DATA: 02/03/2017
Um dos projetos de pesquisa da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB) dentre os aprovados na recente Chamada Universal do CNPq, o estudo Uma abordagem interdisciplinar de aspectos ecológicos e comportamentais do camarão de água doce Macrobrachium olfersii deverá ser conduzido durante três anos. Os autores da proposta são os docentes do Grupo de Pesquisa em Carcinologia e Biodiversidade Aquática (GPCBio), coordenado pelo professor Fabrício Carvalho e composto pelos docentes Edison Rogério Cansi, Danielle Santos e Adriano Silva, do Campus Jorge Amado, em Itabuna.
O objetivo é estudar o Macrobrachium ofersii como um modelo para ampliar o conhecimento sobre questões ecológicas, morfológicas e comportamentais de crustáceos de água doce. A espécie escolhida é um dos camarões popularmente conhecidos como “pitu”, e é notável pela agressividade dos machos, que têm uma das quelas (as “garras”) muito maior que a outra (em latim, macrobrachium significa algo como “braço grande”), e por ser capaz de mudar a sua coloração rapidamente, para se esconder de predadores. O professor Fabrício afirma que esse camarão e outras espécies de camarão do grupo Macrobrachium são capturados por pescadores artesanais para alimentação. Conforme ele, esse camarão “não é a espécie mais pescada na região para essa finalidade”, mas tem características similares a outras espécies nativas e a outros crustáceos cultivados na aquicultura para comercialização.
Na capa do projeto, o camarão Macrobrachium olfersii, ou pitu, que vive em rios e será estudado pelo GPCBio
O coordenador do projeto explica que a existência de estudos prévios com oMacrobrachium olfersii favorece a confiança da identificação e validade dessa espécie. Outros motivos são o fato do pitu ser comum em rios da região Sul da Bahia e apresentar características biológicas como agressividade e comportamento críptico (isto é, a busca de áreas sombreadas e protegidas para evitar predadores); essas serão algumas das características comportamentais estudadas no projeto. A agressividade é um dos limitantes nas tentativas de criação de espécies de Macrobrachium na aquicultura. Além disso, conta o professor Fabrício, alguns aspectos da reprodução desse animal são similares às notadas em espécies de camarões de água doce pescadas ou criadas em cativeiro para alimentação humana. A equipe deverá definir locais de pesquisa em rios entre Itacaré e Una, após atividades de campo para reconhecimento das áreas.

Na capa do projeto, o camarão Macrobrachium olfersii, ou pitu, que vive em rios e será estudado pelo GPCBio

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