O Brasil desgovernado
Sérgio Paulo Muniz Costa - Jprnal do Commércio
Foi a anunciada guinada à esquerda de um governo que, por andar na esquerda, já estava na contramãoA decisão do STF no dia 17 de dezembro de 2015, que anulou o rito de impeachment votado na Câmara
de Deputados, é um episódio do processo de progressiva falência das
instituições nacionais. Justiça, parlamento e governo, os quais, por
definição, são as formas de organização duradouras que atendem às
demandas sociais por direitos, por representação política e pela
administração pública - constituindo o Estado com quem assinamos nosso
contrato social - não estão funcionando, simplesmente por que estão
negando direitos assegurados na Constituição, desrespeitando a vontade
do povo e dilapidando a coisa pública.
Se houvessem
funcionado não teríamos chegado à presente crise moral, política e
econômica. Se estivessem funcionando, teríamos uma perspectiva de
solução. O mais grave é que, sem funcionarem as instituições, não há
saída. Por isso o clamor para que voltem, urgentemente, a funcionar. É
fato inegável que a maioria dos brasileiros enxerga como primeiro passo
para a superação da grave crise nacional o afastamento, por meios
legais, da presidente da República. Esse é um direito do povo
brasileiro, constitucionalmente garantido, por meio de seus
representantes, em atendimento ao interesse geral da Nação.
Pressente o
País, no entanto, que o STF se incumbiu de barrar esse direito, quando
deveria assegura-lo. Pela segunda vez neste ano, impediu que a Câmara de
Deputados, autodenominada casa do povo brasileiro, deliberasse matéria
de sua competência, no caso, a instalação do processo de impeachment da
presidente da República, alterando, com base em casuísmo, o rito
implementado em 1992 e o procedimento liminar de 1999, sem que tenha
havido, de lá para cá, qualquer modificação no arcabouço constitucional e
regimental do Congresso que justificasse tal intervenção.
Tem-se que isso
se deveu ao aparelhamento do Estado brasileiro pelo PT nesses últimos
treze anos. Mas é difícil aceitar que esse aparelhamento, sozinho, tenha
sido responsável pela evidente deterioração institucional brasileira.
Há que se aduzir a corrupção, a qual, por ter se tornado tão ampla,
poderosa e profunda, acabou por implantar um verdadeiro regime no País,
de que ela é condição, meio e fim. Uma mistura de aparelhamento e
corrupção se entranhou no Estado brasileiro, o que, combinado à
formidável propaganda na imprensa dependente e à mobilização da velha
militância pelega e arruaceira, tem permitido a Dilma Roussef continuar
contrariando a sociedade, não só se mantendo no poder, mas por medidas
que aprofundam a crise sem precedentes que o País vive.
Com a vitória
no STF, ela, que ao longo do ano camuflou o aumento de despesas do
governo, insistiu em recriar a infame CPMF e negaceou o ajuste fiscal,
sentiu-se segura para trocar os titulares das pastas da Fazenda e do
Planejamento, mostrando que a direção da área econômica é efetivamente
sua, na moldura da “nova matriz” que já está no passado e leva o País a
uma catástrofe. Há tempos desapareceram dos ministérios personalidades
de notório saber e ilibado proceder que lhes emprestavam brilho e
excelência. Restaram os submissos e omissos, prontos a se sujeitarem a
constrangimentos e comporem conchavos.
Foi a anunciada
guinada à esquerda de um governo que, por andar na esquerda, já estava
na contramão. De olho no retrovisor, mete o pé no acelerador e se solta
na banguela, fazendo de tudo para sair da pista e capotar à margem da
estrada da História. Cada motorista tem a viagem que merece. Mas
tratemos de nos desengatar desse treminhão desgovernado dirigido por
Dilma Roussef.
O Brasil precisa de outro condutor que o leve com segurança ao destino que escolheu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário