– Dilma e Lula se reúnem no Alvorada, no jantar dos afogados. É o pânico!
Além de se encontrar com a presidente da República, Lula, o que se pensa dono do Brasil e do povo, também fará reunião com Renan Calheiros (PMDB-AL), investigado em apenas seis inquéritos da Lava Jato
Agora
eles perderam de vez o senso de decoro, de ridículo, de tudo. Não há
mais distinção entre o governo, o PT e investigados da Operação Lava
Jato. Tudo, como disse o poeta, se estreita num abraço insano. A
presidente Dilma Rousseff janta nesta terça, no Palácio da Alvorada, com
Luiz Inácio Lula da Silva, que desembarcou em Brasília. É o pânico
chegando. Colaboração de ex-secretária da Odebrecht pode ser a bala de
prata contra Dilma. Já chego lá.
Ninguém
esconde o motivo da reunião: vão estabelecer uma estratégia para
enfrentar a Lava Jato. Não sou bobo. Sei como as coisas funcionam. Lula e
Dilma estão juntos. Desde 2003, um não pode alegar inocência sobre as
atitudes do outro. Mais ainda a partir do momento em que ele a fez
candidata à sua sucessão.
Se a Lava
Jato atinge a dupla, é razoável que conversem. Para isso, existem os
interlocutores. Que façam esse meio-campo. Quando Dilma recebe um
investigado em Palácio para traçar uma estratégia comum de enfrentamento
da Justiça e do Ministério Público, parece-me evidente que está
subordinado o seu governo a uma questão que é, de fato, de Polícia.
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Está, ademais, agredindo o decoro.
Mas o dono
do Brasil não está lá para falar só com a presidente da República.
Também o presidente do Senado e do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL),
vai conservar com o Poderoso Chefão. A prevalecer o voto já dado pelo
Supremo, a Casa pode barrar o impeachment se quiser sem nem submeter a
questão ao plenário. Uma simples comissão se encarregaria disso.
Eis Lula,
pego, como de hábito (mas, antes, poucos percebiam), descumprindo a
palavra. Na sexta-feira, no discurso em que posou de herói da
resistência, anunciou que cairia nos braços dos militantes: petistas,
cutistas, emessetistas etc.
Na terça,
lá está ele para uma conversa ao pé do ouvido com Dilma e com Renan
Calheiros. Como se nota, o homem vai à militância, mas só depois de ter
passado pelos respectivos chefes de Dois Poderes: Executivo e
Legislativo.
O
escândalo é de tal ordem que, na segunda, Lula fez uma reunião de
emergência com o comando do Instituto que leva seu nome. Estavam
presentes Paulo Okamotto e o ex-ministro da extinta Secretaria-Geral da
Presidência Luiz Dulci. Até aí, bem. Ambos estão envolvidos com a
instituição. Ocorre que Edinho Silva, nada menos do que ministro da
Comunicação Social, também participou do encontro. Ah, bem: ele é um
investigado da Lava Jato.
Bala de prata
O pânico da hora é a possível delação de Maria Lúcia Tavares, ex-secretária da Odebrecht, responsável pela expedição de “acarajés”, que a Força Tarefa diz ser dinheiro da propina.
O pânico da hora é a possível delação de Maria Lúcia Tavares, ex-secretária da Odebrecht, responsável pela expedição de “acarajés”, que a Força Tarefa diz ser dinheiro da propina.
Entre os
destinatários dos acarajés está o “Feira”, que, afirma a Força Tarefa, é
o marqueteiro João Santana. Recursos foram transferidos pouco antes e
depois da eleição de 2014 — já, portanto, no curso desse mandato.
Se isso
ficar evidenciado, a vaca vai para o brejo. Se, hoje, resta evidente,
Dilma já não tem condições de governar, imaginem como será caso isso se
verifique de fato.
Lula está
em pior situação pessoal do que Dilma porque as acusações contra ele
carregam componentes desmoralizantes, que remetem ao enriquecimento
pessoal, mas é claro que os dois estão igualmente enrolados.
Dilma
receber Lula em jantar, a esta altura, é um acinte, um escracho e uma
provocação. Mas talvez não tenha sobrado mais nada a eles que o abraço
de afogados.
Que afundem e nos deixem livres de sua desagradável presença.
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