A Agência Tatu analisou os dados divulgados pelo IBGE e
constatou que em 2010 os nordestinos totalizavam 53.081.950 habitantes,
enquanto em 2022 passou para 54.644.582, o que representa 2,94% a mais.
Já a população do Centro-Oeste era de 14.058.094 habitantes e em 2022
somaram 16.297.809, um crescimento de 15,86%.
Como
já apontado pela Agência Tatu, mais de 76% dos municípios do Nordeste
contabilizaram uma população menor que a estimativa de 2021. Leia aqui.
Crescimento desigual
O
professor e economista Cícero Péricles enfatiza que as regiões do
Brasil sofrem com o movimento desigual de crescimento populacional. “A
busca de oportunidades, a possibilidade de encontrar trabalho em outro
estado, de alcançar uma renda capaz de levar a família e a perspectiva
de melhorar seu padrão de vida estimulam o movimento migratório de uma
região para outra. O Nordeste, marcado historicamente por baixos
indicadores sociais, sempre se caracterizou como região de imigração”,
explica.
Péricles
lembra que no primeiro Censo do Brasil, em 1872, o Nordeste concentrava
47% da população brasileira, o Centro-Oeste apenas 2% e o Sudeste 20%,
mas que o cenário mudou radicalmente. Em 2023, o Nordeste tem 27% da
população do país, o Centro-Oeste subiu para 8% e o Sudeste para 42%. A
expansão do agronegócio do Centro-Oeste é considerada um dos motivos
para a ida de milhares de trabalhadores de diferentes estados do país,
incluindo os do Nordeste, para aquela região.
Oportunidade x distância da família
Juan
Gomes é um desses trabalhadores. Em 2016, aos 21 anos, saiu do
município de Santana do Mundaú, interior de Alagoas, e foi para o estado
de Mato Grosso. Lá, foi contratado por uma produtora agrícola, onde
conseguiu se qualificar, passando pela função de auxiliar de serviços
gerais, lubrificador e hoje atua como mecânico. Juan só reencontra a
família quando tem férias e consegue viajar, no máximo, uma vez ao ano.
“A
minha maior dificuldade é estar longe da família, porque sinto muita
falta do meu filho e da minha esposa. A internet nos ajuda um pouco a
matar a saudade, mas é muito doloroso ficar longe de quem amamos.
Pretendo continuar mais um pouco por aqui, mas quero retornar e buscar
outros meios”, relata o jovem.
A
situação do alagoano representa o que o professor Cícero Péricles
explana sobre o impacto da migração na região de origem dos
trabalhadores. “A migração retira a capacidade produtiva dos estados
nordestinos e penaliza a dinâmica econômica dos pequenos municípios, que
são os mais pobres”.
Soluções
Algumas
soluções para o Nordeste, apontadas por Cícero Péricles, seriam
desenvolver setores empregadores de mão de obra e geradores de dinâmica
local, como a agricultura familiar, a construção civil e as atividades
de pequenas e médias empresas vinculadas ao mundo urbano, o que
aumentariam as possibilidades de emprego na região.
“A
mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE revela
que 3 milhões de nordestinos estão desempregados, que 2,4 milhões estão
no desalento, ou seja, pessoas que desistiram de procurar emprego e
mais 2 milhões trabalham em tempo parcial, ou seja, estão no subemprego.
São 7,4 milhões de nordestinos potencialmente candidatos à migração”,
acrescentou.
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