Em meio à pandemia provocada pelo novo coronavírus, que começou no mês de março, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Salvador registrou cerca de 200 mil chamadas, sendo que 20 mil dessas foram trotes
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Romildo de Jesus
Por: Bernardo Rego - estagiário
Em meio à pandemia provocada pelo novo coronavírus, que começou no mês de março, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) de Salvador registrou cerca de 200 mil chamadas, sendo que 20 mil dessas foram trotes. Entre as questões abordadas estão assédio sexual ou até pessoas que telefonam para dizer coisas inapropriadas.
O número de ligações criminosas (o trote é enquadrado com tal no artigo 266 do Código Penal, com pena de detenção de um a três anos) foi inferior ao total do mesmo período de 2019, quando ocorreram cerca de 40 mil ligações indevidas.
Tal situação preocupa devido ao fato de poder acarretar graves consequências como o atraso no atendimento a um caso grave que pode ter como desfecho um óbito. Além disso, a atitude nociva de quem passa o trote gera desperdício de dinheiro público, já que há custos no deslocamento de ambulâncias.
O médico e coordenador de Urgência e Emergência de Salvador, Ivan Paiva, conversou a Tribuna da Bahia para esclarecer tais questões e pontuou as dificuldades enfrentadas na realização do trabalho da equipe da SAMU.
“Além dos trotes que são coisas que atrapalham bastante, enfrentamos uma dificuldade que é encontrar o endereço das ocorrências. Muitas vezes as pessoas nos dão como referência um bar e nós não conseguimos identificar, o outro empecilho são as placas que muitas vezes não possuem, principalmente nos bairros da periferia”, salientou.
“A nossa ambulância também encontra dificuldades durante o deslocamento porque muitos acham que estamos correndo sem ninguém dentro da unidade. E é exatamente por isso que corremos. Precisamos de agilidade quando a ambulância está vazia a fim de prestar o melhor atendimento àquela vítima que está grave, ou seja, nós levamos uma equipe que supre a necessidade do hospital naquele momento. Fazemos o atendimento no local para depois encaminhamos o paciente às unidades de saúde”, detalhou.
Segundo Paiva, uma outra questão são os hospitais cheios principalmente durante o pico de pacientes com Covid-19. “Tivemos muitos problemas com hospitais como Roberto Santos, Ernesto Simões, Hospital do Subúrbio, portanto ficamos limitados a levar os pacientes ao Hospital Municipal e ao Hospital Geral do Estado”, afirmou.
O médico também falou sobre a estrutura que o SAMU possui. “Hoje nós temos 62 ambulâncias para atender às ocorrências e mais de 1000 profissionais. Vale destacar uma equipe de cardiologia que presta uma excelente assistência em casos como infarto, além de oito motos e duas lanchas (essas vão atender a região da Ilha de Itaparica)”, descreveu. Ivan acrescentou que 25% dos chamados são em virtude de traumas e maior demanda acontece entre 8h e 20h.
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