Comerciantes dizem que falta do peixe prejudica a economia do litoral.
Segundo biólogo, causas naturais ou externas podem motivar a escassez.
Peroá, típico peixe do estado, está em extinção, relatam pescadores. (Foto: Reprodução/TV Gazeta Sul)No porto do município, os barcos atracados denunciam o desânimo dos pescadores, que estão sem trabalhar. Pescador há 39 anos, Ismael Matias disse nunca viu uma situação como essa. "Não tem peroá. A gente sai aqui e não paga nem o óleo que a gente gasta", contou. Já outro pescador, Floriano Silva, disse que o peroá está desaparecendo do litoral capixaba devido à pesca feita por barcos de grande porte. "Eles cercam aqueles cardumes e pegam mitos peixes que não servem para eles", disse.
Procurado pelo G1, o consultor técnico na área de Ecossistemas Marinhos, o biólogo Renato Paz Moure, disse que as explosões podem prejudicar os animais mamíferos, como baleias e golfinhos. "Não sei até que ponto isso pode influenciar ou não os peixes".
O biólogo explicou que são várias as possibilidades para explicar a situação e que só um estudo na região vai constatar a real causa da extinção. "Pode haver sobrepesca de peixe, que significa a capacidade maior do homem de pescar em relação a capacidade reprodutiva do peixe. Também pode ter a ver com com as correntes marítimas que afastam a espécie, ou pode estar relacionado a um evento de natureza cíclica do peixe em questão”, disse.
Pescadores dizem que precisam comprar peroáde outros estados. (Foto: Reprodução/ TV Gazeta)
De acordo com os pescadores,a falta do peixe é sinônimo de prejuízo para a economia local. Diante da escassez da espécie, todos os setores ficam desabastecidos. Muitos quiosques, que tinham o peroá como carro-chefe do cardápio, lamentam a situação. "Através da peroá você consegue vender outros peixes. Porque era um peixe popular, atraía muitos clientes", contou o comerciante Luciano Ferreira.
Para atender aos pedidos dos turistas, a solução encontrada foi comprar peixes em outros estados, uma alternativa que vai pesar no bolso dos clientes. "Hoje estamos trabalhando com peroá da Bahia, de Abrolhos, que tá abastecendo o nosso mercado. O turista vai sentir por que o peroá de R$ 8 agora estão pagando R$ 15", explicou Geredys Ribeiro, dono de quiosque.
Em outro quiosque de Marataízes, o dono contou que chega a pagar R$ 17 pelo quilo do peroá, mas, ainda assim, reclama que os únicos que encontram são muito menores do que os de antigamente.
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