Aos 91, Sowell não participa de todas as guerras culturais que chegam ao noticiário, mas seus livros e outros escritos são uma resposta permanente a muitas ideias-zumbis que simplesmente não morrem. Kyle Smith para National Review, com tradução para a Gazeta do Povo:
"Os
intelectuais dão às pessoas que têm a desvantagem da pobreza a
desvantagem adicional de um sentimento de vitimização", escreveu Thomas
Sowell, que cresceu na pobreza e ficou órfão na primeira infância. Dando
continuidade ao pensamento no livro ‘Intelectuais e Sociedade (2010)’,
ele refletiu sobre os danos causados por aqueles que são supostamente
mais inteligentes:
“Eles
encorajaram os pobres a acreditar que sua pobreza é causada pelos ricos
— uma mensagem que pode ser um aborrecimento passageiro para os ricos,
mas uma desvantagem duradoura para os pobres, que podem ver menos
necessidade de fazer mudanças fundamentais em suas próprias vidas que
poderiam ajudá-los, em vez de concentrar seus esforços em puxar os
outros para baixo.”
Aos
91, Sowell não participa de todas as guerras culturais que chegam ao
noticiário, mas seus livros e outros escritos são uma resposta
permanente a muitas ideias-zumbis que simplesmente não morrem. Em
particular, muito de seu trabalho é uma espécie de pré-refutação às
várias formas de pleito racial especial que passaram a circular sob o
nome de teoria racial crítica.
Em
sua biografia intelectual ‘Maverick: A Biography of Thomas Sowell’, o
colunista do Wall Street Journal Jason L. Riley nos lembra que a maioria
das controvérsias atuais são simplesmente reformulações antigas, e
Sowell fez uma carreira brilhante expondo o pensamento preguiçoso por
trás delas. “Quando penso em sua escrita, penso em uma palavra:
clareza”, disse o colunista Fred Barnes sobre Sowell. Um dos truques
usados pelos proponentes da teoria racial crítica é afirmar que seus
postulados são tão complicados que seria tolice tentar resumi-los. Ainda
assim, eles se resumem a uma teoria da conspiração desgastada sobre a
força supostamente exploradora da supremacia branca e um apelo por
preferências e subsídios baseados na raça que se estendem pela
eternidade. Sowell viu gente como os demagogos da raça de hoje há
décadas. “A comunidade negra há muito tempo é atormentada por oradores
fascinantes que sabem como transformar as esperanças e os medos dos
outros em dólares e centavos para si mesmos”, escreveu Sowell no livro
‘Black Education: Myths and Tragedies’ (1972), em palavras ainda mais
apropriadas hoje:
“A
retórica, a moral e o estilo de vida militantes atuais são
dolorosamente antigos para mim. Já vi as mesmas entonações, a mesma
cadência, as mesmas técnicas de manipulação da multidão… e vi os mesmos
messias dirigindo seus Cadillacs e tendo suas fotos publicadas no
jornal.”
Sowell conheceu as indignidades da segregação quando estava crescendo e mais tarde quando estava estudando na escola noturna da Howard University em Washington, D.C., no início dos anos cinquenta. Havia restaurantes onde apenas brancos podiam sentar-se e negros comiam em pé, nos balcões. Ele se recusou a frequentá-los. O que ele viu no corpo discente, no entanto, também o deixou chocado: Sowell frequentou a universidade negra porque ele pensava que tal instituição era onde ele poderia dar a maior contribuição para sua raça, mas para onde ele olhava ele via alunos "preguiçosos, desonestos, rudes e irresponsáveis”, cujo mau comportamento era tolerado por uma escola que “cede aos seus piores hábitos”. Ele começou a odiar instrutores brancos condescendentes que faziam muitos argumentos do tipo "dê uma chance aos pobres” e avisos de que “você não pode esperar muito deles". O racismo dos padrões baixos não é novo. Em vez de agrupar estudantes negros em estudos raciais onde as expectativas seriam consideradas mínimas, ele disse que as universidades deveriam incentivá-los a estudar medicina, direito e administração de empresas. Ele previu que os estudos para negros se tornariam "meramente um eufemismo para centros políticos negros sediados em faculdades".
Em
1954, quando a Suprema Corte emitiu a decisão Brown v. Board, Sowell
disse que foi o único em uma discussão em classe que argumentou que
acabar com a segregação não seria nada uma panaceia. “Eu sabia que os
obstáculos para o avanço dos negros envolvia mais do que a
discriminação”, disse ele. “Me incomodava que parecesse que estávamos
constantemente buscando aceitação e validação por parte dos brancos —
qualquer pessoa branca, em qualquer lugar.”
Políticas
como ação afirmativa e reparações pela escravidão e o ativismo baseado
em queixas que hoje se reúne sob o nome de Black Lives Matter vieram do
que Sowell pensou ser um impulso absurdo por esmolas e validação branca.
Ele também não via muito sentido em explorar os sentimentos de culpa
dos progressistas brancos. “A regeneração moral dos brancos pode ser um
projeto interessante”, disse ele, “mas não tenho certeza se temos tanto
tempo de sobra. Aqueles que lutaram nesta frente são muito parecidos com
os generais que gostam de voltar a lutar na última guerra em vez de se
preparar para a próxima.”
Quando
Sowell foi admitido em Harvard, um de seus professores de redação, o
poeta Sterling Brown, disse a ele: "Nunca volte aqui e me dizendo que
você não conseguiu vencer porque os brancos são maus". Sowell chamou
isso de “o melhor conselho que eu poderia ter recebido”. Em 1964, ele
escreveu a um estudante negro de graduação, em uma carta que Riley cita
extensamente, que as demandas por “tratamento especial” eram piores do
que inúteis. Eles foram, e continuam sendo, contraproducentes:
“Quando
todas as leis forem aprovadas e todos os portões abertos, o resultado
final será um tremendo anticlímax, a menos que haja uma mudança drástica
de atitude entre os negros.”
Sowell
alertou profeticamente que a pressão dos anos 1960 por tratamento igual
se transformaria em uma demanda por tratamento especial. Ele escreveu,
em uma carta à New York Times Magazine, em 1963, que criar padrões
diferentes para os negros seria um erro:
“Pessoas
que há anos tentam dizer aos outros que os negros basicamente não são
diferentes de ninguém, não devem perder de vista o fato de que os negros
são como todos os outros, querendo algo em troca de nada. O pior que
poderia acontecer seria cultivar esperanças de realmente conseguir
isso.”
Riley
observa que antes dos anos 1960, esse era o conselho padrão. Os meios
de comunicação negros viam isso como um objetivo central para elevar o
padrão entre os negros. Jornais como o Chicago Defender publicariam
dicas periódicas destinadas a migrantes internos negros do Sul: “Não use
linguagem vulgar em lugares públicos”, “Não tenha preguiça. Consiga um
emprego imediatamente.” Os intelectuais negros abandonaram amplamente
esse foco no autoaperfeiçoamento em favor de uma política de
vitimização.
Hoje,
nobres progressistas brancos e colunistas do New York Times pedem o
desfinanciamento da polícia, enquanto os negros discordam veementemente;
uma pesquisa de Minnesota descobriu que, embora um terço dos eleitores
brancos gostasse da ideia de reduzir o tamanho da força policial, apenas
14% dos negros concordavam. Décadas antes, Sowell destacou a NAACP
(Associação Nacional para o Progresso das Pessoas de Cor) por seguir o
exemplo dos “progressistas brancos na imprensa e na filantropia” e
“constantemente tomar posições exatamente opostas à comunidade negra
sobre o crime, as cotas, os ônibus”. Em uma entrevista de 1980 ao
Washington Post, Sowell usou um termo surpreendente, "capitães do mato",
para os negros que favoreciam as visões progressistas-brancas sobre
esses assuntos, aparentemente virando as costas para os negros comuns em
sua busca pelo carinho de líderes brancos.
As
ideias de Sowell, observa Riley, têm raízes profundas. O intelectual
negro W. E. B. Du Bois (1968-1963), por exemplo, teria pouca paciência
com o Black Lives Matter. Du Bois observou em 1895 que, na era
pós-escravidão, o mundo "pedia pouco" aos negros e "eles respondiam com
pouco". Exterminar o preconceito não faria muita diferença, a menos que
os negros aprendessem a "se esforçar mais" e abandonassem "a desculpa
onipresente para o fracasso: o preconceito".
Frederick
Douglass cunhou a famosa frase em 1865: “Todo mundo fez a pergunta… ‘O
que devemos fazer com o negro?’”Sua resposta, disse ele, sempre foi a
mesma:“Não faça nada conosco!(…) Se as maçãs não permanecerem na árvore
por conta própria, se forem comidas pelas larvas, se amadurecerem
precocemente e caírem, que caiam! (…) E se o negro não consegue se
sustentar nas próprias pernas, que caia também. Tudo que eu peço é que
dê a ele a chance de se sustentar com as próprias pernas.” Como Booker
T. Washington afirmou no livro ‘Up from Slavery’, os negros devem
receber todos os privilégios de outros cidadãos, “mas é muito mais
importante que estejamos preparados para o exercício desses
privilégios”. Hoje em dia tudo isso soa como conservadorismo radical;
antigamente parecia senso comum.
BLOG ORLANDO TAMBOSI
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