MEDIÇÃO DE TERRA

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MEDIÇÃO DE TERRAS

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Supermercados convivem com os 'caçadores de validade'


Funcionários afirmam já reconhecer os clientes que costumam buscar produtos fora do prazo para receberem mercadorias de graça

por
LeiaJá
Publicada em TRIBUNA DA BAHIA
Foto: Paulo Uchôa/LeiaJáImagens
Supermercados são uns dos ambientes que mais estimulam o consumismo. Por lei e sob severas punições, esses estabelecimentos não podem comercializar produtos vencidos. Em Pernambuco, como em outros estados, se o cliente encontrar um artigo fora da validade, pode receber o mesmo produto, em condições adequadas, de forma gratuita e na mesma quantidade que desejava comprar.
De acordo com Flávio Sotero, Gerente de Fiscalização do Procon-PE, “esta é uma medida adotada pela Associação dos Supermercados e é válido para os estabelecimentos que aderiram ao Programa de Validade”. Ainda de acordo com Sotero, não há nenhuma lei que obrigue o estabelecimento a tomar esta medida, apenas que sejam comercializados produtos dentro do prazo.
A equipe do Portal LeiaJá visitou estabelecimentos do Recife e registrou que consumidores utilizam a medida com práticas julgadas de má fé por funcionários de supermercados.
“Tem gente que vive disso, fazendo essa prática. A equipe já conhece esses clientes”, contou o gerente de uma das lojas - localizada na Zona Norte da capital - de uma grande rede de supermercados, Diego Pena.
A encarregada de sessão, Edilene Magalhães, contou que essas pessoas vão à loja dias antes, analisam as datas e voltam no dia que os produtos vão vencer. “Eles chegam aqui antes mesmo da loja abrir, mas isso diminuiu porque foi adotado, pela rede, um sistema que realiza a brigada de validade, para fazer o controle de quando cada produto sai da validade”, explica.
Em outras lojas, a realidade é a mesma. “Tem até aqueles que escondem o produto pra no dia do vencimento voltar e apresentá-lo para levar outro de graça”, conta um gerente de um estabelecimento, no bairro de Casa Amarela, que não quis se identificar.
De acordo com o gerente Wellington Albuquerque, de supermercado situado no bairro da Encruzilhada, também na Zona Norte, “têm pessoas que andam a loja toda e não levam nada, somente observando as validades. A gente não considera essas pessoas clientes porque agem de má fé. Cliente é aquele que, por acaso, durante a compra, encontra o produto e nos informa”.
Os funcionários contam que não há data específica para essas pessoas aparecerem e é uma visita constante. Apesar de recriminarem a atitude dos 'caçadores de validade', todos os estabelecimentos visitados afirmaram que a medida é rigorosamente cumprida.
A realidade nos pequenos estabelecimentos
Nos mercados de bairro, a realidade difere um pouco. A medida não foi adotada oficialmente por eles, no entanto, cada proprietário adota uma regra.
Em uma estabelecimento comercial no bairro de Água Fria, a funcionária Márcia Maria conta que o que costuma acontecer são clientes que levam produtos comprados em outros estabelecimentos e buscam realizar a troca.
“Não é constante, mas acontece de trazerem outros produtos, às vezes até o que a gente não vende, para trocar. A gente troca por outro produto ou faz o ressarcimento”. Sem obrigação de tomar essa atitude, ela justifica que “para evitar maiores problemas, faço a troca ou ressarcimento”.

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