Júlia Vigné | Correio24h
Assim como o chocolate da Suíça e o champanhe da
França, a Bahia busca ser reconhecida pela originalidade de produção de
três itens: o café em grão do Oeste, as amêndoas de cacau do Sul, que
estão avançados no processo, e o charuto do Recôncavo, que iniciou o
pedido no ano passado.
Associações de produtores se reuniram para
reivindicar o registro de Indicação Geográfica (IG), concedida pelo
Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) a cidades ou regiões
que ganham fama por qualidade e tradições de produtos específicos.
A Bahia já possui o reconhecimento para as uvas de
mesa e manga do Vale do Submédio São Francisco e para a cachaça de
Abaíra, que conquistaram o título em 2009 e 2014, respectivamente.
Nesta quarta-feira (13), foi lançada a nova versão
do Mapa das Indicações Geográficas do Brasil, produzida pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o INPI. Ao
todo, 53 produtos brasileiros são reconhecidos com a indicação
geográfica. A conquista das IGs podem alavancar as vendas de determinado
local, ao posicionar o produto como único. É o caso das cachaças de
Abaíra, que aumentaram suas vendas em cerca de 60% após o título de
exclusividade.
O café em grãos do Oeste, presente principalmente em
Barreiras, Luís Eduardo Magalhães, São Desidério e Cocos, que movimenta
R$ 192 milhões anualmente com a venda de 24 milhões de quilos de café, é
um exemplo de produto que possui características de solo, clima,
culturais e históricas únicas e que, por isso, tenta ganhar o
reconhecimento com a Indicação Geográfica por Indicação de Procedência,
que reconhece o local que produz determinado produto.
O diretor explica que não ter chuvas no período de
colheita do café, que é realizado anualmente, e ter 100% de mecanização
na produção faz com que a qualidade dos cafés da região do Oeste seja
melhor. Maia ainda explica que a busca pela IG fez com que os 27
cafeicultores da associação se reunissem e debatessem melhores aspectos
para o produto, buscando ter 100% do processo igual. A associação espera
alavancar as vendas com o reconhecimento, mas não tem estimativa do
impacto financeiro.
“Nós temos um café de alta tecnologia. Nenhum lugar
do mundo produz o que temos aqui. Nós ainda temos o compromisso com a
questão ambiental, de preservar os rios e produzir na área plana, o que é
outro diferencial nosso. Essa busca faz com que os envolvidos na
produção tenham uma maior organização e que a qualidade melhore”,
explicou.
AMÊNDOAS DE CACAU DO SUL DA BAHIA
Além do café, a Associação dos Produtores de Cacau
do Sul da Bahia busca o reconhecimento para as amêndoas de cacau da
região, presente em 83 municípios em uma área de aproximadamente 61.460
km², principalmente em Ilhéus, Itabuna, Camacan e Belmonte. Os dois
pedidos já estão avançados no INPI.
Um dos fundadores do projeto e dono dos chocolates
Maltez, José Maltez explica que os produtores de cacau buscam destacar o
produto.
Maltez explica que não há uma estimativa específica
de ganho, mas que os produtores têm conhecimento que o selo de qualidade
destaca o produto. “Quando se recebe o selo, quer dizer que o produto
tem uma qualidade superior. E é esse o reconhecimento que nós queremos
ter”, disse.
TABACO DO RECÔNCAVO
Com projeto mais recente, o Sindicato da Indústria
do Tabaco do Estado também busca reconhecimento ao charuto produzido no
Recôncavo baiano. Presidente da entidade, Ana Cláudia das Mercês afirma
que busca aumentar em 20% a produção anual de charuto nos dois primeiros
anos com o selo. Atualmente, a produção anual é de 15 milhões de
unidades.
O documento de pedido de denominação de origem foi
depositado no INPI em fevereiro deste ano. O prazo de primeira resposta é
de oito meses. O supervisor de produção da fábrica Menendez Amerino,
Joaquin Menendez, explica que o pedido busca estabelecer a diferença do
fumo produzido na Bahia para os outros lugares.
“O sabor, aroma, paladar e a forma de fazer do fumo
produzido na Bahia é único, não há outro igual no mundo”, disse
Menendez, que explicou que a qualidade varia de acordo com o solo, o
microclima, o índice pluviométrico, entre outras características.
PROPRIEDADE INDUSTRIAL
O chefe da divisão de exame técnico de identificação
geográfica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI),
Pablo Regalado, explica que o registro é produzido pelo governo federal
para expandir os produtos do Brasil, para que o consumidor faça a
ligação dos produtos às áreas geográficas que são produzidas, assim como
a área do champanhe, da França.
“É importante que os produtores atinjam esse
trabalho de expandir o produto junto ao mercado, mostrar a importância
desse reconhecimento e se torne conhecido por desenvolver esse produto”,
disse.
Regalado explica que não existe uma média de tempo
em que os produtos conseguem o reconhecimento frente ao instituto. “Cada
caso é um caso. Já tivemos grupos que vieram com todos os documentos e
conseguiram a certificação em nove meses. Existem outros que demoram
anos”, explicou.
Com relação aos três produtos que ainda precisam ser
aprovados pelo órgão, “o café em grão e as amêndoas de cacau estão em
fase de análise, com exigência de algumas informações”.
O instituto não realiza uma busca ativa de produtos
que possam vir a ser reconhecidos com o selo de identificação.
Associações e sindicatos ligados aos itens procuram o INPI demonstrando o
interesse em obter o selo. Uma lista de documentos é necessária, como a
descrição e características do produto, delimitação da área geográfica,
comprovação histórica, entre outros, que estão disponíveis no site do INPI.

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