Biden era o vice-presidente dos EUA quando o Obamacare foi aprovado e já afirmou que vai fazer o que estiver a seu alcance para mantê-lo e expandi-lo se for presidente. Reportagem de Rafael Salvi para a Gazeta do Povo:
Durante
a campanha eleitoral deste ano, um dos assuntos mais discutidos foi o
Affordable Care Act (ACA) [Lei de Proteção ao Paciente e Cuidados
Acessíveis], também conhecida como Obamacare.
Republicanos
acusam os democratas de querer socializar completamente a saúde
americana. Democratas replicam, afirmando que os republicanos querem
retirar as proteções de saúde de pessoas vulneráveis socialmente e com
doenças preexistentes. Por que esse tema é tão controverso dentro dos
Estados Unidos e o que planeja realmente a chapa Biden-Harris caso vença
a eleição?
Ao
contrário de muitos países, os Estados Unidos não têm um serviço
nacional de saúde. Isso fazia com que cerca de 15% da população ficasse
sem cobertura, por não contarem com plano de saúde particular.
Fora
da cobertura dos planos, os cuidados médicos nos EUA custam caro.
Estima-se, por exemplo, que quebrar uma perna pode fazer com que uma
pessoa desembolse cerca de R$ 40 mil (na cotação atual).
O
Obamacare alterou esse cenário. Agora todas as pessoas que vivem nos
EUA passaram a ser obrigadas a comprar algum tipo de plano de saúde.
Quem não tem seguro, paga multa.
Na
prática, a lei fornece subsídios estatais para que as pessoas comprem
seguros autorizados pelo governo. Porém, o Obamacare alterou também as
regras das seguradoras. Antes, uma pessoa com doenças preexistentes
poderia ter seu acesso ao plano de saúde recusado; agora, não se pode
mais recusar ninguém por esse motivo.
O que dizem os críticos
Os republicanos não ficaram nem um pouco satisfeitos com essa lei. Segundo eles o Obamacare:
*Impõe custos às pessoas de forma arbitrária; já que cidadãos não deveriam ser obrigados a pagar um seguro de saúde, e isso seria um invasão estatal nas liberdades individuais.*Elimina empregos ou reduz a hora de trabalho, já que a lei obriga empregadores a fornecer planos de saúde para trabalhadores acima de 30 horas por semana.*Tendem aumentar os custos gerais do sistema de saúde, pois como as seguradoras não podem recusar alguém com doenças preexistentes, isso faz com que as pessoas subscrevam-se a algum plano, de fato, apenas quando ficam doentes.
Razões
como essas fazem com que a briga entre democratas e republicanos sobre o
tema seja uma constante desde 2010 (quando a lei foi aprovada) e também
explicam por que a audiência de confirmação de Amy Coney Barrett foi
tão atacada pelos democratas como um passo para acabar com Affordable
Care Act. Democratas acreditam que Trump visa usar a maioria do
Judiciário para declarar a lei inconstitucional.
O que Trump fez contra o Obamacare
Sem conseguir revertê-la totalmente, o presidente americano atacou a lei em cinco pontos:
*Reduziu a multa por não ter seguro de saúde para zero dólares. Isso abriu brecha para uma série de conflitos judiciais sobre a lei e também fez os prêmios de seguros crescerem.*Permitiu os estados a requerer aos beneficiários do Medicaid (programa de saúde social dos Estados Unidos para famílias e indivíduos de baixa renda e recursos limitados) que comprovem estar trabalhando ou estudando.*Acabou com os subsídios que as seguradoras tinham para reduzir seus custos.*Expandiu o acesso a planos de menor cobertura e de curto prazo. Isso fez os custo de prêmio de saúde baixarem ao longo do tempo, porém algumas pessoas podem ficar sem cobertura caso um problema de saúde realmente sério acontecer.*Reduziu os fundos para facilitar as inscrições no HealthCare.gov (o site principal para aquisição de um plano dentro da ACA).
No
último debate, Trump afirmou que gostaria de acabar com o Obamacare
para que pudesse implantar um plano de saúde melhor, mas não deixou
claro até aqui como vai ser o novo modelo. Ele afirma que irá proteger o
Medicaid e a Segurança Social, bem como as pessoas com doenças
preexistentes, mas suas ações até aqui, visaram, em grande parte,
eliminar paulatinamente o plano do governo anterior.
Uma alternativa que custa caro
Biden
era o vice-presidente dos EUA quando o Obamacare foi aprovado e já
afirmou que vai fazer o que estiver a seu alcance para mantê-lo e
expandi-lo quando for presidente.
“Em
vez de começar do zero e se livrar do seguro privado, ele tem um plano
para desenvolver o ACA, dando aos americanos mais opções, reduzindo os
custos com saúde e tornando nosso sistema de saúde menos complexo de
navegar”, afirma seu plano de governo.
As ideias para a saúde do partido democrata são bastante abrangentes. Entre elas, vale destacar as mais controversas:
*Criar uma opção de plano público de saúde para população geral, ao estilo do Medicare (plano de saúde do governo americano para maiores de 65 anos).*Expandir a cobertura para os americanos de baixa renda, principalmente nos estados que exigem alguma comprovação de trabalho ou estudo para o postulante ser elegível.*Combater a concentração do mercado de saúde nas mãos de algumas empresas.*Limitar os preços de lançamento de medicamentos que não enfrentam concorrência ou tem “preços abusivos” pelos fabricantes.*Limitar os aumentos de preços para todos os medicamentos genéricos de marca, de biotecnologia e os preços abusivos em relação à inflação.
O
plano democrata sobre a limitação de preços de medicamentos já é
bastante controverso por si, mas talvez a grande questão é a opção do
“plano público de saúde”.
Trump
afirma que esse seria um primeiro passo para a estatização completa da
saúde americana; os democratas garantem que o seguro será apenas “mais
uma opção”. Contudo, estimativas apontam que o plano de saúde
governamental custará cerca de US$ 2,25 trilhões ao governo federal,
contra US$ 1,5 trilhões estimados inicialmente pelos democratas; será
algo entre 5-10% do PIB americano. Um valor que tem por si o poder de
alterar a relação do governo americano com a saúde.
BLOG ORLANDO TAMBOSI

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