Números são do levantamento da Defensoria Pública da União.
Ministério da Saúde quer contratar 411 dos 1,2 mil médicos necessários.

No Hospital Geral de Bonsucesso, no mês de outubro de 2013, mais de 1,5 mil pacientes esperavam por cirurgia. As cirurgias mais procuradas eram as cardiovasculares, seguida pelas de cabeça, pescoço e hérnia. A unidade hospitalar é a recordista em falta de médicos, com um déficit de 280 profissionais.
No Hospital do Andaraí, na Zona Norte, quase 1,2 pessoas aguardavam por cirurgia em outubro. A maioria buscava cirurgias gerais, ortopédicas e plásticas reparadoras. Faltavam 129 profissionais no local. Na semana passada, o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro fez uma vistoria na unidade e divulgou imagens que mostram as péssimas condições da emergência, com pacientes sendo atendidos no corredor. Segundo o sindicato, por esses problemas, o hospital tem recusado pacientes em estado grave e algumas cirurgias foram suspensas.
Mas as admissões ainda estão bem abaixo da demanda. Por isso, segundo o defensor Daniel Macedo, será movida pela Defensoria uma ação civil pública pedindo a indenização por dano moral coletivo no valor de R$ 1,2 bilhão. Além disso, a Defensoria quer também denunciar os gestores responsáveis por improbidade administrativa e que a União apresente um cronograma com as datas de realização dessas cirurgias pendentes.
Quinto da fila em Bonsucesso
Márcio Teixeira da Silva, de 42 anos, é morador de Belford Roxo, na Baixada, e espera por uma cirurgia há 7 anos. Há duas décadas, ele levou um tiro durante um assalto e perdeu o movimento das pernas. Desde então Márcio passou a ser atendido no Hospital Geral de Bonsucesso, no Subúrbio, e já enfrentou algumas cirurgias e infecções. “De lá pra cá, eu tive muita perda. Já perdi uma perna, já perdi a segunda. Tenho uma sonda na bexiga e estou há sete anos esperando uma posição.”
Márcio também tem uma bolsa de colostomia e gasta boa parte do orçamento com antibióticos, curativos e remédios. “Gasto de R$ 500 a R$ 700 com isso. Agora no verão, vou gastar mais”, contou ele.
Ele é o quinto na fila do Hospital Geral de Bonsucesso. Ao lado da esposa Mara, ele montou uma pequena venda na porta de casa. Para sobreviver, Márcio trabalha mais de 12 horas na loja, sentado em uma cadeira de rodas.
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