
Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
O Abade Sieyès era Vigário-Geral de Chartres e publicou o livro “O que é o Terceiro Estado?”, precursor da Revolução Francesa, que liderou por muito tempo, no Clube dos Jacobinos, na Convenção e no Comité de Salvação Pública. Acabou caindo em desgraça e terminou presidente do Senado e Cônsul, esmagado por Napoleão. Proscrito, só em 1830 retornou à França. Quando lhe perguntaram o que fez durante o “Terror”, respondeu: “Sobrevivi…”
A História não se repete senão como farsa, ignoramos o que vem por aí, mas o nosso Abade Sieyès tem nome e endereço: chama-se Michel Temer e mora no Palácio do Jaburu. Por enquanto, uma vez que sua carreira política aproxima-se do exílio e passa raspando pela desgraça. Tomara que se livre da guilhotina e termine Conde, como o religioso.
Temer fez sua carreira como constitucionalista e sempre pertenceu ao PMDB. Tornou-se vice-presidente da República na formidável virada que o fez companheiro de chapa de Dilma Rousseff no primeiro e segundo mandatos, posicionando-se como primeiro candidato ao terceiro. Seria presidente da República, mantida como certa a aliança do PT com o PMDB, em 2018. De repente, a débâcle.
LULA SEM CHANCES
Explica-se: ficou claro que, por conta de sítios e de triplex, o Lula perdeu as chances de disputar o palácio do Planalto mais uma vez, ficando Dilma impossibilitada constitucionalmente de disputar de imediato outro mandato. Sem ela e com o Lula fora do páreo, os companheiros não teriam outra alternativa senão o nosso Abade Sieyès. O diabo é que para sustentar-se como herdeiro do trono, ele precisaria dela. Apenas com performance no mínimo razoável de Madame, no segundo mandato, seu vice-presidente surgiria como solução natural.
Só que… Só que Dilma tem sido um fracasso. Logo depois de reeleita, ano passado, tornou-se a antítese do que vinha sendo. Na campanha, prometeu montes de realizações econômicas, políticas e sociais, mas não realizou nenhuma. Pelo contrário, continua desapontando. Por mais que seu vice continue falando em união nacional, a presidente configura a desunião.
Como conclusão, nem ela, por impossibilidade legal , nem ele, por falta de sustentação, chegam lá. Caso perguntem a Temer o que fará depois que algum outro candidato vencer, terá condições de responder, ao menos, “sobrevivi?…”
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