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Scott Adams ridicularizava a pandemia e prejudicou Trump
Sandra Cohen
G1 Política
O radiologista Scott Atlas caiu nas graças do presidente Trump ao dar repetidas entrevistas na Fox News sobre a pandemia do novo coronavírus. Falavam a mesma língua, compartilhavam as mesmas crenças. Convidado em agosto para ser conselheiro especial do presidente para a Covid-19, o médico rapidamente entrou em choque com integrantes da força-tarefa e renomados infectologistas, atordoados com a sua falta de rigor científico.
A breve e controversa passagem de Atlas pela Casa Branca foi um desastre. Desde que ingressou até segunda-feira, quando pediu demissão, o número de pessoas infectados no país dobrou e mais 101 mil americanos morreram, totalizando 268 mil. Os EUA registram 1 milhão de novos casos por semana, cerca de 93 mil estão hospitalizados com a doença.
IDEIAS ALOPRADAS – Atlas bateu de frente com o epidemiologista Anthony Fauci, considerado o principal especialista do país, que já serviu a seis presidentes. Trump, contudo, preferiu ouvir seu novo conselheiro e acatar ideias desprezadas pela comunidade científica.
Num post removido pelo Twitter, o médico menosprezou a eficácia das máscaras faciais para frear a doença. Alardeou o contestado conceito de “imunidade de rebanho” – deixar o vírus se espalhar, protegendo os mais vulneráveis, para que o maior número de pessoas seja exposta e produza anticorpos contra ele.
Associou o aumento da doença à testagem sistemática, criticou o isolamento para os portadores assintomáticos, defendeu a reabertura da economia, das escolas e o retorno de jogos de futebol universitário. E Trump acatava estas ideias como uma estação repetidora.
DEMISSÃO COMEMORADA – Sua demissão veio como alívio praticamente unânime entre autoridades de saúde, que não consideram Atlas fonte confiável para lidar com o novo coronavírus. A Universidade Stanford, que abriga o think tank conservador Hoover Institution, do qual Atlas se licenciou enquanto estava na Casa Branca, tomou distância das opiniões do radiologista.
A equipe de saúde de Joe Biden saudou a demissão do conselheiro do governo. “Você não iria a um podólogo por causa de um ataque cardíaco e era basicamente isso que estava acontecendo”, disse Celine Gounder, membro do conselho consultivo da Covid-19 montado pelo presidente eleito.
Em sua carta de demissão, Atlas defendeu sua gestão, que tinha prazo de validade: “Trabalhei muito com um foco singular — salvar vidas e ajudar os americanos durante essa pandemia.” A pandemia não dá sinais de arrefecer. E Atlas não tem mais a quem distribuir seus conselhos.
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