Quando eu era pequenininho - não em Barbacena, parodiando o personagem Joselino Barbacena, do programa do inesquecível humorista Chico Anísio - mas em Jaguaquara, viver era um espetáculo, era a melhor coisa que existia. Assim continuou na minha juventude, casado e com duas filhas, e perdurou até o início dos anos 90! Tudo era “normal”, divertido, muita alegria, compreensão, integração, felicidade e muito amor.
O Brasil dos anos 70 estava em ebulição. Na Bahia, tanto na capital como na zona rural experimentava-se o mesmo sentimento. Foram décadas de alternativas, de experiências comportamentais jamais vistas. Hoje, os então iludidos jovens e muitos outros, queixam-se do Regime Militar. Mas, sabemos que foram tempos especiais, podíamos fazer tudo e quase tudo era permitido; atendíamos somente as regras rígidas dos nossos pais, instrutores escolares, as leis, e a uma sociedade culta, honrada, justa, sábia.
Tudo era festa, brincadeira, gozação entre os “caras-amigos”, mora? A primeira regra era estudar e estudar! Depois estudar novamente, praticar esportes, sair à noite de bicicleta ou no carro do papai para ir ao jardim, cinema, paquerar e namorar muuuito! Bares, festinhas nas casas dos amigos, boates e clube fizeram parte da nossa geração. Não existia o medo, porque não existia o perigo. Bandido, criminoso, ladrão? Em Salvador, só de toca-fitas. Assassinatos? Não recordo! Fomos criados e educados, na base do conselho, puxão de orelha, beliscão, tapa, palmatória, e instruídos para sermos íntegros, respeitadores, gentis, para sermos grandes homens e grandes mulheres. Nossos nomes eram ignorados, porque os apelidos afloravam: Coei (coelho), Nego, El Negron, Gordo, Graveto, Cabeção, Capeta, Caxingulê, Rolinha, Fuleiro, irmãos Borras... E a comunicação verbal... de uma elegância ímpar: e aí bicho? Diga aí seu “viado”! Fala negão, e aí porra, diga seu merda! Divertíamos carinhosamente com essas “trocas de amabilidades verbais”.
Naqueles tempos, assoviar, bulir, “cantar” uma garota era fascinante, não só mexia com o nosso coração, estremecia a razão lógica do desejo, deixando-nos, às vezes, sem chão, tamanha emoção! De fato, saudade não mata, mas maltrata muito. O Rei, Roberto Carlos, já cantava “velhos tempos, belos dias...” Na verdade, foram minutos, horas, dias, meses, anos, décadas memoráveis, inesquecíveis! E o tempo passou...
A vida está muito chata!... Depois da “redemocratização” em 1985, sobretudo da Constituição Cidadã em 1988, o Brasil virou pelo avesso! Deram direitos demais ao povo - o socialismo deu -, e poucas exigências, e as pessoas entraram numa metamorfose psicológica maluca! Uma minoria sagaz, malandros sedentos aproveitaram-se da situação para iludir e incutir que muitos foram explorados e descriminados pela sociedade. Transformaram alguns brasileiros em quase semideuses! Hoje todos os direitos e “poderes” possíveis foram agraciados a estes!
Por outro lado, a maioria, meros coadjuvantes, passou a custear e carregar um fardo pesado, mudo, diante de coisas surreais às quais são submetidos! O que vemos são pessoas receosas, medrosas, submissas aos caprichos de uma minoria frustrada, invejosa, arrogante, furiosa, que defende, agride e impõe o que não se deve fazer e falar - esses parasitas dementes não defendem os seus direitos, apenas anulam os direitos dos outros! Hoje os discriminados, perseguidos, é essa grande parcela que não pode isso, não pode aquilo! Nada contra as pessoas defenderem seus direitos, muito pelo contrário, o problema são os abusos, os absurdos exigidos! Por essas e outras, que o Brasil atual é tão divido em raças, classes, cores, amore e dores! Raça? conheço só uma: a humana.
Nas últimas décadas, a sociedade brasileira aprendeu a criticar tudo e todos! Somos vítimas de uma censura quase sem limite, que anda pelas sobras, e abre as portas para uma reflexão: estamos evoluindo ou regredindo? Hoje qualquer brincadeira, piada, paquera, palavra, vira ofensa! Estamos cercados por pessoas que se acham donos da verdade, colocando-se como proprietários da transformação social e que nelas está baseado o correto. Está em evidência a crítica ao coitadinho: tudo é preconceito, racismo, homofobia, misoginia, é bullying... (é mia, bia que não acaba mais) que é considerado como um comportamento crítico, altamente preconceituoso e hostil.
A sociedade mundial - não só a brasileira -, está sendo dominada pelo conceito dos Direitos Humanos (para uns), fugir disso é como viver no mundo da fantasia. Entendo que as pessoas não queiram assumir o papel “ridículo” de dizer que são manipuladas, principalmente pela mídia. Vivem de forma hipodérmica (não sob a pele, mas na mente -humanização cognitiva, lavagem cerebral mesmo), não notando que são controlados pelos meios midiáticos, amigos, política, pseudoprofessores ou qualquer forma de interação.
Até aonde vai o direito de cada um? Certa vez Jesus ia passando, viu um homem cego (hoje é deficiente). Um dos seus discípulos lhe perguntou: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais?” Jesus disse: “Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que se manifeste nele as obras de Deus. Somos todos seres humanos, iguais perante Deus e as leis dos homens. Por isso, precisamos resgatar a condição de sermos humanos, e não escravos de palavras e atitudes de cínicos, hipócritas e demagogos!
Sérgio Belleza é administrador, empresário, consultor e autor dos livros, Caminhado com Walkyria e Ascensão e Queda de um Império Econômico. srsbelleza@gmail.com.br / www.sergiobelleza.com.br
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