Jair Bolsonaro foi ofendido e o Itamaraty sequer protestou
Carlos Newton
No final do ano a notícia foi destaque em toda a mídia, que repercutiu a nomeação feita anualmente por um consórcio internacional de jornalistas denominado OCCRP (Organized Crime and Corruption Reporting Project). A justificativa é inaceitável, porque diz que o presidente Jair Bolsonaro “se cercou de figuras corruptas, usou propaganda para promover sua agenda populista, minou o sistema de justiça e travou uma guerra destrutiva contra a região da Amazônia que enriqueceu alguns dos piores proprietários de terras do país”.
A organização internacional assinala que o chefe do governo brasileiro venceu “por pouco” outros dois candidatos ao “prêmio” do consórcio – o presidente dos EUA, Donald Trump, e o premiê turco, Recep Erdogan.
TRÊS AUTOCRATAS – “Os finalistas lucraram com a propaganda, minaram as instituições democráticas em seus países, politizaram seus sistemas de justiça, rejeitaram acordos multilaterais, recompensaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia”, afirma o texto.
O júri afirmou que Bolsonaro foi destacado por “sua hipocrisia”, dizendo que o presidente alçou o poder prometendo combater a corrupção, mas se envolveu com corruptos e acusou outros da prática do crime.
“A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados de roubar do povo”, destacou Drew Sullivan, editor do OCCRP e membro do júri.
INDICAÇÃO ERRADA – Bem, com todo o respeito ao júri que consagrou Bolsonaro como o maior do mundo, essa indicação está totalmente equivocada e merecia uma resposta enérgica e radical por parte do Itamaraty e de todo o país.
Nada do que foi dito sobre o presidente brasileiro é verdade, salvo o chamado esquema das rachadinhas e funcionários fantasmas, que foi introduzido nos gabinetes parlamentares da família, mas não se trata de criação deles, que apenas entraram na onda.
OUTRO GRAVE ERRO – Também não é justo dizer que “o presidente alçou o poder prometendo combater a corrupção, mas se envolveu com corruptos e acusou outros da prática do crime”.
Na verdade, ele não se envolveu, apenas contribuiu para que o pacote anticrime do ministro Sérgio Moro fosse transformado em leis a favor do crime, e apoiou discretamente o fim da prisão após segunda instância, que transformou o Brasil no único país da ONU a adotar essa norma a favor dos envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro.
ALIADOS MILICIANOS – Não é verdade, ainda, que a família Bolsonaro esteja aliada a milicianos, conforme o comitê denunciou. Isso é coisa do passado. Tanto assim que o principal miliciano referido, o ex-capitão Adriano da Nóbrega, estava foragido e morreu oportunamente ao reagir à polícia em outro estado.
Também não é verdadeira a informação de que o presidente era ligado a outros milicianos acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL). E o fato de o miliciano-chefe ser vizinho do presidente e de seu filho 02 no mesmo condomínio é mera coincidência, como se diz nos filmes de Hollywood inspirados em fatos reais.
Aqui no Brasil todos sabem que a família abandonou o crime faz tempo, tendo lavado a fortuna com dinheiro vivo e feito sólidos investimentos no mercado financeiro. Por tudo isso, o país precisa repudiar com vigor essa injustificada indicação do comitê internacional de jornalistas.
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