Kim Vaillancourt diz que só foi a hospital após mal estar por estar grávida.
Com câncer no cérebro, ela aguarda o parto para iniciar quimioterapia.
Kim e Phil Vaillancourt posam em sua casa em Tonawanda, NY, no dia 11 de março (Foto: AP Photo/Carolyn Thompson)Vaillancourt foi diagnosticada com glioblastoma após ir ao hospital por dores de cabeça e náuseas que surgiram durante o Natal. Se não fosse pela preocupação com o filho que espera, ela e o marido, Phil, dizem que a visita que salvou sua vida não teria acontecido.
Eles acreditam que a gravidez inesperada foi um presente dos céus.
Kim foi submetida a uma cirurgia para retirada de tumores, mas agora, para dar ao bebê que irão chamar Wyatt Eli a mesma chance que ele deu a ela, a mãe está adiando qualquer quimioterapia e radiação para evitar ameaçar o desenvolvimento do filho.
“Ela irá fazer o que puder para salvar a vida do bebê e dar a ele a vida mais saudável possível”, diz Phil Vaillancourt.
Os dias já estavam agitados na casa dos Vaillancourt, no subúrbio de Buffalo, em Tonwanda, estado de Nova York. O casal e seus filhos de 11 e 12 anos tinham passado o dia 23 de dezembro na Corte Familiar do Condado de Erie para a cerimônia de adoção que tornou três irmãs que abrigavam – de seis, sete e dez anos – membros permanentes de sua família.
Com cinco crianças em férias escolares, Kim normalmente não teria dado muita atenção a um mal-estar.
“Eu teria apenas pensado que estava com dor de cabeça e febre e teria ido para a cama”, diz a mãe de 36 anos. Mas, na metade de sua gravidez, ela se preocupou que o fato de não conseguir se alimentar pudesse privar o bebê dos nutrientes necessários, e por isso foi ao hospital para uma consulta.
Logo ela seria levada a uma cirurgia de emergência para a retirada de dois tumores que os médicos disseram que poderiam matá-la. Um havia crescido na parte da frente de seu cérebro. O outro estava perigosamente próximo de seu tronco cerebral, na parte de trás.
Phil
Vaillancourt mostra fotos da mulher, Kim, e de seus filhos em sua casa
em Tonawanda, NY, no dia 11 de março (Foto: AP Photo/Carolyn Thompson)Eles foram informados que o glioblastoma tem como característica tumores de crescimento rápido que costumam reaparecer dentro de 8 a 12 semanas. Com o parto previsto para 25 de abril, Kim tem sido submetida a exames de ressonância magnética a cada duas semanas para monitorar quaisquer sinais de nova atividade.
“Estamos rezando muito e confiando em Deus nessas próximas semanas para que esses exames se mantenham zerados”, diz Phil.
A doença é algo que Kim, que sempre cuidou de sua saúde e se preocupou com vitaminas e nutrição, jamais teria imaginado. Ela ri ao descrever sua longa prática em escrever mensagens de texto mantendo o celular o mais longe possível do corpo e diz que a família manteve o micro-ondas na garagem nos últimos dez anos, embora não existam provas cientificas de que celulares ou micro-ondas elevem o risco de câncer e seus receios sejam infundados.
É estranho, ela diz, agora buscar a cura em produtos químicos e radiação. Sem querer arriscar a saúde do bebê, o casal planeja iniciar o tratamento duas semanas após seu nascimento, esperando que os tumores não reapareçam antes disso.
Phil
Vaillancourt mostra fotos da mulher, Kim, e de seus filhos em sua casa
em Tonawanda, NY, no dia 11 de março (Foto: AP Photo/Carolyn Thompson)“Estamos vivendo um dia de cada vez”, diz Phil. “Mesmo se olharmos muito além no futuro, você só consegue ver o que ele parece que vai ser. Por que fazer isso então?”
Embora relativamente raro, o glioblastoma é o mais comum e agressivo tipo de tumor cerebral. Ele afeta cerca de 17 mil adultos nos Estados Unidos a cada ano, mas não é comum durante uma gravidez, segundo o dr. Robert Fenstermaker, neurocirurgião-chefe do Roswell Park Cancer Institute, em Buffalo.
No início de uma gestação, a mulher pode ser aconselhada a interromper a gravidez para poder realizar o agressivo tratamento, diz. Mais adiante, elas são submetidas a quimioterapia.
“É um câncer resistente”, diz Fenstermaker, que desenvolveu uma terapia com vacina para o glioblastoma que está agora em testes clínicos.
Os Vaillancourts encontraram forças em sua grande e próxima família e nas orações que fluíram depois que a luta deles se tornou conhecida.
“As pessoas envolveram esta família em seus corações”, diz Jenna Koch, uma amiga de infância, descrevendo uma campanha de arrecadação de fundos no site GoFundMe e uma série de eventos beneficentes e de arrecadação de dinheiro planejados para as próximas semanas.
Com tratamento, médicos dizem que pacientes com o grau severo de glioblastoma que atinge Kim tem uma sobrevivência média de 14 meses. Mas os Vaillancourts se apoiam em sua fé cristã.
“Espero estar lutando contra isso por anos e anos”, diz Kim. “Espero estar sentada aqui daqui a 30 anos, contando como superei isso”.
“Definitivamente acreditamos em milagres”, conclui Phil.
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