BLOG ORLANDO TAMBOSI
Não foi Bernard Arnault que subiu, mas Elon Musk que caiu; mesmo assim, fortuna de 186 bilhões de dólares não é nada mal para quem vende bolsas. Vilma Gryzinski:
Imaginem
uma mulher muito rica que vai fazer uma viagem marítima: sobe a bordo
iate da Princess Yatches onde as malas Louis Vuitton já foram
embarcadas, usa um anel de serpente da Bulgari e uma riviera de
diamantes da Tiffany no pulso, perfume Dior, bolsa Celine, sandálias
Fendi, uma echarpe de cachemir da Loro Piana leve como uma nuvem
envolvendo o vestido Givenchy que trocará, a bordo, por um maiô Pucci.
Poderá brindar com champanhe de pelo menos cinco marcas famosas, tomar
um Cheval Blanc ou um sublime Chateau D’Yquem e encerrar tudo com um
Hennessy.
Com cada uma dessas marcas, estará contribuindo para os 186 bilhões de dólares que colocaram Bernard Arnault, pelo menos temporariamente, no topo da lista dos mais ricos do mundo, desbancando um Elon Musk dividido entre a queda nas ações da Tesla e seu novo brinquedo, o Twitter.
Ao
contrário de vários companheiros de lista, Arnauld, já nasceu rico
(embora nada comparável ao nível das grandes fortunas atuais), não
pretende lançar voos espaciais nem dominar o mundo digital.
Ele
vende coisas e se especializou em marcas de luxo que agregam valor numa
escala absurda aos olhos dos mortais comuns. Preocupa-se com detalhes
como os zíperes das bolsas Louis Vuitton. Cada modelo novo passa por uma
“máquina de tortura” que inclui abrir e fechar o zíper cinco vezes a
cada minuto durante três semanas. O protótipo também é sacudido, jogado e
esmagado.
“Uma coisa é falar de qualidade, mas se você quer quer sua marca seja atemporal, tem que ser fanático”, explica.
Outro
conselho: “Digo sempre a minha equipe que devemos nos comportar como se
ainda fôssemos uma startup. Não se enfie no escritório. Fique em campo
com os clientes ou com os criadores enquanto trabalham”.
Ele fala e prova. Todos os sábados, Arnault visita até 25 lojas, próprias e da concorrência.
O
“método Arnault” foi consolidado desde que conseguiu do pai 15 milhões
de euros para comprar a empresa mãe de uma marca histórica, já corroída
pela decadência, a Dior (a maison de alta costura veio mais tarde).
Aprendeu a mirar em grifes com muito passado e pouco futuro,
reconstituí-las financeiramente, contratar e lidar com os espíritos
criativos – “Que sempre vão se sentir presos em grandes marcas” – e “se
possível, levá-las ao topo”.
“Sou muito competitivo. Quero ganhar sempre”, diz, sem nenhuma surpresa.
Arnault
também se orgulha de remar na corrente oposta da globalização:
“Produzimos na Itália e na França e vendemos na China, enquanto
normalmente é o contrário”.
É
claro que já apareceram histórias dizendo que não é bem assim, algumas
etapas são terceirizadas para países europeus com salários mais baixos.
Aos
73 anos, ele está pensando na sucessão e como garantir a sobrevivência
do império do luxo quando for distribuído entre os cinco filhos de dois
casamentos. Foi esse um dos motivos para tentar a cidadania belga, com a
qual teria condições sucessórias mais favoráveis, processo responsável
pela manchete famosa do jornal Libération: “Cai fora, rico de *****”.
No dia seguinte, o jornal provocou: “Bernard, se você voltar, esquecemos tudo”.
Arnault acabou desistindo do processo contra o Libé e da cidadania belga.
Ser
rico num país como a França, onde a cada meia hora tem uma manifestação
de esquerda – ou similar – e inexiste o culto ao sucesso tal como
floresceu nos Estados Unidos, exige certas cautelas.
Arnault
aparece relativamente pouco em comparação com seu grande rival no mundo
do luxo, o outro “ault” ou “ô”, François-Henri Pinault, casado com a
atriz Salma Hayek.
Os
dois disputam também quem é o maior mecenas. Pinault entrou no campo
duvidoso da arte contemporânea, reformando a antiga Bolsa de Valores, e
Arnault exibe a espetacular Fundação Louis Vuitton, um projeto futurista
de Frank Gehry.
A
era dos grandes museus de formas provocantes parece um pouco passada e
esta é a batalha eterna do dono de setenta marcas de luxo: mantê-las
relevantes num mundo em permanente mutação. A bolsa “aspiracional” já
foi Louis Vuitton, depois Gucci, depois Bottega Veneta e assim gira a
roda.
Ter 180 bilhões de dólares e entender absolutamente tudo do mercado de luxo ameniza um bocado as demandas dessa batalha eterna.
Postado há 2 hours ago por Orlando Tambosi

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