Na nova proposta, formados terão de fazer um ano de residência no SUS.
Pedro Triginelli
Do G1 MG
Ana Flavia Vieira está no 12º período de medicina
(Foto: Pedro Triginelli/G1)
Alunos de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de
Belo Horizonte ouvidos pelo
G1
nesta quinta-feira (1º) não concordam com a proposta feita pelo Governo
Federal de exigir que os médicos comecem a residência nos serviços de
atenção primária e de urgência e emergência do Sistema Único de Saúde
(SUS). Todos citaram em algum momento a falta de estrutura dos hospitais
e a falta de experiência dos recém-formados como os principais
problemas da saúde, e não a falta de médicos. Apesar disto, os sete
estudantes disseram que acharam boa a decisão do governo de desistir dos
oitos anos de curso, e voltar a exigir seis anos.
O Ministério da Educação anunciou, nesta quarta-feira (31), que mudou
de ideia em relação à proposta de aumentar o contato dos estudantes de
medicina com os serviços de atenção primária e de urgência e emergência
do Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com o ministro Aloizio
Mercadante, em vez de defender o aumento da duração do curso de
graduação para incluir esse estágio, conforme proposta feita no dia 8 de
julho, agora, o governo defende a ideia de exigir dos médicos que
começarem a residência (ou especialização) a atuação nesses serviços
durante pelo menos um ano. A nova proposta ainda precisa ser aprovada no
Congresso Nacional.
A aluna do 12º período Ana Flávia Vieira explica que a falta de amparo
dos professores vai ser um dos problemas. “Os hospitais vão ficar cheio
de gente vestida de branco e com estetoscópios no pescoço e mais
perdidas do que cego em tiroteio”, afirmou.
Renato Ringo, do 4º período, acha que a falta de estrutura dos
hospitais no interior vão ser uma dificuldade para o novo sistema. “Acho
que só de ser obrigatório já não é certo. Os hospitais do interior não
oferecem condições de trabalho. Não existe garantia de salários e plano
de carreira”, disse.
Camila Fernandes, Lorena Nascimento e Lívia Reis estão
no 10º período de medicina (Foto: Pedro Triginelli/G1)
As três alunas do 10° período Camila Fernandes, Lívia Reis e Lorena
Nascimento compartilham da mesma opinião de que a falta de estrutura e o
despreparo são um grande problema. “Se fosse ter benefícios para a
população e para os médicos, tudo bem, mas é apenas um tapa-buraco do
governo”, explicou Camila Fernandes.
Lívia Reis fez um estágio no interior do estado e afirma que as
condições são muito precárias. “A gente não é preparado para ser jogado
na emergência, não tem estrutura. O governo não investe”, falou.
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