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sábado, 17 de setembro de 2022

Arthur Lira se irrita por ter que viajar a Nova York com Jair Bolsonaro em plena campanha

 



Arthur Lira se irrita por ter que viajar a Nova York com Jair Bolsonaro

Lira vai ficar hospedado nos mesmos hotéis de Bolsonaro

Rafael Moraes Moura
O Globo

Difícil achar quem fique irritado com uma viagem grátis a Nova York, mas este é o caso do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). Para não correr o risco de ficar inelegível e impedido de disputar estas eleições, Lira terá de acompanhar o presidente Jair Bolsonaro em sua viagem oficial para participar do funeral da rainha Elizabeth II e da Assembleia Geral da ONU, em Nova York. Segundo auxiliares e interlocutores, ele não está gostando nada disso.

Lira, que enfrenta uma campanha eleitoral acirrada em Alagoas, vai ter que sair do país para não se tornar inelegível. A Constituição prevê que quem substituir o chefe do Executivo nos seis meses anteriores à eleição não pode disputar nenhum cargo.

MOURÃO NO PERU – É por isso que o vice-presidente, Hamilton Mourão (Republicanos), que concorre ao Senado pelo Rio Grande do Sul, também foi obrigado a fazer as malas. Ele vai para o Peru, onde se encontra com o presidente Pedro Castillo.

No caso de Lira, que concorre a mais um mandato de deputado federal com o objetivo de aumentar a votação obtida em 2018 – 143.858 votos –, está em jogo também a eleição para o governo do estado em uma disputa agressiva e ainda indefinida.

As pesquisas mostram empate técnico entre o aliado de Lira, Rodrigo Cunha (União Brasil), e o candidato do arquirrival Renan Calheiros, Paulo Dantas (MDB).

RENAN E EX-MULHER – Enfrentando ataques pesados de Renan e da ex-mulher, Jullyene Cristine Lins Rocha, que disputa a eleição para deputada federal na chapa montada por Renan, Lira tem dito que preferia ficar em Alagoas. Mas, se ficasse, teria que assumir a presidência. Como é o segundo na linha sucessória, teria que assumir a vaga de Bolsonaro durante sua viagem internacional a Londres, para o velório da rainha Elizabeth II, e para a abertura da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Como Bolsonaro viaja na noite desde sábado (17) e só volta na terça (20), Lira também tem que ficar fora do Brasil. Nesse período, o presidente interino será Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que não disputa as eleições neste ano.

A aeronave de Mourão partirá de Brasília na noite de sábado, antes da que levará Bolsonaro para a Inglaterra. O presidente da Câmara também deverá se antecipar.

AMOR E ÓDIO – O cuidado de Lira tem um motivo extra. Os passos dele estão sendo acompanhados de perto pela sua ex-mulher. Julyenne entrou com uma ação contra o ex-marido para barrar o seu registro de candidatura, sob a alegação de que ele está inelegível por conta de uma condenação por improbidade administrativa.

Uma liminar do Tribunal de Justiça de Alagoas, no entanto, mantém Lira elegível até o julgamento do caso pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), o que segue sem previsão de ocorrer.

Lira já teve o aval do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas para disputar estas eleições, mas Julyenne ainda pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

AGENDA CASADA – Em Nova York, Lira vai ficar hospedado no mesmo hotel de Bolsonaro. A agenda ainda não foi fechada, mas já se sabe que será “casada” com a do presidente da República, com uma série de compromissos na ONU. Uma conferência com empresários também está nos planos. Os dois ficarão no Omni Berkshire, que tem diárias para a semana que vem com preços entre R$ 4,2 mil e R$ 8,5 mil.

Conforme informou o colunista Lauro Jardim, Bolsonaro optou por um hotel menos luxuoso em ida à Nova York às vésperas da eleição – em 2014, Dilma Rousseff fez o mesmo movimento para parecer menos perdulária enquanto buscava uma difícil reeleição.

De acordo com o que apuramos, as despesas de Lira com hospedagem serão pagas pelo Itamaraty. Ou seja, pelo contribuinte.

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