Anunciado nesta segunda-feira como o novo secretário executivo do
Ministério da Fazenda, Dyogo Henrique Oliveira é alvo da Operação
Zelotes que apura suposto esquema de compra de medidas provisórias nos
governos Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. O Ministério
Público Federal pediu em outubro as quebras dos sigilos bancário e
fiscal dele entre 2008 e 2015, o que teria sido autorizado pela Justiça
Federal, segundo investigadores. O processo tramita sob sigilo.
Atual “número 2” do Ministério do Planejamento, Oliveira é citado na
investigação como possível elo, no governo federal, dos lobistas
suspeitos de “comprar” medidas provisórias. As provas já colhidas
apontam que os lobistas tinham contatos no Palácio do Planalto e em ao
menos dois ministérios para, supostamente, tratar da edição das normas,
que concederam incentivos fiscais a montadoras de veículos.
Oliveira já era braço-direito de Nelson Barbosa, que o manteve no
cargo mesmo depois que seu nome foi citado na Zelotes. Agora, irá
acompanhar Barbosa na Fazenda.Oliveira era secretário-adjunto de Direito Econômico do Ministério da
Fazenda em 2009 e 2011, quando foram discutidas, editadas e aprovadas
as MPs 471 e 512, que estão sob suspeita de “encomenda” e que ampliaram o
prazo de incentivos fiscais dados à montadoras de veículos instaladas
no Norte, Nordeste e Centro Oeste.
Ele é citado em notações do lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS,
nas quais registrava dados sobre a negociação das normas. Num dos
trechos, ele anotou “Diogo/José Ricardo”, seguido de “Secretaria de
Política Econômica” e “SPE”. Num documento de 2011, a Marcondes e
Mautoni Empreendimentos, empresa que teria atuado na compra das MPs,
também registra uma reunião com Dyogo entre 28 e 31 de março.
O sócio da
Marcondes, o lobista Mauro Marcondes, e APS estão presos e já foram
denunciados por envolvimento no esquema. Marcondes também é investigado
pelo repasse de R$ 2,5 milhões à uma empresa de Luís Claudio Lula da
Silva, filho do ex-presidente Lula no mesmo período da edição de MPs de
interesse do setor automotivo.
REUNIÕES. Em nota ao Estado em
outubro, Dyogo afirmou que como secretário da Fazenda, tinha como uma de
suas atribuições “manter reuniões regulares com diversos setores
produtivos, durante as quais esclarecia aspectos legais e técnicos das
medidas econômicas em debate”. Ele assegurou que “não mantém qualquer
tipo de relacionamento com as pessoas citadas como lobistas pela
imprensa e que está à disposição para prestar esclarecimentos às
autoridades da investigação”.
Em relação às investigações acerca da MP 471, disse que à época da
edição ocupava o cargo de secretário-adjunto de Política Econômica do
Ministério da Fazenda. “Era comum, também, a discussão sobre o prazo de
duração de eventuais benefícios fiscais, que a Lei de Diretrizes
Orçamentárias (LDO), desde 2001, limita em, no máximo, cinco anos.”

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