Andaimes
em cima de escadas rolantes, trabalho realizado madrugada adentro,
plataforma elevatória transportada por caminhão terra-via e muito
cuidado em cada detalhe. Esse é o cenário da restauração das obras de
arte instaladas na estação Paraíso do Metrô de São Paulo, que se encerra
neste mês de dezembro. A primeira fase da terceira edição do projeto
Conservação de Obras de Arte em Espaços Públicos já está chegando ao fim
e entregará para a cidade nove do total das 12 obras previstas, três na
estação Palmeiras-Barra Funda e seis na Paraíso. Com isso, 100% das
instalações existentes na Paraíso estarão conservadas – seis nesta
edição do projeto e duas na anterior.
Com patrocínio de Coop, Tereos, Fleischmann, Cargo X, Bimbo e PremieRpet®, e apoio do ProAC – Programa de Ação Cultural e da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, o projeto, idealizado pelo produtor Eduardo
Lara Campos e realizado em parceria com o escritório Júlio Moraes
Conservação e Restauro, tem como intuito conscientizar o cidadão sobre
as obras de arte presentes em seu entorno.
Iniciada
em outubro último, a terceira edição do projeto, que pela segunda vez
se debruça sobre ícones paulistanos instalados nas estações do Metrô de
São Paulo, tem previsão de término em abril de 2023. Nos próximos quatro
meses será a vez das obras localizadas nos metrôs Brás, São Bento,
Consolação e Clínicas passarem pelo mesmo processo. De acordo com os
organizadores do projeto, as três últimas obras a serem recuperadas,
incluindo os quatro painéis de Tomie Ohtake (Quatro Estações),
localizados na estação Consolação, além da importância artística e
cultural, são de extrema complexidade.
Obras recuperadas até dezembro:
Outubro:
- Painel de Claudio Tozzi, Movimento, de 1990;
Técnica: acrílica sobre tela;
Estação: Palmeiras-Barra Funda, Linha 3-Vermelha.
- Painel de José Roberto Aguilar, Os Senhores do Movimento, de 1990;
Técnica: acrílica sobre tela;
Estação: Palmeiras-Barra Funda, Linha 3-Vermelha.
- Painel de Valdir Sarubbi, Meditação Labiríntica, de 1990;
Técnica: acrílica sobre tela e madeira;
Estação: Palmeiras-Barra Funda, Linha 3-Vermelha.
- Mural de Odiléia Toscano, Raios de Sol, de 1990 e 1991;
Técnica: acrílica sobre concreto;
Estação: Paraíso, Linha 2-Verde.
- Mural de Odiléia Toscano, Sem Título, de 1990 e 1991;
Técnica: acrílica sobre concreto;
Estação: Paraíso, Linha 2-Verde.
- Mural de Odiléia Toscano, Sem Título, de 1990 e 1991;
Técnica: acrílica sobre concreto;
Estação: Paraíso, Linha 2-Verde.
- Mural de Odiléia Toscano, Sem Título, de 1990 e 1991;
Técnica: acrílica sobre concreto;
Estação: Paraíso, Linha 2-Verde.
- Mural de Odiléia Toscano, Sem Título, de 1990 e 1991;
Técnica: acrílica sobre concreto;
Estação: Paraíso, Linha 2-Verde.
- Mural de Odiléia Toscano, Sem Título, de 1990 e 1991;
Técnica: acrílica sobre concreto;
Estação: Paraíso, Linha 2-Verde.
Obras a serem recuperadas e cronograma:
Janeiro e fevereiro:
- Instalação de Amélia Toledo, Caleidoscópio, de 1999;
Técnica: aço inoxidável, verniz poliuretano e corantes;
Estação: Brás, Linha 3-Vermelha.
Fevereiro e março:
- Painéis de Tomie Ohtake, Quatro Estações (4 painéis), de 1991;
Técnica: mosaico em tésseras de vidro;
Estação: Consolação, Linha 2-Verde.
Abril:
- Painéis de Odiléia Toscano, Sem Título (a mesma obra com 2 painéis), de 1990;
Técnica: acrílica e tintas sintéticas sobre chapas recortadas de metal; Estação: São Bento, Linha 1-Azul.
*O Ventre da Vida, de Denise Millan
A
obra O Ventre da Vida, conservada no projeto anterior, não está
pulsando de acordo pela falta de uma tecnologia atual de lâmpadas lead. A
questão será resolvida nesta edição do projeto.
Registro em detalhes
Como
ocorreu nas duas edições anteriores, todo o processo de recuperação
está sendo registrado em detalhes em fotos e vídeos, e será editado um
catálogo digital e impresso. Todo esse material resultará ainda na
websérie Conservação das Obras de Arte do Metrô, que contará com um total de 10 episódios e será distribuído gratuitamente no YouTube, Facebook e Instagram.
Eduardo
Lara Campos explica que será elaborado um material bastante rico e
completo de todo o processo, começando com registros do antes, durante e
depois da execução da conservação das obras. Além disso, a websérie
produzida terá por finalidade apresentar, por meio de imagens das obras e
do processo de conservação, entrevistas, imagens do acervo da
biblioteca do Metrô e pesquisas, uma breve história sobre o artista,
abordando temas culturais e rotineiros do Metrô e da cidade de São
Paulo.
“Diariamente,
em torno de 2,8 milhões de pessoas passam pelo Metrô de São Paulo. Em
decorrência do tempo e dos atos humanos, parte do acervo instalado nas
estações está deteriorado. O Patrimônio Histórico é uma importante
ferramenta de desenvolvimento da sociedade para a construção de sua
identidade. Preservá-lo, além do compromisso com o passado, é um
importante ativo que uma cidade pode explorar como oportunidade de gerar
valor sobre a própria cultura”, destaca Lara Campos.
Histórico do projeto
Iniciado em 2018, projeto Conservação de Obras de Arte em Espaços Públicos já entregou 66 esculturas conservadas. Na
primeira edição, foram 45 obras em locais como Praça da Sé, Parque
Trianon e Parque do Ibirapuera e, na segunda, 21 do acervo do Metrô
instaladas nas estações Clínicas, Trianon-MASP, Santos-Imigrantes,
Paraíso, República, Tucuruvi, Pedro II, Vila Madalena e Jardim São
Paulo-Ayrton Senna.
Nesse período, destacam-se importantes obras da capital paulistana, como Abertura (1970), de Amilcar de Castro; Emblema de São Paulo (1979), de Rubem Valentim; O Voo,
de Caciporé Torres; além do Marco Zero da cidade, prisma hexagonal
revestido de mármore e bronze, idealizado por Jean Gabriel Villin e
Américo Neto, instalado no centro geográfico de São Paulo. Esta última,
passou duas vezes pelo processo de conservação por conta de um acidente
que ocorreu na Praça da Sé antes do aniversário de 465 anos de São
Paulo, em 2019.
Ainda
na primeira edição, concluída em junho de 2019, o projeto recuperou 30
obras do Jardim de Esculturas do MAM São Paulo, no Parque Ibirapuera, um
dos principais acervos brasileiros expostos a céu aberto. Por lá
figuram monumentos projetados por importantes nomes da cena
contemporânea do País, como Aranha (1981), de Emanoel Araújo; Carranca (1978), de Amilcar de Castro; Sete ondas – uma escultura planetária (1995), de Amelia Toledo; Cantoneiras (1975), de Franz Weissmann; e Corrimão (1996), de Ana Maria Tavares.
“A
conservação em si, além de manter as obras, impede que o processo de
degradação aumente. Toda vez que algum tipo de depredação é iniciado, a
tendencia é que, infelizmente, isso sirva de estímulo para que outros
façam o mesmo, inclusive em outras obras do entorno. É preciso que haja
de forma perene esse tipo de ação para mostrar a importância da
preservação da arte e da cultura no cotidiano das pessoas. É mandatório
estimular a civilização perante o patrimônio cultural”, finaliza Eduardo
Lara Campos, diretor da Sequoia Produções.
Os documentários produzidos nas duas edições anteriores do projeto podem ser conferidos no Youtube:
“Conservação de Esculturas em Espaços Públicos na Cidade de São Paulo” e “Conservação de Obras de Arte do Metrô”.
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