Esses equipamentos, uma espécie de caixa eletrônico, permitem a troca de moedas estrangeiras por real e vice-versa
Agência Brasil
Os
turistas estrangeiros que vierem para a Copa do Mundo não poderão contar
com uma facilidade comum em países da Europa: as chamadas máquinas
cambiadoras. Esses equipamentos, uma espécie de caixa eletrônico,
permitem a troca de moedas estrangeiras por real e vice-versa. O uso dos
dispositivos foi autorizado pelo governo em 2012, para oferecer uma
alternativa e facilitar o acesso do estrangeiro a pequenos valores em
reais, a partir do evento esportivo, este ano.
Outra
medida autorizada pelo governo em 2012 que não deslanchou foram os
correspondentes para troca de moedas. O governo autorizou casas de
câmbio e bancos a fazerem parcerias com estabelecimentos comerciais.
Segundo o presidente da Associação Brasileira das Corretoras de Câmbio
(Abracam), Tulio Ferreira dos Santos Junior, por falta de segurança o
setor não se interessou por correspondentes em estabelecimentos
comerciais. Segundo ele, atualmente, a maioria dos parceiros continua
sendo as agências de viagens e há também alguns hotéis que fazem troca
de moedas. “Nas agências de viagens tem gente com experiência e as lojas
e os caixas são blindados. Um país com pouca segurança como o Brasil
não tem como ter moeda estrangeira em farmácia ou supermercado”,
argumentou.
Já as
máquinas cambiadoras ainda estão sendo testadas no país, a menos de um
mês da Copa. De acordo com Santos Junior, no Recife há máquinas
instaladas em um shopping, no porto e no aeroporto da cidade.
Ele conta que a corretora instalou as máquinas para iniciar os testes,
mas ainda não há previsão de quando os equipamentos estarão disponíveis
em outras cidades. “Se funcionar bem vamos colocar em hotéis em São
Paulo e no Rio. Mas não tem previsão. Vai depender da performance da
máquina”, disse. O presidente da Abracam também disse que negociar a
instalação das máquinas em aeroportos tem sido um processo “muito
burocrático”. “Estamos negociando para fechar parcerias em aeroportos,
hotéis. Isso é um processo lento”, acrescentou.
De acordo
com o responsável comercial pela empresa que produz as máquinas, a Hess
Latam, André Salvador, nos próximos dias também será instalada uma
máquina em um shopping de São Paulo e outras capitais poderão
receber os equipamentos, em junho. No total, serão 50 equipamentos
distribuídos em grandes cidades dentro de hotéis, shoppings centers e aeroportos.
André
Salvador não quis revelar quantas máquinas já foram produzidas no país
desde a autorização pelo governo, mas disse que o volume não é
expressivo. Ele espera que ainda este ano a produção ganhe força, por
meio de parcerias com corretoras e bancos especializados.
Segundo
Salvador, a automação de operações de troca de moedas ainda não avançou
no país porque somente em 2012 a legislação autorizou esse processo. Por
meio da máquina, o cliente pode conferir, antes de fechar a operação,
todas as taxas e tarifas e o valor efetivo total. Os equipamentos estão
configurados em quatro idiomas.
Em 2012,
ao regulamentar o uso desses equipamentos, o BC definiu que o limite por
operação seria de US$ 3 mil. Os clientes são identificados por meio do
uso do cartão de crédito com bandeira internacional ou por passaporte
com validação eletrônica de autenticidade.
Para André
Salvador, os grandes bancos de varejo não demostraram interesse pelo
equipamento, mas à medida que as máquinas ganharem espaço no mercado, há
expectativa de avanço nesse segmento também. “Os bancos de varejo têm
estratégia voltada para os próprios correntistas. O movimento vai
começar através dos bancos de nicho [especializados]”, disse.
No caso do
Banco do Brasil, por exemplo, a troca de moeda é feita em 431 agências e
em 34.807 terminais de autoatendimento habilitados para atender às
redes Cirrus e VisaPlus – pois fazem a leitura de cartões emitidos no
exterior, para saque em reais. Desse total de terminais, 8.541 estão nas
cidades-sede da Copa do Mundo. No caso das agências que realizam
operações de câmbio, 300 estão nas cidades-sede da Copa.
Mesmo sem
as máquinas cambiadoras e os correspondentes no comércio, o presidente
da Abracam acredita que os estrangeiros não terão dificuldades para ter
acesso a reais. “O estrangeiro usa muito cartão de crédito. E todos os
aeroportos e shoppings são bem assistidos com casas de câmbio”, disse.
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