Decisão obrigou CPRH a entregar ave para mulher que a criava há 10 anos.
Animal havia sido apreendido no Grande Recife em setembro passado.
Dona observa ave devolvida dois meses após ter sido apreendida por fiscais (Foto: Débora Soares/G1)
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A ansiedade de Vera Lúcia começou quando ela soube que Billy, a arara-canindé, de nome científico Ara ararauna,
iria retornar para casa. "Estava escutando a rádio ontem [sexta (22)] e
falaram que uma juíza havia determinado que Billy ia voltar para mim,
sua mãe. Não conseguia acreditar. Não dormi. Só pensei em beijá-lo e
dançar com ele", disse.A entrega do animal estava marcada para as 11h deste sábado. No entanto, 50 minutos após o horário, a dona de casa ficou apreensiva ao receber uma ligação. Era um dos agentes da CPRH, informando que a equipe estava perdida e não conseguia achar o endereço da casa. A voz da mulher soava cada vez mais estressada enquanto ela explicava o caminho. O impasse só foi desfeito depois que uma menina da comunidade saiu em uma bicicleta para encontrar o carro da CPRH e trazê-lo até a casa.
Dona de casa diz tratar a arara como um filho(Foto: Débora Soares/G1)
Apesar do desejo da dona da arara, a decisão da juíza Wilka Pinto Vilela, da Terceira Vara da Fazenda Pública da Comarca de Jaboatão, é provisória. Para que fique com o bicho, Vera Lúcia tem que entrar com o pedido de licenciamento no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que irá verificar se a casa está apta a receber o animal.
Segundo o assessor da presidência da CPRH, João Paulo Reis, a arara-canindé, também conhecida como arara de barriga amarela, precisa de um viveiro de pelo menos 6 metros quadrados. Ele ressaltou que o espaço no qual Billy passa boa parte de seu dia, uma casa de cachorro, não tem nem dois metros quadrados.
De acordo com a dona de casa, o espaço não será um problema para criar a arara. "Vou fazer com meu filho e Claudneys, meu marido, um espaço bem grande aqui no quintal. Assim eles não terão mais o que reclamar", afirmou Vera Lúcia.
Claudneys, marido de Vera Lúcia, também cuida do animal e o considera parte da família (Foto: Débora Soares/G1)O carroceiro Claudneys Anselmo da Silva, 36 anos, também não conseguiu conter a felicidade ao ver o animal. "Agora a família está completa. Vera estava muito triste, pois temos Billy desde que era um filhote."
Arara come ração dada pelos donos depois de voltar paracasa (Foto: Débora Soares/G1)
Ao G1, a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) informou que vai recorrer da decisão judicial. O assessor da presidência classificou a determinação como "um retrocesso no desenvolvimento desta espécie. As condições dela aqui não são boas. Esta bela arara deveria estar na natureza, não presa." Ainda conforme João Paulo Reis, o animal estava saudável quando foi apreendido. O assessor espera que Secretaria Estadual de Meio Ambiente acione a Justiça na próxima segunda (26) para reaver a guarda do bicho.
A dona de casa disse não estar preocupada. "Podem recorrer que eu recorro também. Absurdo quererem tirar meu filho de mim. Qualquer juiz pode vir aqui e ver que não há nada que substitua o amor que sinto por ele", comentou Vera Lúcia.
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