber como é o nosso país. Além de tudo, afegão adora futebol. Eles perguntaram muito da Copa, comentaram que estavam chateados pela eliminação do Brasil por 7 a 1”, conta ele.
Segundo Bruno, a comida do Afeganistão lembra um pouco a brasileira, com pratos que misturam arroz, carne e legumes. “O gosto parece com o da nossa comida. E é simplesmente uma delícia”, diz. Um pão típico acompanha todas as refeições, assim como o chá. No café da manhã, o chá vem acompanhado de pão, mel e frutas secas.
Os jantares pareciam banquetes com diversos pratos -- especialmente agora, período do Ramadã, quando os muçulmanos só podem comer após o pôr do sol. Bruno diz que seus amigos abriram exceção para ele, que era o único que podia tomar café e almoçar. “Eles pediam que eu comesse dentro do quarto ou em algum lugar onde ninguém pudesse me ver, em respeito aos demais que estavam de jejum”, conta.
Segurança rígida
Bruno
com seus dois amigos afegãos; o brasileiro os conheceu na aula de
mandarim e foi passar férias no país deles (Foto: Bruno Pinheiro/Arquivo
pessoal)Segundo o estudante, todo local com aglomeração de pessoas em Cabul tem um forte sistema de segurança. Em shoppings, por exemplo, os clientes passam por uma revista semelhante à que acontece em aeroportos. “Nos três hotéis maiores que vi na cidade, você não consegue nem enxergar lá dentro, de tão cercados que são. Apesar de não estarem ocorrendo tantos atentados agora, eles têm bastante cautela”, diz.
Bruno agora está na Turquia, onde deve continuar o passeio de férias. Para ele, se algum turista ocidental quiser ir para o Afeganistão sem conhecer ninguém no país, deve planejar muito. “Tem que analisar a rota, acompanhar a situação de segurança no momento. Mas tem agências especializadas em receber os turistas de fora, em guiá-los. Tudo que é planejado é viável”, afirma.
O brasileiro gostou tanto do Afeganistão que pretende ler mais sobre a cultura e a história do país e quer voltar um dia, para ir às cidade do interior que não pôde conhecer. Ele também quer visitar a Coreia do Norte. “Tenho vontade de conhecer esses lugares muito diferentes. O mundo é grande.”
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